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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

dos especialistas

18.05.09

 

 

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

Associação de Professores de Português considera provas "facilitistas

 

"A Associação de Professores de Português (APP) diz que há "algum facilitismo" nas provas de aferição dos 4.º e 6.º anos. Em ambas as provas é pedido aos estudantes que escrevam textos e nesses são indicados alguns elementos que os avaliados não devem esquecer, ou seja, indicam-se elementos que são objecto de avaliação, explica Paulo Feytor Pinto, presidente da APP.
As provas são "facilitistas", mas "não é deste ano, é desde sempre", acusa o responsável. Contudo, a APP congratula-se com a diversidade das tipologias textuais apresentadas aos alunos, quer para avaliar a competência de leitura – foram apresentados textos de narrativa, drama, informação-descrição, instruções, índice, artigo de dicionário; quer para avaliar a competência de produção escrita – ao 6.º ano foi pedido um texto expositivo-argumentativo; ao 4.º ano um diálogo ficcionado e um convite formal.(...)

 

 

Começo por escrever que impressiona-me a mediatização à volta destas questões. Não sou professor da disciplina mas tive contacto com a prova de aferição para os alunos do 6º ano. Prefiro ler as opiniões dos professores da disciplina e das associações respectivas. A única coisa que posso dizer é que as minhas impressões vão no mesmo sentido do que vou lendo. Há um aspecto que posso afirmar com toda a segurança; o manual do aplicador das provas colocado à disposição dos professores é excessivo e tem detalhes ridículos.

mea culpa, no mínimo para que conste e não se repita

18.05.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

Crianças devem brincar em vez de fazer TPC's

 

 

"O excesso de trabalhos de casa está a prejudicar a forma com as crianças olham para o conhecimento, alerta uma especialista, considerando que, depois da escola, os mais pequenos deveriam brincar, aprendendo naturalmente desta forma coisas úteis para a vida.(...)

(...)"Para os adultos trabalhar é que é muito sério e não percebem que as crianças aprendem a brincar. Não percebem que se uma criança estiver cinco horas na escola depois deveria brincar e que essa brincadeira serve também para aprender coisas que vão ser importantes para a vida", considerou. 

Contra tarefas para casa como "cópias de textos, repetições de palavras (várias vezes), fichas com contas e problemas diversos que na maior parte das vezes se limitam a reproduzir os conteúdos dos livros ou o que eventualmente foi feito e explicado na aula", Maria José Araújo propõe antes que, por exemplo, andem de bicicleta ou façam um bolo com os pais.(...)"

 

 

 

Instalou-se, novamente, a desorientação na educação das nossas crianças; sabemos que este tipo de estado de sítio é cíclico e que não tem fim à vista.

Querer implementar uma política de "escola-armazém" igual para o todo nacional, à força e à pressa, e ainda por cima numa sociedade que "exige" aos professores a marcação de trabalhos de casa em catadupa como certificação da sua qualidade profissional, pode ser desastroso numa sociedade onde as pessoas trabalham cada vez mais horas e em que a mobilidade urbana leva horas sem fim. As crianças não podem estar "enjauladas" oito a dez horas por dia numa mesma sala de aula e ainda por cima regressarem a casa inundadas de tarefas escolares. O actual governo retirou responsabilidades à sociedade na "guarda" das crianças, num processo inaudito e acelerado de escola a tempo inteiro, deixando a instituição escolar isolada e com o intuito de a penalizar nos casos de insucesso e abandono escolar. E mais: fez, e faz, gala mediática da coisa.

Agora todos atiram contra todos e em todas as direcções. Os verdadeiros responsáveis esperam que um qualquer acto eleitoral os faça sair de cena com a aura de eméritos reformadores incompreendidos e sem qualquer acto de contrição ou sequer de "mea culpa". Números e mais números e desígnios de manipulação mediática com fins eleitorais é o que lhes resta. E o que é trágico também, é que durante quatro anos estas políticas foram apoiadas de forma sistemática pela confederação de pais e encarregados de educação que tinha presença mediática.

e cada vez vai ser pior, a não ser que...

18.05.09

 

 

 

Crianças trabalham tanto como adultos

 

"Uma criança pequena trabalha diariamente na escola tantas horas como um adulto e ainda leva trabalho para casa, um excesso que preocupa especialistas e deixa angustiados muitos encarregados de educação, que pedem que em casa os deixem ser apenas pais.
Quando fez a sua tese de mestrado, a investigadora Maria José Araújo, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) da Universidade do Porto, concluiu que uma criança pequena em idade escolar trabalha em média nove horas por dia, "o exacto equivalente ao trabalho profissional de vida de um adulto"(...)"

 

 

O efeito "escola armazém" associado à sociedade ausente (leia-se família sem tempo para as crianças) começa a fazer as suas vítimas. E os encarregados de educação mais conscientes começam a ficar atónitos com a vida tão ocupada dos seus petizes.

eyes wide shut

18.05.09

kubrick.jpg

 
 
Há filmes que nos deixam uma marca indelével. Não vou estar com mais rodeios: venho fala-vos de “"eyes wide shut"” - na feliz tradução para português, ficou “"de olhos bem fechados”" - o último filme do genial Stanley Kubrick (1928 - 1999).

Stanley Kubrick era norte-americano, apesar das sua obras mais conhecidas terem sido produzidas em Inglaterra e de toda a sua filmografia escapar à “ideia” "mainstream" de Hollywood.

O seu cinema dependia muito da componente visual. Julgo que a sua primeira longa metragem foi "“fear and desire"”, onde Stanley Kubrick fez de tudo: produtor, realizador, operador de câmara e ainda aquele incrível trabalho de pegar nas horas e horas de cenas e construir um filme.

Seguiu-se o seu primeiro grande êxito, "“glória feita de sangue”", onde retrata os limites, entre o patriotismo e a demência, próprios da guerra. A exibição esteve proibida em França - a acção passa-se nesse país, vejam lá - mas Stanley Kubrick nunca cedeu.
Seguiram-se "“spartacus"”, "“lolita”" - que lhe granjeou o epíteto de cineasta imoral e de ser um perigoso extremista - "“doutor fantástico"” e "“2001 - odisseia no espaço"”, que é para Steven Spielberg o maior clássico de sempre da história do cinema.

Tem novamente um momento alto com “"laranja mecânica"”, um filme inesquecível. Esteve proibido em muitos países. Recordo-me bem de o filme ser para maiores de dezassete anos e de o ter ido ver com dezasseis e com receio de não poder entrar. Só ao rever o filme, uns anos depois, fiz uma leitura mais aproximada das intenções do realizador.

Sucederam-se "“barry lyndon"”, “"o iluminado"”, "“nascido para matar"” e “"eyes wide shut"”. Entre os dois últimos filmes, mediou um espaço de doze anos - Kubrick estava muito doente - , e o filme de que vos falo ficou concluído exactamente no ano da morte do cineasta.

Sabe-se que a elaboração mental de “"eyes wide shut”" foi um processo longo e muito minucioso. Tudo foi tratado ao mais infímo detalhe. Eu diria que “"2001 - odisseia no espaço"”, “"laranja mecânica”" e "“eyes wide shut”" constituem a sua trilogia de clássicos.

A história de“ "eyes wide shut”" anda à volta da vida de um casal de psiquiatras que se envolve em jogos sexuais. Por altura da estreia, alguns críticos de cinema escreverem que dentro de 20 ou 30 anos esta fita será considerada como a obra prima do cinema. Steven Spielberg teve a mesma opinião. Aliás, Spielberg acompanhou Stanley Kubrick durante a produção e a realização do filme. Julgo que participou também na montagem, mas não tenho a certeza. Perece-me que não é necessário esperar tanto tempo. Basta vê-lo.

Devo confessar, que o filme tem um aspecto menos positivo: tem três horas de duração. Talvez resida aí o principal motivo para a sua difícil aceitação na dobragem de milénio. Estou convencido que se Stanley Kubrick o tivesse montado em melhores condições de saúde, teriamos uma obra genial na mesma mas com menos tempo de película cinematográfica. Impressões que nada têm de certezas, claro. Nunca li nada sobre isso e até posso estar a cometer uma enorme heresia.

Mas de que trata o filme, afinal? Da história que já vos falei e de como é possível desejar ardentemente o que se tem. Isso mesmo. Num tempo em que as relações amorosas têm de ser efémeras para acatarem o dogma vigente, Stanley Kubrick filma o contraditório e acorda-nos.

O filme começa com o nu menos gratuito da história do cinema. A mulher - uma psiquiatra, a actriz Nicole Kidman - tira um vestido, de costas para a câmara, e o marido - outro psiquiatra, o actor Tom Cruise - responde, sem olhar para a companheira, quando ela o interroga acerca da beleza do seu penteado.

Ela diz-lhe que ele nem olhou para ela, e ele, sorri, e diz que não é necessário porque ela está sempre bonita. Sucedem-se três horas de um constante interrogar da condição humana, onde se assiste ao permanente convívio das ideias sobre o que é certo e o que é errado.

Estas faces da dialéctica do comportamento dos humanos, convivem e misturam-se a um ritmo alucinante. O génio de Kubrick tem, também aqui, um registo muito profundo.
 
Brilhante. É um filme inteligentíssimo e belo. Sem igual.