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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

vamos a isso

04.01.09

 

 

 

Saímos da época natalícia de alma rejuvenescida e preparados para os gestos mais dedicados no sentido da construção da harmonia entre os homens. Anima-nos sempre um conjunto de sentimentos de fraternidade com a ideia de caminhar de mãos dadas no sentido do progresso e da prosperidade.

 

Devo confessar que registei durante a época referida, julgo que mesmo na noite de 24 de Dezembro de 2008, intervenções televisivas de um dos secretário de estado da Educação: sempre naquele jeito meio provocatório e de quem tem a razão toda do seu lado. Mas não liguei. Era altura de festejar e de estar descansado: em paz e em família. Deixei uns post programados para o período de natal e só em Janeiro regressei aos meus escritos.

 

Recomeçei com uma pequena retrospectiva que intitulei de "devassados" e acrescento-lhe agora este "vamos a isso". "Vamos a isso" é apenas a reafirmação do óbvio: a luta dos professores está aí e a hora é de regressar ao combate com todas as forças que a razão nos ilumine.

 

E um dos motes que me levou a desenhar esta entrada deste modo foi mais uma intervenção mediática de um dos secretários de estado da Educação. Como pode ler-se por aqui, o senhor em causa ameaça de novo os professores, e fá-lo do seguinte modo: "O Ministério da Educação admite recuar nas propostas que fez aos professores caso os sindicatos do sector insistam em prosseguir com as greves agendadas".

 

Em causa está a abertura exponencial de 2300 vagas para professor titular e a possibilidade da avaliação não ser considerada nesse processo. Já nem sei que diga. Voltamos ao mesmo.

 

E das duas uma:

 

ou as pessoas que compõem esta equipa que governa o ministério da Educação não têm qualquer currículo de que se possam orgulhar no seu exercício profissional no âmbito do ensino básico e secundário e por isso continuam convictas que estão cheias de razão;

 

ou o governo, agora que perdeu a bandeira do défice orçamental uma vez que os grandes negócios espalharam-se e "exigiram" a subida em flecha da dívida pública, e não tendo mais nada a que se agarrar, quer alimentar a guerra com os professores com o convencimento que isso lhe garantirá popularidade ao centro e à direita numa altura em que até a cooperação estratégica com o presidente da República parece ter chegado ao fim (aqui assiste-se a um piscar de olho à esquerda: a tensão que o governo cria com o presidente é apenas ligeira e nunca conhecerá a ruptura).

 

Seja lá o que for, não me parece que os professores se deixem abater com facilidade. Estou até convencido do contrário: este tipo de atitude provocatória acerta em cheio: vamos a isso - passo a passo, batalha a batalha - e no fim faremos as contas.