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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

e a barbárie aqui tão perto...

20.02.09

 

 

 

 

Já por aqui dei conta da luta titânica que se tem de travar para defender os interesses de uma escola da ditadura das leis do poder central e das suas ramificações.

 

Conheço imensas estórias hilariantes.

 

Nos últimos dias têm sido noticiados, por todo o lado, os contornos indizíveis do inenarrável caso do corso de carnaval dos alunos mais pequenos de uma escola de Paredes de Coura. Uns, dá ideia que querem determinar o que desconhecem; os outros, alteram uma decisão bem ponderada, espera-se, para respeitar a descomunalidade de que discordam. Uma coisa completamente desclassificada.

 

Li com perplexidade (embora esta direcção regional, e nos últimos 4 anos, já tenha mostrado à saciedade o seu modo bárbaro e desqualificado de exercer a sua já inexistente autoridade) o ofício enviado à escola pela directora Regional de Educação do Norte.

 

Confesso que não sou apreciador do carnaval. Não tenho, por isso, matéria alusiva aos festejos para publicar. Mas para não deixar o blogue em branco por estes dias, resolvi gastar uns minutos a conceber esta entrada. Escolhi uma pequena parte do referido texto. 

 

Leia e tire as suas conclusões (se conseguir perceber alguma coisa do texto, é claro).

 

 

"(...)Sendo certo que muitos professores não se aceitam, o uso dos alunos nesta atitude inaceitável, acompanharemos de muito perto a defesa do bom nome da escola, dos professores e de toda uma população que muito tem orgulhado o nosso país pela valorização que à escola tem dado. E na salvaguarda primeira das obrigações da escola - cumprir a sua missão de processos de socialização e de aprendizagem para os alunos, razão central porque definiu as actividades de Carnaval nos documentos de acção educativa.(...)"

 

coisas verdadeiramente importantes

20.02.09

 

 

Apesar da situação gravíssima que assola o país e uma grande parte do mundo (tenho ideia que há uma parte do planeta onde as oscilações das bolsas são apenas coisas de gente que finge estar muito atarefada e que se deixou aprisionar - alguns até o pediram e depois, coitados, beneficiaram com essa condição dificílima de suportar - por uma espécie de máfia internacional) há outros assuntos que merecem a nossa atenção.

 

Vou publicar uma alteração a uma das notícias que fiz questão de sublinhar noutra entrada e que se relacionava com a minha incredulidade; pensei, e continuo a fazê-lo, que tal só se justificava por estarmos a entrar no período do carnaval.

 

Ora leia.

 

 

Câmara fez dois requerimentos
Torres Vedras: Ministério Público recua e autoriza sátira ao Magalhães no Carnaval 
20.02.2009 - 15h45 Romana Borja-Santos
A sátira ao computador Magalhães, que tinha sido ontem censurada por conter “conteúdo pornográfico”, afinal vai estar presente do “Monumento” do Carnaval de Torres Vedras. O autarca Carlos Miguel pediu uma autorização para colocar uma nova imagem, igual à original, no local onde agora se lê “Conteúdo removido/censurado por ordem da senhora procuradora-adjunta da Primeira Delegação do Tribunal de Torres Vedras”. A procuradora-adjunta Cristina Anjos reconsiderou e deu luz verde.

Além de poder colocar no portátil a imagem original, a Câmara de Torres Vedras recebeu também uma resposta positiva a um outro requerimento. O socialista Carlos Miguel pediu que lhe fosse devolvido o autocolante que ontem removeu e que entregou no tribunal, por ordem dos magistrados. O objectivo é que este integre “o espólio do futuro Museu do Carnaval”. Contudo, esta autorização tem uma contrapartida: o edil terá de entregar no tribunal o autocolante da censura.(...)

outras lutas

20.02.09

 

 

 

 

 

 

Discute-se a possibilidade do casamento civil dos homossexuais. Da minha declaração de interesses, sou heterossexual, nada de substancial se deve retirar para o caso. Mas afirmo-o pela mais banal das razões: gostava de viver numa sociedade em que todos o pudessem fazer com a mesma naturalidade como eu o faço. E não tem sido assim. E é trágico que isso se continue a passar.

 

Tenho ideia que em primeiro lugar é uma questão de dignidade de cada um dos seres humanos: creio que a orientação sexual é um detalhe identitário.

 

Mas o acesso ao casamento civil por parte dos homossexuais é também uma questão de liberdade e de igualdade. O direito de constituir família com quem se entende não é, de modo nenhum, um dado desprezível. Bem pelo contrário. E se estes argumentos já eram suficientes para declarar o meu sim, convicto e inabalável à decisão, há ainda outras questões que não esqueço: lidei de perto, e ao longo da minha vida profissional, com jovens alunos que indicavam uma orientação homossexual; e assisti a fenómenos de brutal exclusão. A ideia do casamento civil de todos os que o queiram fazer ajudará também, e muito, na ultrapassagem desses colossais constrangimentos à sã convivência social. Não tenho dúvidas disso.

 

A exemplo do fim da escravatura ou do racismo, é tempo de pormos termo a mais uma etapa decisiva na luta pelos direitos cívicos.