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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da certeza - escolas em luta no 6 de dezembro

07.12.08

 

 

 

 

Foi mais um sábado dedicado à longa luta dos professores portugueses. Faltámos ao período da manhã, almoçámos pelo caminho e chegámos a Leiria ao início da tarde. Encontrámos uma cidade em estado de compras de natal e tivemos dificuldade em estacionar o automóvel na zona envolvente do bem recuperado Teatro José Lúcio da Silva.


Encontrámos o grande auditório bem preenchido por professores e, ao fim de pouco tempo, detectámos uma atmosfera envolvida pela força da certeza. Nada há a fazer: os professores portugueses radicalizaram, como alguém disse, a sua posição de modo definitivo: encontraram na sua dignidade profissional, e na defesa da escola pública, um lugar permanente e seguro que alimentará a sua resistência, dê lá por onde der. É só desse radicalismo que se devem convencer os que ainda acreditam que podem vencer os professores através da encenação mediática e do seu jogo de sombras.


Tenho ouvido falar bastante da importância da opinião pública e da marcação de agendas mediáticas. Não desprezo esse lado do jogo.


É bom que se repita até à exaustão o seguinte: um governo com maioria na Assembleia da República, beneficiando de uma cooperação estratégica com o presidente da República, com a opinião pública toda do seu lado e ainda com o beneplácito da maioria da população começa por humilhar os professores na sua imagem pública para depois fazer o que se sabe.


Três anos depois, não posso deixar de sorrir, e de exaltar o enorme orgulho que me invade a alma, quando olho para a actualidade: os professores portugueses, que partiram de modo muito corajoso para esta luta fazendo dos seus 140 mil a sua opinião pública, conseguem o que se está a observar: já nem o partido socialista consegue esconder as divisões que se verificam no seu imenso (pantanoso? como alguém disse) seio, grande parte dos fazedores de opinião mudaram de lado e a diabólica equipa que ainda governa o ministério da Educação está aos papéis e em acentuado processo de descredibilização junto dos mais variados sectores da sociedade. É um momento belo. Daqui por uns anos teremos muito orgulho nesta lição de democracia e de civismo que estamos a dar ao país. Os nossos adversários, os estruturais e os circunstanciais, podem estar seguros do seguinte: não voltaremos atrás.


Nesta altura do longo processo, sublinho algumas questões:


  • não concordo com a ideia de que a plataforma sindical esteja a representar uma espécie de entendimento II; a ideia de aceitar uma negociação totalmente aberta para 15 de Dezembro associada ao cancelamento das greves regionais é inteligente, no que ao jogo mediático diz respeito, e deixou o governo ainda mais desorientado;
  • o papel que ontem, e hoje, foi atribuído a um dos secretários de estado do ministério da Educação nem merece referências especiais: parece coisa de incendiário e do tipo vale tudo e mais qualquer coisa;
  • os movimentos que promoveram o encontro de hoje, APEDE e MUP, continuam vivos e de boa saúde; as suas direcções são voluntárias e exercidas em completo prejuízo dos seus tempos livres e das suas vidas pessoais e familiares: fazem o que podem e neste processo desempenharam, e desempenham, um papel fulcral: obrigaram à antecipação das acções de luta dando voz à saturação dos professores e devem continuar a sua acção até ao momento em que entendam necessário;
  • a luta deve continuar no local fundamental: dentro de cada uma das escolas. Desde logo, pela recusa da proposição inicial do modelo de avaliação de desempenho: a entrega de um qualquer número de objectivos individuais.



Com o devido agradecimento ao Ramiro Marques, do blogue Profavaliação,

publico as principais tomadas de posição da revigorante reunião de 6 de Dezembro de 2008:


 
1. Realização de uma manifestação nacional, em frente ao Palácio de Belém, no dia 19/1/09, o dia da próxima greve nacional. 
2. Criação de um fundo nacional com as verbas necessárias para pagar a um bom escritório de advogados, tendo em vista mover uma acção, nos tribunais portugueses e europeus, pela impugnação do 1º concurso para professores titulares
3. Criação de um estrutura de coordenação nacional de escolas em luta para orientar e acompanhar os processos de resistência interna. 
4. Estabelecer pontes que promovam o diálogo com os pais e encarregados de educação com o objectivo de lhes explicar as razões da luta dos professores. Urge distribuir comunicados aos pais que esclareçam os motivos por que os professores estão em luta.
5. Associar a luta pela suspensão do modelo burocrático de avaliação à revisão do ECD. Acentuar que a questão principal é acabar com a divisão da profissão em duas categorias.
6. Organizar o envio de cartas ao ME e aos órgãos de comunicação social com as razões da luta dos professores. Objectivo é levar cada professor a enviar, pelo correio, pelo menos duas cartas: uma para o ME e outra para um jornal nacional.
7. Fazer publicar nos maiores jornais nacionais uma página inteira de publicidade paga onde se apontem as razões da luta dos professores.
8. Fazer parar os procedimentos de avaliação burocrática de desempenho em todas as escolas do país. A primeira coisa a fazer é não entregar os objectivos individuais.

E agora vou dormir para amanhã dar início ao "reduzido fim-de-semana prolongado".

Bem hajam colegas.