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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

doideira

12.05.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui) 

 

 

No princípio era o ímpeto reformista (soa tão bem, não soa?) acompanhado dos magnificentes louvores da plêiade de opinantes em obrigação ao meio e ao "lúmpen". Tudo que em ritmo quase alucinante se decretava era para ser cumprido de modo peremptório e imediato. Uma das primeiras medidas, a quase eliminação da redução das horas lectivas para o exercício de cargos por parte dos professores nas escolas, que teve a anuência implícita dos mesmos tal era a necessidade de todos contribuírem para arrumar as contas do país, teve um efeito de deslumbre e de choque financeiro nas contas da Educação; criou uma aura de tipo invencível à equipa que as governava.

 

Mas os desígnios da engenharia social, e dos fortes ventos do neoliberalismo então reinante, deitaram tudo a perder. Nos três anos seguintes instalou-se a mais completa doideira legislativa e burocrática que me foi dado conhecer. Hoje vive-se num inferno de suspeitas e trapalhadas em torno das leis da Educação. O peremptório e o imediato cederam de vez o lugar à manipulação sem escrúpulos e ao conhecido "havemos de nos safar". Faz-se terraplanagem de todas as dignidades: de professores, de alunos, de funcionários, da democracia nas escolas e dos encarregados de educação. Sei do desespero dos professores e do seu estado inaudito de saturação. O quotidiano da sua vida profissional resvalou de vez para jurisdição da actividade; parece que nada sobra.

 

Já não bastava tudo o que se conhece, para aparecer, agora, e de modo cirúrgico, mais uma doideira legislativa: a natureza dos vínculos ao estado dos professores e educadores. E que se ouve dos responsáveis? Zero, grau zero também da responsabilidade. Hibernaram e parece que já só se despedem.

 

E neste caso, escusam de se justificar com as causas internacionais. Sabemos que tudo tem de ser assumido por cá e por quem dirige os diversos órgãos de soberania.

só faltava mais esta

12.05.09

 

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

Uso do Magalhães pode fazer disparar casos de miopia 

 

"A utilização do computador Magalhães pode fazer disparar os casos de miopia entre as crianças devido ao tamanho do portátil e às letras muito pequenas, que obrigam a uma leitura muito próxima, alertou hoje a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO).

“Com o uso cada vez maior do computador e, neste caso, de um portátil que ainda é mais pequeno, com letras mais pequenas, em que se procuram distâncias de leitura cada vez mais próximas, o número de miopias com certeza vai aumentar em flecha”, disse hoje à agência Lusa Augusto Barbosa, coordenador do Grupo Português de Ergoftalmologia, da SPO. 

O oftalmologista defendeu que o Governo deve informar e sensibilizar a população em geral para a importância da ergonomia visual. “Se se preocuparam em colocar o Magalhães nas escolas, também deveriam alertar para alguns cuidados a ter com o uso dos computadores, prevenindo o aparecimento de patologias do foro ocular.” (...)"

 

 

A minha escola, a básica integrada de Santo Onofre, tem muitos alunos do primeiro ciclo. Cruzo-me frequentemente, e no intervalo grande, com os miúdos dessas idades. Encontro muitas crianças sentadas pelo chão dos corredores, de "magalhães" ao colo, e a aceder à rede sem fios. Aproximo-me quase sempre e pergunto-lhes o que fazem: ou navegam na rede ou estão a jogar. Sensibilizo-os para uma ida ao recreio e para umas brincadeiras ao ar livre; normalmente olham para mim com um sorriso e com aquela expressão - ah, está bem, mas... - e só ficam um bocadito sobressaltadas quando as remeto para os problemas da obesidade infantil. Mas afinal também começam a surgir outro tipo de preocupações. Digam lá o que disserem, este programa - que até poderia ter vantagens didácticas se tivesse começado por cima em termos etários de modo a preparar professores, escolas, encarregados de educação e alunos - entrou de modo apressado e pouco estudado e serviu interesses comerciais e desígnios da propaganda mediática. Não é de admirar que comecem a surgir relatórios destes. Nestas coisas do vale tudo, há sempre um choque ainda maior quando os destinatários são crianças quase indefesas.

E no que se refere ao processo burocrático que levou à expansão deste programa, é perturbante perceber o modo com o ministério da Educação usou os professores do primeiro ciclo para o inenarrável sistema de inscrição das famílias no famigerado "magalhães".

didácticas

12.05.09

 

 

iPhone ou iPod Touch na lista de material escolar obrigatório dos estudantes de jornalismo do Missouri 

 

"A Faculdade de Jornalismo da Universidade do Missouri vai solicitar, no próximo ano lectivo, que os seus alunos tenham um iPhone ou um iPod Touch, para descarregarem materiais académicos.

O leitor de mp3 iPod Touch custa cerca de 230 dólares (169 euros) e o iPhone 250 dólares (183 euros). 

"A melhor solução para os estudantes que não tenham iPod Touch ou IPhone é ir à TigerTech, a loja de informática da Universidade, e comprar um", lê-se num folheto informativo da Universidade, onde se assegura também que aquele estabelecimento pratica preços baixos e facilita o pagamento.(...)"

cartas

12.05.09

 

 

 

Docentes enviam carta aberta a um primeiro-ministro “insensível e indiferente”

 

"Insensível, indiferente, inflexível e arrogante. Estes são quatro dos adjectivos que a Plataforma Sindical dos Professores dirige ao Governo numa carta aberta enviada hoje ao primeiro-ministro.

Para os docentes, José Sócrates “desvalorizou as grandes acções de protesto e exigência realizadas e, na mesa das negociações, ignorou as propostas sindicais, em tudo o que é fundamental, assumindo uma atitude de grande inflexibilidade negocial e arrogância política”.(...)"

 

 

Nem sei se vale muito a pena. Tem algum alcance mediático esta carta, mas já está tudo dito. A teimosia de substituir o ministro da Saúde e de não o fazer com a da Educação somada a mais uma série de outras "birras", deu no que deu.