Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

como?

28.04.09

 

Manuela Ferreira Leite quer suspensão da actual avaliação

 

"A presidente do PSD defendeu hoje a suspensão do actual modelo de avaliação dos professores e a aprovação de um novo modelo de avaliação externa e sem quotas administrativas."

 

Nem quero advogar o estatuto de adivinho, mas esta trapalhada toda ainda acaba num processo inspirado num qualquer dos arquipélagos e devidamente abençoado pelo bloco central dos interesses e de outras coisas mais. Mas com requintes que pretendem projectar uma vaga neoliberal e datada mas que teima em enquadrar o presente e a projectar-se no futuro; e questiono-me: avaliação externa feita por quais privados?

rss da educação (37)

28.04.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

Mais um tropeção na linguagem?

 

"A ideia tinha potencialidades. Manuela Ferreira Leite, ao assumir-se disponível para um governo de bloco central, estava a dar uma golpada no voto útil, a aumentar a imagem de credibilidade e seriedade - o momento é difícil -, a dizer ao País que ele é mais importante do que as politiquices. Seria raro um líder candidato a primeiro-ministro fazer a avaliação das circunstâncias antes das circunstâncias. Mas poderia ser um golpe de mestre. Uma atitude inusitada para tempos inusitados. Perigosa, e por isso mesmo ainda mais atractiva."

 

 

Esta notícia pode ter muito a ver com as políticas educativas do futuro próximo e tem, na minha opinião, toda a relação com a ideia de bloco central que tem governado a Educação nos últimos anos. A seguir com toda a atenção.

 

PS usou em tempo de antena imagens de crianças com o Magalhães pedidas pelo Ministério da Educação

 

Mas o partido político que apoia o actual governo é de alguma multinacional?

 

do absurdo em santo onofre (1)

28.04.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Estava por aqui a perscrutar os meus neurónios e senti uma ligeira dor proveniente, provavelmente, de algumas sinapses que se abespinham quando são tentadas a dar passagem às informações provenientes da escola onde me orgulho de ser professor.

 

É que o ridículo e o absurdo começam a fazer o seu inexorável percurso. Tive a primeira reunião de Conselho Pedagógico após a ocupação que todos conhecemos. Não tenho um número rigoroso que resulte da soma das reuniões desse tipo em que tive oportunidade de dirigir ou participar; mas não andará longe das duzentas. Mas com a atmosfera em que decorreu a da semana passada, não tenho memória.

 

Retive o modo silente como foram apresentadas as desculpas para o acto funesto que ocorreu. Mas os indesculpáveis argumentos foram apresentados após um incisivo questionário que versou alguns aspectos essenciais.

 

  • Desde Novembro de 2008 que muito se discutiu a possibilidade de se efectivarem as ameaças relativas à destituição do Conselho Executivo eleito. Naturalmente, muitos dos supostos convidados para o acto de ocupação manifestaram-nos sempre dois argumentos para a sua peremptória não aceitação: a questão ética e a impreparação técnica para o caso em apreço.
  • Na última mudança de órgão de gestão em Santo Onofre (e que ocorreu por auto-imperativo democrático), o processo de transmissão da filosofia e dos procedimentos de gestão daquele caso singular demorou uns aturados dois a três meses.
  • Por outro lado, o percurso de Santo Onofre na justa luta dos professores foi sempre considerado muito informado e profissional e, como a história recente certifica, sufragado pelo próprio governo ao fazer as mudanças sucessivas e que são públicas.

 

O indesculpável rol argumentativo assentou no desconhecimento das várias situações. Houve um reconhecimento da impreparação ética e técnica para a situação singular que foi encontrada e aduziram-se detalhes de índole pessoal: a integral e solitária responsabilização pela acto de ocupação descrito e a necessidade do regresso, e após vários anos de exercício de funções fora da escola, a funções docentes ou equiparadas ser uma exigência de carreira que sufraga a contagem de tempo de serviço nas outras funções entretanto praticadas.

 

A reunião terminou de modo abrupto e até aí desconhecido. Ouviram-se vozes de alunos que traduziam um facto inédito mas que logo se confirmou: da varanda da sala onde a reunião decorria, podia assistir-se a uma manifestação de alunos realizada fora da escola e em defesa do Conselho Executivo destituído; era o que se lia nos cartazes.

 

Eram dezasseis horas. Peguei nas minhas coisas e dirigi-me ao bar da escola para o lanche de circunstância. Às dezasseis e trinta fui dar a minha aula de noventa minutos. Estavam os alunos todos e foram, como habitualmente, pontuais (apesar da escola funcionar desde o milénio passado sem as tradicionais campainhas mas com um evidente acréscimo dos níveis de responsabilidade e de pontualidade).

 

Os primeiros cinco minutos serviram para os naturais esclarecimentos e para a transmissão de sinais de tranquilidade e de direitos e deveres de cidadania. A aula decorreu bem, apesar de, aqui e acolá, se ouvirem ecos da manifestação que se prolongava. No final da aula, às dezoito horas, passei pela sala dos professores: vi faces aturdidas e tristes e constantes acenares de espanto e de negação por parte dos meus colegas. O absurdo de Santo Onofre instalava-se e começava a dar os primeiros sinais de desorientação.

 

gestão de números

28.04.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

Polícias têm de prender para cumprir números

 

"Várias esquadras do país estão a impor "números-base" de detenções a fazer até ao fim do ano. Os polícias queixam-se de que assim só trabalham para as estatísticas. A Direcção da PSP prefere falar em prevenção da criminalidade.

"Maior actividade operacional. Objectivo: 250 detenções". As instruções são claras e constam num um papel afixado na 2ª Esquadra de Investigação Criminal da PSP do Porto (Rua da Boavista). O documento, datado de Fevereiro, estabelece as metas a cumprir nos restantes dez meses do ano."

 

 

Esta coisa lembra-me tempos recentes quando os professores começaram a desmontar o monstro burocrático que era o modelo de avaliação que lhes queriam impor. E não foi nada fácil: é bom recordar que, nessa altura, as teses neoliberais venciam de modo avassalador. Mas tudo isso ruiu. Mas enquanto na pátria de Friedman se está a mudar com convicção, por aqui continua-se a usar a mesma fórmula: ou não se conhece outra cartilha ou é uma distracção que se pagará muito cara. 

Com as ideias sobre os órgãos gestão passou-se o mesmo. Os neoliberais convenceram todo o mundo que eficiência e eficácia eram sinónimo de modelo unipessoal. Tudo o que era colegial gerava desperdício e lideranças fracas; e o modernaço partido português que sustenta o actual governo português cavalgou a onda com toda a força de que foi capaz. 

Basta pensar um pouco na tragédia que se anuncia. Sistemas de gestão cada vez mais napoleónicos - gestores que alargam o seu espaço de intervenção, a exemplo dos amontoados, vulgo agrupamentos, de escolas - associados a modelos de avaliação burocráticos, e de hierarquia rígida, e exclusivos no domínio da responsabilidade individual e grupal.