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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

contributos

30.04.09

 

 

Pode ver um vídeo (1.54 minutos) enviado pela minha colega e amiga Rita Cochat.

Um contributo com referência à sua ausência física no memorável 25 de Abril de Santo Onofre associado ao lançamento do livro do enorme Paulo Guinote.

 

Ora clique.

 

 

registos

29.04.09

 

 

Numa fase em que o "correntes" comemora cinco anos de existência, não posso deixar de registar a entrada que o Ramiro Marques faz, a propósito, no seu espaço blogosférico. O Ramiro Marques tem sido fundamental nesta justa luta dos professores e todos esperamos que continue o seu imprescindível percurso.

 

Pode ler o texto no blogue dele, aqui.

frente jurídica em santo onofre

29.04.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

 

Ao que me informaram, decorre em velocidade de cruzeiro o desenvolvimento da frente jurídica de Santo Onofre. É sempre bom recordar que tudo isto se relaciona com a destituição de um Conselho Executivo eleito e com mandato até Junho de 2010.

 

Para além das questões jurídicas, importa sublinhar os factos que, na minha opinião, estão na base desta trapalhada toda: a questão do poder das escolas, como alguém muito autorizado referiu aqui, e o jeito farsante do poder central na sua relação com os projectos escolares que são assumidos com autonomia e responsabilidade.

 

Olhando para a história mais recente, e se nos recordarmos que foi em 1997 que se lançou o modelo de autonomia e gestão das escolas, podemos afirmar que se viveu um período curto, mas de cerca de sete a oito anos, de estabilidade institucional nas escolas e que possibilitou uma primeira afirmação das propaladas, e decretadas, autonomias (sabemos que o exercício autónomo e responsável exerce-se mais do que se decreta, mas enfim); e foi assim em Santo Onofre.

 

Mas a partir de 2006 tudo isso começou a ruir.

 

Façamos então um breve levantamento cronológico.

  • Até 2005 exerceram-se três mandatos consecutivos de um Conselho Executivo eleito.
  • Em 2005 é eleito um novo CE com mandato por três anos.
  • Após um ano de exercício, o mandato do CE é interrompido porque havia a necessidade de amontoar uma série de escolas que perdiam, assim e todas elas, alguma da identidade que as ajudou a caminhar. Este facto originou a pronta demissão da Assembleia de Escola numa atitude subscrita pela totalidade dos seus membros.
  • Em 2006 a DREL nomeia uma comissão provisória, liderada pela PCE agora destituída, com mandato de um ano e com a missão de instalar o amontoado que, e entretanto, é objecto de uma nova configuração.
  • Em 2007 é eleito o actual CE com mandato de três anos e até Junho 2010. Ufa que até cansa descrever esta doideira toda.
  • Mas eis que em 2008 o governo em exercício de funções, volta a entender, numa tentativa de ocupação da agenda do partido político dito à sua direita mas que se adivinha como seu parceiro no bloco central que se aproxima, que afinal não era bem assim. Volta a mudar tudo de novo, faz-se mais uma terraplanagem sobre tudo o que mexa nas escolas e interrompe-se os mandatos dos órgãos eleitos como quem vai ali e volta já.

Com a entrada em funcionamento dos novos centros escolares e com a falência do modelo neoliberal que associava a eficiência e a eficácia à gestão unipessoal - considerando que tudo o que era colegial gerava desperdício e lideranças fracas - espera-se novas e imperativas mudanças num curto espaço de tempo.

 

Mas que grande e comprovada desorientação.

protestos da comunidade das caldas da rainha

29.04.09

 

 

Declarações da Ministra da Educação motivam voto de protesto

 

Na sessão da Câmara Municipal das Caldas da Rainha realizada no passado dia 13, o Executivo votou por unanimidade um voto de protesto pelas declarações da Ministra da Educação acerca da situação do Agrupamento de Escolas de Santo Onofre, publicadas na imprensa.

O texto aprovado refere que “no dia 2 de Abril, no debate realizado na Assembleia da República, a Senhora Ministra da Educação, referindo-se à situação do Agrupamento de Escolas de Santo Onofre afirmou que ‘a comunidade local e os professores não querem tomar conta da escola nos termos em que a lei exige’”.

 

Afinal a comunidade de Santo Onofre quer a escola e não se reconhece nas palavras proferidas pela ministra da Educação em plena Assembleia da República.

a comunidade que vem

29.04.09

(encontrei esta imagem aqui

 
 
"O ser que vem é o ser qualquer. O qualquer que está aqui em causa não supõe, na verdade, a singularidade na sua indiferença em relação a uma propriedade comum (a um conceito por exemplo: o ser vermelho, francês, muçulmano), mas apenas no seu ser tal qual é. A singularidade liberta-se assim do falso dilema que obriga o conhecimento a escolher entre o carácter inefável do indivíduo e a inteligibilidade do universal. Já que o inteligível, segundo a bela expressão de Gernoside, não é um universal nem um indivíduo enquanto incluído numa série, mas a “singularidade enquanto singularidade qualquer”."
 
Giorgio Agamben em
"a comunidade
que vem".



atmosferas

29.04.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Inspecção-Geral de Educação acusada de incentivar "comportamentos denunciantes"

 

Vários meses depois de a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ter sido recebida com ovos, a Inspecção-Geral de Educação (IGE) foi ouvir os estudantes, maiores de 16 anos, da Escola Secundária de Fafe. A Associação de Pais contesta o método de interrogatório que, diz, incentiva a um "comportamento denunciante" e "é absolutamente inconcebível depois do 25 de Abril".

 

 

O que é isto? Ora leia a notícia toda e tire as suas conclusões.

 

 

Deputada Luísa Mesquita questiona legitimidade do processo

 

A deputada independente Luísa Mesquita foi uma das primeiras a corresponder ao apelo da Associação de Pais de Fafe. No dia 22 de Abril apresentou um requerimento em que solicita esclarecimentos ao Governo sobre o alegado “uso da Inspecção-Geral da Educação” (IGE) para interrogar alunos sobre a manifestação de Novembro, num processo que, escreve, traz “à memória outros instrumentos, alheios a um Estado de direito democrático”.

 

E ao ler a notícia linkada fica a conhecer mais posições sobre o referido processo.

 

Manuel Alegre: Interrogatório a alunos “é um atentado ao espírito da escola pública

 

O deputado do PS, Manuel Alegre, classificou esta noite de “ intolerável” o caso dos interrogatórios a alunos de uma escola de Fafe feitos por um inspector da Educação. O objectivo era apurar o eventual envolvimento de professores no protesto que incluiu o arremesso de ovos à ministra Maria de Lurdes Rodrigues, aquando da sua visita à Escola Secundária de Fafe, em Novembro.

 

O atentado à escola pública arrasta-se há anos a fio. Manuel Alegre denuncia a situação e acrescente alguns aspectos que devem ser lidos com toda a atenção.

como?

28.04.09

 

Manuela Ferreira Leite quer suspensão da actual avaliação

 

"A presidente do PSD defendeu hoje a suspensão do actual modelo de avaliação dos professores e a aprovação de um novo modelo de avaliação externa e sem quotas administrativas."

 

Nem quero advogar o estatuto de adivinho, mas esta trapalhada toda ainda acaba num processo inspirado num qualquer dos arquipélagos e devidamente abençoado pelo bloco central dos interesses e de outras coisas mais. Mas com requintes que pretendem projectar uma vaga neoliberal e datada mas que teima em enquadrar o presente e a projectar-se no futuro; e questiono-me: avaliação externa feita por quais privados?

rss da educação (37)

28.04.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

Mais um tropeção na linguagem?

 

"A ideia tinha potencialidades. Manuela Ferreira Leite, ao assumir-se disponível para um governo de bloco central, estava a dar uma golpada no voto útil, a aumentar a imagem de credibilidade e seriedade - o momento é difícil -, a dizer ao País que ele é mais importante do que as politiquices. Seria raro um líder candidato a primeiro-ministro fazer a avaliação das circunstâncias antes das circunstâncias. Mas poderia ser um golpe de mestre. Uma atitude inusitada para tempos inusitados. Perigosa, e por isso mesmo ainda mais atractiva."

 

 

Esta notícia pode ter muito a ver com as políticas educativas do futuro próximo e tem, na minha opinião, toda a relação com a ideia de bloco central que tem governado a Educação nos últimos anos. A seguir com toda a atenção.

 

PS usou em tempo de antena imagens de crianças com o Magalhães pedidas pelo Ministério da Educação

 

Mas o partido político que apoia o actual governo é de alguma multinacional?

 

do absurdo em santo onofre (1)

28.04.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Estava por aqui a perscrutar os meus neurónios e senti uma ligeira dor proveniente, provavelmente, de algumas sinapses que se abespinham quando são tentadas a dar passagem às informações provenientes da escola onde me orgulho de ser professor.

 

É que o ridículo e o absurdo começam a fazer o seu inexorável percurso. Tive a primeira reunião de Conselho Pedagógico após a ocupação que todos conhecemos. Não tenho um número rigoroso que resulte da soma das reuniões desse tipo em que tive oportunidade de dirigir ou participar; mas não andará longe das duzentas. Mas com a atmosfera em que decorreu a da semana passada, não tenho memória.

 

Retive o modo silente como foram apresentadas as desculpas para o acto funesto que ocorreu. Mas os indesculpáveis argumentos foram apresentados após um incisivo questionário que versou alguns aspectos essenciais.

 

  • Desde Novembro de 2008 que muito se discutiu a possibilidade de se efectivarem as ameaças relativas à destituição do Conselho Executivo eleito. Naturalmente, muitos dos supostos convidados para o acto de ocupação manifestaram-nos sempre dois argumentos para a sua peremptória não aceitação: a questão ética e a impreparação técnica para o caso em apreço.
  • Na última mudança de órgão de gestão em Santo Onofre (e que ocorreu por auto-imperativo democrático), o processo de transmissão da filosofia e dos procedimentos de gestão daquele caso singular demorou uns aturados dois a três meses.
  • Por outro lado, o percurso de Santo Onofre na justa luta dos professores foi sempre considerado muito informado e profissional e, como a história recente certifica, sufragado pelo próprio governo ao fazer as mudanças sucessivas e que são públicas.

 

O indesculpável rol argumentativo assentou no desconhecimento das várias situações. Houve um reconhecimento da impreparação ética e técnica para a situação singular que foi encontrada e aduziram-se detalhes de índole pessoal: a integral e solitária responsabilização pela acto de ocupação descrito e a necessidade do regresso, e após vários anos de exercício de funções fora da escola, a funções docentes ou equiparadas ser uma exigência de carreira que sufraga a contagem de tempo de serviço nas outras funções entretanto praticadas.

 

A reunião terminou de modo abrupto e até aí desconhecido. Ouviram-se vozes de alunos que traduziam um facto inédito mas que logo se confirmou: da varanda da sala onde a reunião decorria, podia assistir-se a uma manifestação de alunos realizada fora da escola e em defesa do Conselho Executivo destituído; era o que se lia nos cartazes.

 

Eram dezasseis horas. Peguei nas minhas coisas e dirigi-me ao bar da escola para o lanche de circunstância. Às dezasseis e trinta fui dar a minha aula de noventa minutos. Estavam os alunos todos e foram, como habitualmente, pontuais (apesar da escola funcionar desde o milénio passado sem as tradicionais campainhas mas com um evidente acréscimo dos níveis de responsabilidade e de pontualidade).

 

Os primeiros cinco minutos serviram para os naturais esclarecimentos e para a transmissão de sinais de tranquilidade e de direitos e deveres de cidadania. A aula decorreu bem, apesar de, aqui e acolá, se ouvirem ecos da manifestação que se prolongava. No final da aula, às dezoito horas, passei pela sala dos professores: vi faces aturdidas e tristes e constantes acenares de espanto e de negação por parte dos meus colegas. O absurdo de Santo Onofre instalava-se e começava a dar os primeiros sinais de desorientação.

 

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