Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

didáctica do momento

17.02.09

 


(tento escolher imagens significativas para

as minhas entradas para que os textos

fiquem menos áridos; a imagem escolhida

não obedece a qualquer suposta

analogia entre o autor do blogue

e a figura do investigador;

entenda-se, ok?)

 

 

 

 

De momento parece-me que a longa luta dos professores está mais ou menos assim:

 

na vertente política importa continuar a peleja à volta da defesa escola pública de qualidade para todos e na desconstrução das ideias inerentes à escola a tempo inteiro numa lógica do armazém indistinto espalhado pela totalidade do país;

 

na vertente técnica importa continuar a derrubar o muro que asfixia as escolas e os professores e que tem como principal mentor o monstro burocrático em que se tornou o ministério da Educação;


na vertente jurídica importa que a plataforma sindical e as outras organizações de professores dêem seguimento - e já se sabe: se não o fizerem os professores arrastam-nas - ao conjunto de informações disponíveis com destaque para o parecer elaborado pelo advogado Garcia Pereira, salientando-se a gestão das escolas, o ECD e o modelo de avaliação do desempenho.

 

E há que manter alta a maré que a luta é prolongada e dura mas a vitória da razão é quase sempre certa.

 

 

keith jarrett

17.02.09

 

Ouvi-o pela primeira vez em vinil. Foi algures nos finais da década de 70.

Conduzido pelo ouvido do meu pai, apareceu-me um álbum duplo: branco, com uma foto, em tons de cinza, do Keith Jarrett ao piano, bem no meio da capa.

Foi na loja de discos do “shopping” Brasília (imortalizado pelo Rui Veloso e pelo Carlos Tê, com a “rapariguinha do shopping”), no centro da cidade do Porto, que o meu pai o comprou.

Encomendou-o, nessa época, estes discos da ECM vinham da Alemanha Federal, salvo erro, e avisou-me: "Paulo, encomendei um álbum que vais adorar."

Premonitório. Hoje, embora tenha o vinil por aqui, bem guardado, ouço-o em cd e através do “itunes”.

É um dos álbuns da minha vida. Quanto mais o ouço mais o meu coração o soletra.

Com um piano “apenas” - dizem que estava desafinado - Keith Jarrett leva-nos ao cume. Sem pautas e improvisando durante uma hora, os sons têm uma harmonia incomparável. Lindo de morrer. Se não fosse o que está escrito, pensaríamos que o concerto foi gravado numa sala com uma ímpar acústica e não ao ar livre.

Gravado em 1975, com influências de jazz, soul e gospel, é música que nunca cansa.  Emociona-me. Tem intensos momentos de verdadeiro estremeção. Só ouvindo.

Esta publicação é uma reedição: encontrei um vídeo e resolvi partilhá-lo. Não é o original, claro. Mas ouça lá meu caro leitor: são pouco mais de nove minutos.



(o meu querido pai fazia anos a 17 de Fevereiro.
Seriam oitenta e cinco. A pensar nisso...)