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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

do cordão humano

08.03.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Interessa-me pouco saber se estiveram 10.000 professores no cordão humano que ontem se realizou; até podem ter estado apenas 9.999. Sei que estivemos todos: os sindicatos, os movimentos, os da web 2.0 e os professores que não se revêm em nada disso; este é o registo que se deve sublinhar.

 

Também me interessa pouco especular à volta da ideia de que alguém, que não seja do governo ou do partido que o suporta, anda a promover acções de divisão. Já nos conhecemos todos à tempo suficiente para sabermos com o que podemos contar.

 

Parece-me que o cordão humano foi mais um reacender dos espíritos; um aquecimento para os incontornáveis tempos de grande contestação que se avizinham. De uma coisa devemos estar seguros: todas as acções são importantes, mas os movimentos de rua têm um papel fundamental.

 

Importa manter o optimismo decorrente do facto de quem tem razão acaba, quase sempre, por vencer e fazer tudo o que for possível para reforçar a unidade à volta do essencial; e insistir, claro, insistir sempre. Mas sem perder a cabeça e com a ideia que a luta é longa e que os cheques-mate não nascem de momentos iluminados; são produtos da razão, da lucidez e da persistência.

 

europa

08.03.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

Recebi por email um texto que se refere às próximas eleições para o parlamento europeu. O cabeça de lista do partido político que apoia o actual governo é Vital Moreira. Sobre algumas das intervenções políticas deste conhecido professor já uma vez publiquei um texto, de Vasco Tomás, que pode ler aqui. Claro que, e a exemplo da proposta inerente ao texto que vai ler, também não votarei no partido socialista.

 

Ora leia o texto de Constantino Piçarra e tire as suas conclusões.

 

QUEM ODEIA OS PROFESSORES NÃO PODE TER O SEU VOTO
 
Vital Moreira, reputado professor de Direito da Universidade de Coimbra, foi, este fim-de-semana, no Congresso do Partido Socialista, dado a conhecer como cabeça de lista deste partido nas próximas eleições para o Parlamento Europeu.
Vital Moreira é uma personalidade com um passado e um presente político conhecido de boa parte dos portugueses.
O que, talvez, nem todos saibam é que este mestre de Direito nutre um profundo desprezo pela classe docente, só comparável ao da actual Ministra da Educação.
De facto, em 18 de Novembro de 2008, no jornal "Público", Vital Moreira faz um dos ataques mais rasteiros e mais odiosos que me foi dado ler em todo este processo de luta dos professores contra o actual sistema de avaliação.
Que diz aí Vital Moreira? Basicamente quatro coisas, a saber:
a) Que não existe qualquer razão para que os professores não sejam avaliados para efeitos de progressão na carreira;
b) Que os professores não gozam de direito de veto em relação às leis do país, nem podem auto-isentarem-se do seu cumprimento, pelo que não é aceitável qualquer posição que implique resistência à aplicação do actual modelo de avaliação;
c) Que o governo não pode ceder às exigências dos professores, devendo antes abrir processos disciplinares a todos aqueles que ponham em causa a concretização da avaliação dos docentes tal como foi congeminada pelo Ministério da Educação;
d) Que o governo, na batalha contra os professores, deve esforçar-se por chamar a si a opinião pública, isolando, desta forma, a classe docente.
Este é o pensamento de Vital Moreira, onde a sua veia caceteira surge bem expressa.
Mas, mais do que isso, este texto, publicado no "Público", revela-nos um verdadeiro guia político da acção do Ministério da Educação contra os professores.
Que cada colega não perca a memória e dê a devida resposta a este senhor nas eleições para o Parlamente Europeu, é o mínimo que está ao nosso alcance.

Constantino Piçarra