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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

assaltos à democracia nas escolas públicas

05.05.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Já começam a ser tantos os casos e as trapalhadas à volta do modelo unipessoal (para garantir a eficiência e a eficácia na gestão ao contrário dos órgão colegiais que só geram desperdício e lideranças fracas) que o partido político que suporta este governo inventou, que podemos afirmar que a democracia e a qualidade das relações nas escolas públicas vão ter um futuro muito sombrio. Vivemos tempos de uma total falta de respeito pelo poder das escolas e em que os actores do poder central atingiram um grau até aqui inimaginável do exercício despudorado do poder. E os tempos que se seguirão não prometem nada de muito melhor.

 

Ora leia a história que fui encontrar no blogue do Paulo Guinote.

 

"Numa escola Secundária de Cascais, o único candidato a director foi “chumbado” por 9 votos contra e 8 a favor, tendo faltado 4 membros. Como a legislação não prevê estes casos nem a possibilidade de o concurso ficar deserto, a Presidente do Transitório resolveu solicitar explicações à DREL. Telefonicamente disseram-lhe que era entendimento do senhor secretário de Estado que bastava um voto a favor para o director ser eleito!!! A Presidente pediu para lhe escreverem isso e como será fácil de entender, não o fizeram. Entretanto pediram a acta da reunião e quiseram saber se todos os membros tinham estado presentes. E foram dizendo telefonicamente que talvez fosse melhor proceder a nova votação !!!. A Presidente pediu para o fazerem por escrito e, espantosamente, passado cerca de um mês chegou um fax, dizendo que a votação deveria ser repetida, já que segundo a legislação tratar-se-á de uma segunda volta !!! Inacreditável.Esse tal candidato a director (actual Director do Centro de formação de Cascais) foi entretanto pressionando e até dizendo que o Conselho Transitório se estava a “meter numa fria.”!!! A falta de vergonha não tem limites e isto tudo com a complacência dos serviços do ministério.
Será evidente que o feitiço se vai virar contra o feiticeiro e em nome da defesa da democracia, é esperada uma reacção muito forte de todos os membros do Conselho  Geral Transitório, mesmo daqueles que votaram a favor. Porque é a democracia que está em jogo e isso com certeza soará mais alto."

 

ganhar e perder

05.05.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

Tribunal Administrativo de Lisboa contra suspensão dos concursos para escolas problemáticas

 

"O Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa rejeitou a providência cautelar interposta pelo Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (Sindep) com vista à suspensão dos concursos para a colocação de docentes nas escolas inseridas em contextos sociais e económicos mais problemáticos, divulgou hoje o Ministério da Educação (ME).

Para os chamados Territórios Educativos de Intervenção Prioritária, que agrupam 59 escolas e agrupamentos, o ME decidiu, este ano, autorizar a contratação directa de docentes pelos estabelecimentos. Segundo o ME, com esta medida as escolas poderão escolher os docentes com o perfil e formação mais adequados ao trabalho naqueles meios.(...)"

 

 

Nas lutas é sempre assim: umas vezes ganha-se e outras vezes perde-se. O que sempre me surpreende são duas coisas: o infernal e interminável conjunto de processos jurídicos em que este ministério da Educação está metido - dá ideia que as trapalhadas são mesmo propositadas para garantirem assessorias jurídicas atrás de assessorias jurídicas - e algumas faltas de comparência, dos seus adversários institucionais, motivadas pelo medo de perder; extremos que se tocam.

editoriais

05.05.09

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

O editorial da edição de ontem do jornal Público, da autoria de José Manuel Fernandes, a certa altura diz assim:

 

"Não se iludam: vamos ficar cada vez mais pobres.


É triste, mas em Portugal "não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos." Hoje como há 138 anos. (...) O diagnóstico data de Maio de 1871 e é da lavra de Eça de Queirós..."

 

E em matéria de sistema escolar e no toca ao escarnecimento dos professores e da escola pública ninguém pode pedir meças às pessoas que ainda ocupam cargos de governo no ministério da Educação e também, e diga-se em abono da verdade, na chefia do próprio governo.

vozes

05.05.09

 

 

 (encontrei esta imagem aqui)

 

 

Pais divergem sobre educação pré-escolar obrigatória a partir dos três anos 

 

 

(...)"Segundo explicou ao PÚBLICO o presidente da Confap o objectivo é, até ao final da próxima legislatura (2013), conseguir-se uma “educação de qualidade e não apenas um espaço onde os pais depositam as crianças”. Para Albino Almeida é muito importante que as crianças entrem nas escolas antes do primeiro ciclo, já que “os estudos científicos mostram que estes meninos têm um desempenho e um rendimento superior”.

No entanto, para a presidente da Cnipe, não faz sentido acordar uma idade ideal “sem promover um debate alargado a nível nacional”. Maria José Viseu recordou, em declarações ao PÚBLICO, que “há vários países europeus que estão a defender a aproximação às famílias” e que o mais importante de tudo é assegurar que as crianças vão ser transportadas em condições de segurança e que não vão ser obrigadas a percorrer grandes distâncias para as escolas."(...)

 

 

Ora aqui está uma divergência que interessa seguir com toda a atenção, uma vez que, e nos últimos anos, a única voz que se fazia ouvir era a do representante da Confap. Não sei a que estudos científicos é que o senhor da Confap se refere, mas ao que julgo saber a escola só influencia em cerca de 40% o sucesso escolar (10% para os professores nesses quarenta) ficando a fatia maior, de 60%, para as responsabilidades familiares. Talvez seja por isso que a representante do Cnipe diz que “há vários países europeus que estão a defender a aproximação às famílias”. Bem sabemos que cada país é o que é, e que numa sociedade ausente como a nossa as escolas ainda têm que ajudar na "guarda" das crianças; mas isso não significa projectar uma escola a tempo inteiro com a desresponsabilização de todos os outros sectores da sociedade.