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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

culpados

05.01.09

 

 

 

 

Vi a entrevista que o actual primeiro-ministro de Portugal deu ao canal de televisão "sic generalista". Estive com uma relativa atenção e despertei quando se tratou o tema da Educação. E o entrevistado foi claro:

 

"antes desta avaliação de professores as escolas viviam em paz e tranquilidade mas os alunos abandonavam os estabelecimentos de ensino".

 

É grave, é triste, é cruel, não é rigoroso e é de uma injustiça brutal. Não é preocupante que alguém diga uma coisa dessas, pois vivemos em democracia e felizmente as pessoas são livres de dizer o que bem entendem.

 

O que é grave é um primeiro-ministro pensar uma coisa dessas com tal convicção que se acolhe no argumento de que os seus antecessores todos só não diziam o mesmo porque disfarçavam o problema. Ou seja, os outros todos eram uma espécie de cobardes que se escondiam perante as dificuldades. Agora não: agora temos um corajoso iluminado: de uma penada e lá vai o abandono escolar através da alteração do processo de avaliação dos professores.

 

Já o escrevi por diversas vezes: o actual governo acreditou que o combate às taxas de abandono escolar que nos envergonham podia ser concretizado com o recurso quase exclusivo ao trabalho dos professores. E mais: deveria avaliar-se os professores pelo sucesso nesse combate. Com isso, e com outras medidas associadas, desresponsabilizou-se o resto da sociedade na luta contra esse flagelo nacional. É desastroso e brutalmente injusto.

 

Há estudos que indicam que cerca de 60% da responsabilidade no sucesso escolar dos alunos não depende da escola. E mesmo dos 40% sobrantes, só 10% é que dependem directamente dos professsores.

 

Percebeu-se o embaraço do primeiro-ministro quando falou das questões da Educação. Dá ideia que o ponteiro da culpa começa a mudar de posição.

 

como agir?

05.01.09

 

 

 

 

Do modo como a luta dos professores está a decorrer, exige-se que ninguém queira ser avaliado por aquela coisa que o ministério da Educação inventou em tempos e que se tem metamorfoseado ao ritmo da música do percentil de imaginários eleitores. Só isso: não querer ser avaliado no presente ano lectivo.

 

Se todos agirem desse modo, em que até nem é necessário assinar qualquer papel, a única "penalização" situa-se no não acesso a um direito que existiu em tempos: a progressão na carreira.

 

Até nem é muito difícil decidir nesse sentido, já que se trata de abdicar de um direito perdido no tempo.

 

E lembrei-me do seguinte:

 

 

"(...) Suponhamos agora que começo a pensar eticamente, a ponto de reconhecer que os meus interesses, pelo simples facto de serem os meus, já não podem contar mais que os interesses alheios. Em lugar dos meus interesses, tenho agora de tomar em consideração os interesses de todas as pessoas que serão afectadas pela minha decisão. Isso exige que eu pondere todos esses interesses e adopte a acção que tenha maior probabilidade de maximizar os interesses do afectados (...)."

 

 

 

Peter Singer; Ética Prática; Gradiva 2000;

Tradução de Álvaro Augusto Fernandes;

pág. 29 

lista de compras

05.01.09

 

 

 

 

 

Recebi por email um resumo com os procedimentos a desenvolver no âmbito da avaliação do desempenho dos professores.

 

Parece que quem publicou esta análise foi o jornal diário 24 horas. Não consegui confirmar. Do modo com as coisas estão, nada impediria que no próximo ano lectivo se caminhasse no sentido do que a seguir pode ler. E no presente ano, e em muitos dos casos, poderia acontecer o mesmo, 

 

Vale a pena uma leitura.

 

 

O Presidente do Conselho Executivo/Director, avalia:
- Assiduidade
- Grau de cumprimento do serviço distribuído
- Progresso dos resultados escolares dos alunos e redução das taxas de abandono tendo em conta o contexto socio-educativo
- Participação nas actividades da escola
- Acções de formação realizadas
- Exercício de outros cargos de natureza pedagógica
- Dinamização de projectos de investigação
- Apreciação dos encarregados de educação, desde que haja concordância do docente e nos termos a definir no regulamento da escola

O Coordenador do Departamento Curricular, avalia:

A qualidade científico-pedagógica do docente com base nos seguintes parâmetros
- Preparação e organização das actividades lectivas
- Realização das actividades lectivas
- Relação Pedagógica com os alunos
- Processo de avaliação das aprendizagens dos alunos

FASES DA AVALIAÇÃO
1.ª fase
Objectivos e indicadores

- O Conselho Pedagógico da escola define os seus objectivos quanto ao progresso dos resultados escolares e redução das taxas de abandono, que são elementos de referência para a avaliação dos docentes.
- O Conselho Pedagógico da escola elabora os instrumentos de registo de informação e indicadores de medida que considere relevantes para a avaliação de desempenho.

2.ª fase
Objectivos individuais

- No início de cada ciclo de avaliação de dois anos, o professor avaliado fixa os seus objectivos individuais, por acordo com os avaliadores, tendo por referência os seguintes itens:
- Melhoria dos resultados escolares dos alunos
- Redução do abandono escolar
- Prestação de apoio à aprendizagem dos alunos incluindo aqueles com dificuldade de aprendizagem
- Participação nas estruturas de orientação educativa e dos órgãos de gestão da escola
- Relação com a comunidade;
- Formação contínua adequada ao cumprimento de um plano individual de desenvolvimento profissional do docente.
- Participação e dinamização de projectos
Nota: Na falta de acordo quanto aos objectivos prevalece a posição dos avaliadores

3.ª fase
Aulas observadas

- O coordenador de departamento curricular observa, pelo menos, três aulas do docente avaliado em cada ano escolar.
- O avaliado tem de entregar um plano de cada aula e um portfólio ou dossiê com as actividades desenvolvidas

4.ª fase
Auto-avaliação

- O professor avaliado preenche uma ficha de auto-avaliação, onde explicita o seu contributo para o cumprimento dos objectivos individuais fixados, em particular os relativos à melhoria das notas dos alunos
- Os professores têm de responder nas fichas de auto-avaliação a 13 questões (pré-escolar) e 14 questões (restantes ciclos de ensino)

5.ª fase
Fichas de Avaliação
- O presidente do conselho executivo e o coordenador do departamento curricular preenchem fichas próprias definidas pelo Ministério da Educação, nas quais são ponderados os parâmetros classificativos.
- Os avaliadores têm de preencher uma ficha com 20 itens cada, por cada professor avaliado
- O coordenador do departamento curricular preenche uma ficha com 20 itens, por cada professor avaliado
- O presidente do conselho executivo tem de preencher uma ficha com 20 itens, por cada professor avaliado
- As pontuações de cada ficha são expressas numa escala de 1 a 10.

6.ª fase
Aplicação das quotas máximas

- Em cada escola há uma comissão de coordenação da avaliação de desempenho formada pelo presidente do Conselho Pedagógico e quatro professores titulares do mesmo órgão, ao qual cabe validar as propostas de avaliação de Excelente e Muito Bom, aplicando as quotas máximas disponíveis.

7.ª fase
Entrevista individual

- Os avaliadores dão conhecimento ao avaliado da sua proposta de avaliação, a qual é apreciada de forma conjunta.

8.ª fase
Reunião Conjunta dos Avaliadores

- Os avaliadores reúnem-se para atribuição da avaliação final após análise conjunta dos factores considerados para a avaliação e auto-avaliação. Seguidamente é dado conhecimento ao avaliado da sua avaliação.

SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO
- Excelente, de 9 a 10 valores
- Muito Bom, de 8 a 8,9
- Bom, de 6,5 a 7,9
- Regular, de 5 a 6,4
- Insuficiente, de 1 a 4,9

EFEITOS DAS CLASSIFICAÇÕES
- Excelente durante dois períodos seguidos de avaliação reduz em quatro anos tempo de serviço para ser professor titular
- Excelente e Muito bom reduz em três anos tempo de serviço para ser professor titular
- Dois Muito bom reduz em dois anos tempo de serviço para ser professor titular
- Bom não altera a normal progressão na carreira
- Regular ou Insuficiente implica a não contagem do período para progressão na carreira
- Dois Insuficiente seguidos ou três intercalados implica afastamento da docência e reclassificação profissional.