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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

e querem ver que há mesmo resistentes como na história?

06.05.09

 

Tenho-o escrito com regularidade; quando refiro os professores resistentes fico sempre com a sensação que não estou bem em mim e que a coisa até vai passar e por aí adiante.

 

Mas leia as notícias que publicito de seguida e tire as suas conclusões.

 

Rosário Gama diz-se perseguida pelo PS

 

"Rosário Gama, militante socialista apoiante de Manuel Alegre e presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Infanta D. Maria, acusou hoje o PS de “não aceitar o contraditório, mesmo vindo do interior do partido”. E, em declarações ao PÚBLICO, apontou como “sinal” disso as questões que lhe foram colocadas por deputados socialistas sobre declarações que fez ao “Expresso” e que, denuncia, revelam “uma atitude persecutória sobre quem manifesta uma opinião contrária à do poder”.

 

Apoiante de Alegre diz-se perseguida pelo PS por causa das suas declarações

 

“(...)Recebi as questões dos deputados via Direcção Regional de Educação e tenho conhecimento de que foram enviadas também para presidentes de conselhos executivos de outras escolas que fizeram declarações aos jornais sobre a redução do número de faltas dos alunos. Mas tenho conhecimento, igualmente, de que num primeiro momento o requerimento visava apenas a minha pessoa e que só depois foi decidido alargar o envio a outras escolas, para tentar evitar que ele fosse entendido como um acto persecutório”, denunciou Rosário Gama.(...)"

 

 

Inquirições

 

"Para que conste e não importunem mais a visada, o que se segue não me foi enviado por ninguém da escola em causa. A minha palavra faz fé nesta matéria, a menos que alguém duvide. Não sou menos que deputado que falta para ir à caça e diz que a falta está justificada. Estas foram as questões enviadas a Isabel Le Gué, como consequência das suas declarações a um jornal:

a) A citação, atrás referida, atribuida pelo jornalista Pedro Sousa Tavares à Drª Isabel Le Gué foi feita correctamente?

b) Se foi, em que práticas se baseou a Presidente do Conselho Executivo dessa Escola? Existe no Regulamento interno da escola alguma indicação sobre o apagamento das faltas?

c) Se não foi, solicitou a visada um desmentido?

O erro ortográfico menor, de mera acentuação, deveria passar em claro, não fosse proveniente das altas esferas do ME."

 

 

 

 

registos solidários

06.05.09

 

 

(Legenda da imagem e da esquerda para a direita:

Teodoro Manuel, eu, a Maria do Céu Prudêncio e a Paula Marques)

 

 

A luta dos professores em defesa da razão e da escola pública de qualidade para todos tem os seus altos e baixos. Não devemos esquecer que no início desta saga, que já leva uns bons três anos, os professores estavam isolados e que eram olhados como uns arrivistas que só queriam manter privilégios e que pouco tinham feito pelo incontornável processo de massificação do ensino.

Sabemos que o panorama é hoje bem diferente. Quer a opinião publicada, quer aquilo que se pode chamar de opinião pública, quer até os elementos que compõem o próprio governo, tiveram que perceber da razão que nos assiste e mudar de opinião. No caso do grupo que integra as personagens referidas em último lugar, a certificação da razão dos professores consubstanciou-se na redução dos diplomas mais nefastos a soluções que se poderia classificar de risíveis se não fosse o carácter trágico da sua abrangência.

Com tudo isto a vida das escolas tornou-se irrespirável para os professores. Parece que se resume, hoje em dia, a batalhas jurídicas feitas de arremessos constantes e permanentes de burocracias sem pés nem cabeça.

Mas no meio de tantos e altos e baixos, como escrevi no início do post, foram ficando entre os professores laços inesquecíveis de solidariedade e amizade.

Estávamos em pleno período sobreaquecido quando se realizou um jantar de resistentes na Póvoa de Varzim. Não pude estar presente. Mas o Teodoro, na sua deslocação de Lisboa até ao local do referido jantar, fez questão de passar pelas Caldas da Rainha para um almoço que proporcionou o nosso primeiro encontro fora da rede. É isso que regista a foto que escolhi para esta entrada.

assaltos a escolas

06.05.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Leio no blogue do Paulo Guinote a seguinte notícia: 

 

"Chegado há não muitos minutos por mail:

Confirmou-se hoje no Agrupamento de Escolas da Freixianda a nomeação de uma CAP. A DRELVT não encontrou dentro do Agrupamento ninguém suficientemente competente para a função e convidou gente de fora, todos devidamente habilitados. São duas senhoras e um senhor, todos de 1.º Ciclo e todos com públicas ligações ao Partido Socialista a nível concelhio. Com destaque para um certo Hugo Cristóvão, presidente da Concelhia do PS em Tomar, candidato suplente a deputado, um jovem de 31 anos que sendo de QZP tem pouca experiência a dar aulas. Uma figura em tempos ligada ao SPLIU, antes de andar a saltar por cargos políticos, nomeadamente no IPJ de Santarém. Com uma ingenuidade que confrange, apresentaram-se na escola para “trabalhar em equipa e pôr a escola a funcionar”!!! eu diria que o que não está a funcionar é a cabeça delas.

Veremos então a habilidade para “pôr a escola a funcionar” e a capacidade de entrar para a nossa equipa de “incapazes”. Seja como for, o que importa é mesmo o suplementozito de remuneração e um poleiro perto de casa.

Está por isso definido o retrato-tipo das direcções ideais das escolas: falta de experiência, falta de noção da realidade e ligação ao partido.

Um(a) professor(a) do Agrupamento"

 

 

 

Sabe-se da pequenez do país e muito mais se conhece da influência que essa condição exerce nas relações mais locais, onde a pressão social faz o seu exercício no maior dos esplendores. A política partidária tem os vícios que se conhece e nos locais menos populosos repete os tiques dos "espaços grandes", só que de um modo menos conseguido em termos de descrição e de confidencialidade: tudo acaba mesmo por se saber.

Há um aspecto da vida dos partidos políticos que me deixa sempre perplexo: os que podem, os ditos maiores, têm como caderno de encargos de serviço público a colocação de militantes nos mais diversos lugares de chefia: nos serviços públicos e também nos privados; e fazem gala disso: ou seja, fica ao nível da abominável discussão à volta da soma dos campeonatos dos clubes de futebol.

Na situação actual da vida de muitas das escolas a coisa começa a ultrapassar os limites da "lata" conhecida: um qualquer militante - mesmo um professor que na sua própria escola ninguém elegeria para o que quer que seja, só se fosse por alguma espécie de castigo - escolhido, entre os oito ou nove existentes, para um qualquer dos dez lugares de uma qualquer comissão política concelhia, arvora-se no direito de andar por aí à pesca de um qualquer militante com as quotas em dia para fazer parte de uma qualquer comissão administrativa provisória de uma escola. Tudo isto à revelia do mais elementar princípio democrático: a escolha por sufrágio directo e universal. Não se augura um futuro nada promissor para a democracia portuguesa se os modernaços que orientam o partido que suporta este governo por lá continuarem ou se se coligarem em nome de um inevitável bloco central de interesses.

 

 

testamentos políticos

06.05.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Apenas para que conste, publica-se um testamento do primeiro candidato da lista às eleições europeias por parte do partido que suporta o actual governo (chegou-me por email e tem todas as referências necessárias).

 

 

As únicas lutas sociais dignas desse nome são as da “aristocracia operária” <http://aba-da-causa.blogspot.com/2007/01/aristocracia-operria.html> 

A ministra da Educação deve trabalhar para isolar os sectores radicais e conquistar pelo menos a compreensão dos sectores mais moderados.  <http://aba-da-causa.blogspot.com/2008/03/os-professores.html> 

O Governo só tem uma via a seguir, se não a quiser perder — tornar claro que não cede, aguentar firme e ganhar a população a seu favor contra a tentativa de boicote corporativo, invocando o interesse geral (e sobretudo o interesse da escola e dos alunos) contra os interesse sectoriais e profissionais.” <http://causa-nossa.blogspot.com/2008/11/activo-poltico.html> 

Os funcionários públicos gozavam de muitos privilégios face aos trabalhadores do sector privado, desde uma maior segurança no emprego até um sistema de aposentação e de pensões muito mais favorável <http://aba-da-causa.blogspot.com/2008/03/luta-de-classes-no-sector-pblico.html> 

As greves da Fenprof são assim como as manifestações da CAP: criam uma irrestível predisposição para apoiar as políticas contra as quais eles protestam! <http://causa-nossa.blogspot.com/2006/06/paralelo.html> 

Mas o líder da Fenprof não poderia ter sido mais enfático na afirmação de que os professores não querem nenhuma avaliação que tenha repercussão na progressão profissional <http://causa-nossa.blogspot.com/2008/11/questo-no-o-modelo.html> 

Quem pode ter acreditado que era possível um compromisso com a Fenprof quanto à avaliação, quando é evidente que os sindicatos não querem nenhuma avaliação que sirva para efeitos da progressão na carreira e na remuneração dos professores e que estão apostados em todas as manobras dilatórias para adiar indefinidamente a avaliação? <http://causa-nossa.blogspot.com/2008/03/iluses-1.html> 

 

 

objectivos individuais e a saga jurídica

06.05.09

 

Nas últimas horas tem aumentado o turbilhão informativo à volta dos já históricos e celebérrimos objectivos individuais na avaliação do desempenho dos professores.

 

Um dos sindicatos mais envolvidos na matéria toma a seguinte posição:

 

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO: M.E. CONDENADO TENTA, ABUSIVAMENTE, CONCLUIR  O QUE NÃO PODE

 

"O Ministério da Educação, abusivamente, procura retirar da providência cautelar decretada pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra, cuja sentença o condena, conclusões que não pode.

De facto, o objectivo da providência cautelar requerida pelo SPRC/FENPROF era apenas um e foi alcançado: impedir o ME de continuar a enviar orientações para as escolas que criavam situações de desigualdade entre docentes, o que configurava uma inconstitucionalidade! 

Tudo o que, para além disto, seja retirado de apreciações manifestadas pelo juiz é abusivo, especulativo e não tem qualquer aplicação, porquanto não integra a parte decisória do acórdão que determina, e apenas isso, “que o requerido Ministério da Educação se abstenha de prosseguir no [seu] comportamento” que induzia os órgãos de gestão das escolas a incorrerem em actos geradores de situações de desigualdade entre docentes.

Se os docentes que não entregaram a sua proposta de objectivos individuais de avaliação podem ou não ser avaliados é de outro processo, sendo que são centenas os recursos a tribunal que estão prestes a ser interpostos, os primeiros já amanhã, na região centro, sob patrocínio dos Sindicatos de Professores.
A par disso, há ainda que aguardar pelo resultado do pedido de fiscalização sucessiva e abstracta da constitucionalidade do modelo simplificado de avaliação, apresentado pela Assembleia da República ao Tribunal Constitucional, que poderá fazer cair todo o processo de avaliação em curso este ano."

 

E o jornal Público faz a seguinte notícia:

 

Tribunal dá razão à Fenprof e uma mão ao ME na avaliação dos professores 

 

"É mais uma escalada no confronto que opõe o Ministério da Educação (ME) e os sindicatos em torno do processo de avaliação dos docentes. A propósito de uma sentença do Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Coimbra, que na semana passada deu razão à Federação Nacional de Professores, o ME acusou ontem a Fenprof de só dizer meia verdade. A federação respondeu, acusando o ministério de, "abusivamente, concluir o que não pode". Mas nem o ME nem os sindicatos disponibilizaram o texto integral do acórdão.(...)"

desafios

06.05.09

 

Revisão do Estatuto da Carreira Docente sem acordo Governo/sindicatos 

 

"Sem resultados. O Ministério da Educação e a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) não registaram hoje qualquer evolução nas negociações sobre o Estatuto da Carreira Docente, pelo que um acordo, mesmo parcial, está praticamente afastado pelas duas partes.

O secretário de Estado Jorge Pedreira diz que a Fenprof não entregou qualquer proposta relativamente à prova de ingresso na profissão e aos critérios do concurso extraordinário de acesso a professor titular – a segunda e mais elevada categoria da carreira docente."

 

E parece que este senhor secretário de Estado ainda acrescentou o seguinte: “manifestação de professores uma semana antes de eleições é «insólita» e «pouco adequada»”. Até parece um desafio, não parece?