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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a luta segue dentro de momentos (6)

04.02.09

 

 

A luta dos professores está concentrada, nesta altura, claro, na saga inenarrável dos objectivos individuais. Uma coisa que é tão inacreditável que dá vontade de nos beliscarmos uns aos outros para acreditarmos no estado deplorável a que isto chegou.

 

Entretanto, reabre-se uma outra frente onde se espera alguns resultados. Ora leia esta notícia do Público:

 
Organização espera mais de 180 presidentes na reunião de sábado
Mais Conselhos Executivos contestam avaliação de professores 
 
04.02.2009 - 18h54 Graça Barbosa Ribeiro
Hoje, a três dias da reunião dos Presidentes dos Conselhos Executivos (PCE) marcada para o próximo sábado, em Coimbra, já há mais 52 representantes de escolas do país inscritos do que aqueles que no início de Janeiro se encontraram em Santarém para contestarem o actual modelo de avaliação de desempenho dos professores.

“Neste momento estão inscritos 180 PCE, o que mostra que a situação nas escolas não melhorou e que aumentaram as razões para estarmos preocupados”, frisou Rosário Gama, da secundária de Coimbra Infanta D. Maria, uma das organizadoras do encontro.

Em Santarém, 139 elementos de 128 conselhos executivos de escolas e agrupamentos chegaram a discutir a possibilidade de se demitirem em bloco, mas acabaram por decidir adiar uma decisão sobre o assunto, por considerarem que assim eram “mais úteis à contestação do modelo de avaliação”. Entretanto, decidiram, tentariam fazer engrossar o movimento, para ganharem “mais capacidade reivindicativa”. 

Hoje fecharam as inscrições para o almoço, mas Rosário Gama frisou que aqueles que assim o desejarem podem participar apenas na reunião de trabalho que se lhe segue, a partir das 14h00, no auditório da Fundação Bissaya Barreto, em Bencanta, nos arredores de Coimbra.

voluntários

04.02.09

 

 

 

 

 

 

Fui recebendo emails atrás de emails com a notícia mas nem queria acreditar: só pode ser contra-informação, pensava eu. As informações diziam assim: o ministério da Educação prepara um despacho que regulará o exercício voluntário nas escolas dos professores reformados.

 

Afinal a notícia confirma-se. Parece que a proposta partiu de um grupo de professores reformados e um dos secretários de estado da Educação pegou na ideia. Enfim. Depois de tudo o que se passou, depois da própria ministra da Educação ter dito a propósito "sem rupturas não é possível mudar", depois das reformas com penalização de milhares de professores, é natural que já não exista o mais ténue laço de confiança entre as pessoas que momentaneamente governam o ministério da Educação e os professores portugueses. Portanto, uma coisa destas só pode dar lugar à chacota e à incompreensão generalizada.

 

Fica logo a sensação de ser uma decisão carregada de cinismo e de despudor.

 

Também espantosa é a paranóia centralista e regulamentadora: não é que o projecto de despacho define o número mínimo de horas do exercício voluntário e por aí adiante; e, claro, não podia faltar o relatório das actividades realizadas e a respectiva ficha de auto-avaliação. Sem emenda, esta "despachite" incontinente.