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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

cresce a onda da frente jurídica

09.05.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Pedido De Fiscalização Abstracta Sucessiva Da Constitucionalidade Do Simplex – Parte 2

 

 

Afinal a luta jurídica sempre é uma frente muito importante e decisiva na justa luta dos professores. Temos de acreditar que vivemos num estado de direito. E escrevo isto assim, apenas para recordar as críticas que fui lendo em relação ao facto do Paulo Guinote ter tido a iniciativa de avançar nesta frente. É claro que as críticas são fundamentais e que a frente jurídica podia não ter pernas para andar. Hoje vê-se que não é assim e os tribunais estão cheios de trabalho com as trapalhadas da incontinência legislativa deste governo. Mas o que importa sublinhar é o seguinte: o que não é admissível na democracia, onde umas vezes se ganha e outras se perde, são as faltas de comparência das instituições criadas para os assuntos em concreto.

 

Pode ler mais sobre o assunto no blogue do Paulo Guinote, aqui, ou ainda uma entrada sobre o tema no blogue do Ramiro Marques, aqui.

registos da solidariedade blogosférica

09.05.09

 

 

O Ramiro Marques, com o seu blogue Profavaliação, aqui, tem tido um papel enorme e decisivo nesta justa luta dos professores. É impressionante o que ele tem feito e a história encarregar-se-á de o sublinhar.

 

Já nos encontrámos pessoalmente e vamos trocando umas ideias sobre a situação de quando em vez. O Ramiro Marques tem tido a cortesia de sublinhar o papel do "correntes". Agradeço-lhe. Desta vez publica uma entrevista que me fez, aqui.

 

Para as minhas memórias colo-a também de seguida.

 

 

ProfAvaliação - Estás comprometido com a luta dos professores. O teu espaço de intervenção passa sobretudo pelo blogue Correntes . Como fazes para resistir às pressões? 
Paulo Prudêncio - As minhas circunstâncias pessoais e profissionais são o que são e o meu envolvimento na justa luta dos professores e em defesa da escola pública de qualidade para todos origina uma involuntária exposição a pressões de vários lados. Lido com isso sempre com alguma surpresa. Por vezes desgosta-me a certificação da latitude da natureza humana, no que aos valores se refere. Norteio-me sempre por um princípio definido por Peter Singer: ""A ética é prática, senão não é verdadeira ética. Se não for boa na prática, também não é boa na teoria".  Ouço, reflicto e sigo o meu caminho.
ProfAvaliação - Para além do blogue Correntes, como se processa a tua participação na blogosfera e nas redes sociais?
Paulo Prudêncio - Tenho um mergulho já antigo em soluções informáticas. Dedico uma parte da minha vida profissional à construção de instrumentos que se destinam ao tratamento da informação através da utilização das tecnologias da informação e da comunicação. Por tudo isso, tento reduzir, e seleccionar, o tempo que dedico a redes sociais. É que tem de haver vida para além da rede.
ProfAvaliação - Como professor no Agrupamento de Sto Onofre, sentes na pele os efeitos negativos do decreto-lei 75/2008. Por que razão é tão importante para ti a defesa da gestão democrática?
Paulo Prudêncio - No meu ponto de vista, a constestação mais fundamentada que conheço inscreve uma asserção importante: durante anos associou-se a gestão unipessoal à eficácia e à eficiência considerando-se que tudo o que era colegial originava desperdício e lideranças fracas. Não concordo nada com isso e os exemplos de gestão que melhor conheço, e nas mais variadas actividades, demonstram o contrário. A legitimidade democrática, a divisão de responsabilidades, o ambiente organizacional cooperativo gera melhores desempenhos e proporciona lideranças muito fortes. Cria sistemas compostos por indivíduos autónomos e muito mais responsáveis. É um facto que os sistemas que prefiro dão muito mais trabalho às lideranças. Mas também nunca li, nem constatei, que a democracia não desse trabalho e que o belo não fosse difícil.
ProfAvaliação - Qual a leitura que fazes das acções de luta anunciadas pela Plataforma Sindical? 
Paulo Prudêncio - Não sou muito dado ao pensamento sobre as melhores estratégias para as acções de luta que envolvem um grande número de pessoas. Normalmente apoio todas as acções bem fundamentadas e, em regra, participo. Depois, analiso os resultados e continuo a tentar desconstruir as políticas com que estou em desacordo.
ProfAvaliação - Como encaras o futuro da luta dos professores?
Paulo Prudêncio - A luta em defesa da escola pública é antiga e será eterna. Os últimos anos foram devastadores para os professores, para o ensino e para o poder da escola democrática. Vão ser necessários muitos anos para reerguer o que verdadeiramente deveria interessar: a pedagogia. Nesta justa luta, os professores somam algumas vitórias importantes mas também registam derrotas significativas. É hábito dizer-se que cada povo tem a democracia que merece e os professores não fogem a isso. No imediato, os resultados das eleições legislativas darão um forte sinal do que se vai passar a seguir.

last tango in paris

09.05.09

 

 

Após uns meses afogado num turbilhão de informação, decidi regressar às sessões de cinema do pequeno auditório do CCC (Caldas da Rainha). São à segunda-feira e as escolhas obedecem quase sempre a critérios muito recomendáveis - para os meus gostos, claro -; funciona como um espécie de cine-clube.

 

E nesta segunda-feira foi assim: "O último tango em Paris", o primeiro grande filme do enorme Bernardo Bertoluci, encheu-me as medidas. A fita não está no melhor estado, mas o argumento é soberbo e deixou-me com vontade de voltar lá para dentro para descodificar um ou outro detalhe. Tinha visto o filme apenas uma vez e há mais de 30 anos. No final, dizia-me, e com toda a razão, um amigo meu: "é quase incompreensível como tanta gente remete este filme para uma ou outra cena, relevante sem dúvida, mas que não passa de uma entre tantas outras."

 

Marlon Brando e Maria Schneider estão excepcionais.

 

Pode ver um vídeo de cerca de 3 minutos com as cenas à volta do último tango propriamente dito.

Ora clique.

 

 

 

 

tiranetes em roda livre

09.05.09

 

 (encontrei esta imagem aqui)

 

Suspenso sem saber porquê

Sandro Colaço, professor de Expressão Corporal do ATL da Escola Básica de Santa Luzia, Tavira, foi suspenso pela autarquia, na quinta-feira, depois de um acidente durante uma aula que envolveu o filho do presidente da câmara, Macário Correia.

“Era um exercício normalíssimo, supervisionado por mim”, explica o docente, que diz não saber por que razão está suspenso. A turma tinha terminado o ensaio da peça ‘Inspector Tótó’ e, no exercício seguinte, com os alunos de olhos vendados, o filho do presidente da Câmara de Tavira feriu o lábio.

“O professor é muito querido, é boa pessoa e não é justo ir para a rua por o acidente ter sido com quem foi”, desabafa uma das empregadas, sob anonimato.

Sandro Colaço “tem feito as festas mais lindas desta vila e todos os alunos têm um enorme carinho por ele”, diz a coordenadora da escola. Aida de Jesus, que também desconhece oficialmente o motivo da suspensão, acrescenta que “toda a escola está em choque, todos têm plena confiança no trabalho do professor e respeitam-no”.

As aulas de Expressão Corporal estão agora a ser leccionadas pela professora de Expressão Plástica e há alunos que reclamam pelo regresso de Sandro Colaço.

Macário Correia não comentou a suspensão do docente. “São assuntos internos da câmara, envolvendo um familiar e por uma questão de ética e boa educação não presto declarações”, disse.

 

Sabemos que há pessoas que conseguem exercer o poder democrático em qualquer modelo; e o contrário também é verdadeiro. A ideia que fica desta notícia, e de outras semelhantes que vamos conhecendo, é que se estão a criar as condições para uma conflitualidade sem paralelo na vida das escolas.