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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

raúl ruiz e proust

30.12.08

 

Sei que foi no Nimas numa sessão do início da tarde: a sala estava quase vazia, a exemplo da capital, e estávamos em Agosto: tempo quente e tudo muito calmo e sereno.

O meu fascínio pela obra literária de Marcel Proust leva-me a estas coisas: fico muito entusiasmado sempre que alguém se atreve a levar ao cinema um dos volume de "Em busca do tempo perdido" - a obra toda seria impensável -, e não resisto.

Raúl Ruiz (sim, com acento no u como se usa no Chile, mas também podia ser o afrancesado Raoul que ele não se importava), um chileno que vive em França e que é um dos realizadores preferidos do produtor Paulo Branco, levou à cena "o tempo redescoberto".

Um filme longo e que, pareceu-me, foi realizado a pensar nos apaixonados pela obra literária, onde se incluem o realizador e o produtor. Que seja. Foram umas horas fascinado pela atmosfera criada por Raúl Ruiz.

Encontrei um vídeo que retrata, em cerca de cinco minutos, meu caro leitor, o ambiente que deve ter inspirado uma boa parte do genial romance de Marcel Proust.
 
Ora clique. (Reedição. 1ª edição em 16 de Dezembro de 2007)
 

 

actualidade

28.12.08

 



 

 

Resisti, durante anos, a publicar os textos que esta fantástica rede me fazia chegar.

 

Em primeiro lugar, porque essa decisão obrigava-me a escrever: e isso, foi, e é, a principal ideia que orientou a criação deste meu blogue. Tenho a consciência que a escrita exige-me a arrumação das ideias e melhora a credibilidade que dou ao meu discurso interno.

 

Em segundo lugar, presumo que as pessoas que passam por aqui acabam por também receber a informação que o email nos vai proporcionando.


E confesso-o: aprecio mais o que me é dado ler do que aquilo que possa escrever. E tenho lido textos muito interessantes: bem escritos e com argumentos muito sustentados.


A época que vivemos, a sociedade da informação e do conhecimento, tem contornos completamente surpreendentes e inauditos: a informação circula de modo estonteante e provoca acontecimentos sociais imprevisíveis.


Já recebi diversos textos de Baptista-Bastos, um escritor português que também publica crónicas em órgãos de comunicação social, que me escapam: quer de modo impresso quer na internet.

 

Considero que, por vezes, os seus textos são excessivos e um pouco na linha pessimista de Vasco Pulido Valente (claro, numa geometria política oposta). Mas mantém uma grande coerência e uma argumentação que se sustenta na evolução da realidade (mesmo que se considere pertinente a questão à volta do conceito de realidade).


E hoje voltei a receber uma crónica de Baptista-Bastos. E vou publicá-la. Porque está muito bem escrita, como sempre, e porque tem matéria que merece uma atenta reflexão: concorde-se ou não com os argumentos.


Ora leia.


 
"Há dias, Joaquim Aguiar disse, na SIC, que José Sócrates não está preparado para a governação do País. Afirmação contundente, vinda de um conselheiro de Presidentes e de primeiros-ministros. O dr. Cavaco também o não estava, e dirigiu a nação durante uma longa e penosa década. Sabe-se que teve nas mãos rios de dinheiro, que trocou prioridades e atribuiu ao betão uma importância superlativa. A maioria absoluta de que dispôs colocou o português comum em estado de crispação. E a soberba dos seus áulicos recriou o espírito de obediência servil, marca d'água do salazarismo. Estamos, actualmente, na mesma situação. Quem não está de acordo, fora da carroça.

Cavaco, como Sócrates, entendia, difusamente, os princípios fundamentais da democracia, que se não limitam a questões de estatística. A democracia exige uma cultura democrática, e a identidade dessa cultura baseia-se na conciliação do respeito mútuo com a dimensão colectiva. Ambos, homens tensos, hirtos, de temperamento autoritário, desprezam a manifestação, a rua, o ardor do protesto que associam duas injunções aparentemente contraditórias: a igualdade de tratamento e diferencia- ção. [É curioso que o dr. Cavaco tenha designado o 10 de Junho por Dia da Raça, terminologia oficial do salazarismo. Raça? Que raça?].

Até hoje, não tivemos dirigentes à altura das expectativas dos portugueses. As crises, acumuladas umas nas outras, atingiram um estádio insuportável. A agitação social dos últimos meses não culmina com a questão dos combustíveis e a revolta dos camionistas. E estabelece uma relação de continuidade, cujas origens estão no desfasamento de quem dirige com a realidade circundante, e na recusa obstinada em selar um novo pacto social, que não coloque no limbo o mundo do trabalho. Pescadores parados, milhares de camiões estacionados, duzentas mil pessoas em desfile protestatário, a Igreja a dar inequívocos sinais de incomodidade, através de declarações veementes de D. Manuel Clemente e de D. Manuel Martins, pronunciamentos políticos de diversos sectores - eis a representação de uma sociedade perturbada.

Sócrates não conseguiu dar resposta aos problemas mais rudimentares. Um homem novo, incapaz de proceder à evicção do que é antigo, cediço, bafiento, praticante da cartilha de Milton Friedman, experimentada no Chile de Pinochet e um pouco por todo o mundo - com sangrentos rastos de miséria, morte e desespero. Não tenhamos receio das analogias. A História é uma comparação permanente. E aqueles que a não conhecem estão condenados a repeti-la.

Aparece, agora, como "novidade", a candidata do PSD, cujo catecismo político pertence às regras e aos mandamentos dos Chicago Boys. Com perdão da palavra, assistimos à reincarnação do irracional". 

 

 

Baptista-Bastos.

 

(reedição. 1ª edição em 15 de Junho de 2008)

estatuto do aluno

27.12.08

 


 

Saiu da agenda mediática mas merece uma continuada reflexão.

O estatuto do aluno teve, em tempo recente, uma vulgar e cíclica visibilidade. Envolveu, em discussão, as mais diversas autoridades. Repetiram-se os mais variados e conhecidos argumentos.

Quem lida com o estatuto do aluno, todos os dias e durante anos, não consegue olhar para o espectáculo mediático sem sorrir: é que a formulação do problema é muito simples: Portugal, e muito bem, massificou - não democratizou, ai isso não, mas não cabe agora essa discussão - a escolaridade básica, conferindo-lhe um necessário estatuto de inclusão - cabem todos - mas exigindo-lhe, em simultâneo, objectivos de exclusão - promoção do mérito e da excelência -.

Sabe-se que esta combinação é exigente e quase paradoxal e que a sua solução requer tempo, determinação, convicção e crença na ideia de serviço público: e não permite que se vacile.
 

(Reedição. 1ª edição em 29 de Novembro de 2006)

 

dança

26.12.08

 

 
Este espaço aproveita a possibilidade de programar a publicação dos posts para datas mais avançadas.

Recebi um vídeo no denominado "dia do deficiente". São cinco belos minutos.
 
Ora clique.


 

 

do natal

25.12.08

 

 

 

 

Natal de 1971


Natal de quê? De quem?

Daqueles que o não têm?

Dos que não são cristãos?

Ou de quem traz às costas

As cinzas de milhões?

Natal de paz agora

Nesta terra de sangue?

Natal de liberdade

Num mundo de oprimidos?

Natal de uma justiça

Roubada sempre a todos?

Natal de ser-se igual

Em ser-se concebido,

Em de um ventre nascer-se,

Em por de amor sofrer-se,

Em de morte morrer-se,

E de ser-se esquecido?

Natal de caridade,

Quando a fome ainda mata?

Natal de qual esperança

Num mundo todo bombas?

Natal de honesta fé,

Com gente que é traição,

Vil ódio, mesquinhez,

E até Natal de amor?

Natal de quê? De quem?

Daqueles que o não têm?

Ou dos que olhando ao longe

Sonham de humana vida

Um mundo que não há?

Ou dos que se torturam

E torturados são

Na crença de que os homens

Devem estender-se a mão?

 

 

Jorge de Sena, Exorcismos (do blogue ponto de cruz)

som

23.12.08

 

 

Recebi via email a referência a um vídeo muito interessante. Penso que vale mesmo a pena fazer a experiência.

 

Pegue nuns headphones e coloque-os.

 

Aumente um pouco o volume.

 

Clique no vídeo.

 

 

 

boas festas e um feliz 2009

21.12.08

 

 

É o terceiro ano consecutivo que recorro a esta forma de significar aos meus amigos e amigas os desejos de boas festas e de um feliz 2009.

 

É certo que responderei aos mails e sms que me chegarem, mas não terei a iniciativa de usar esse modo de festejar a nossa existência e de exprimir uma reconhecida amizade: ou seja, vou informar as pessoas da minha lista de emails da existência deste post e com essa atitude remeto-me para uma poupança de correspondência.

 

Bem sei que os amigos e amigas são especiais e que mereciam uma relação mais individualizada. Mas sabem que procuro fazê-lo no quotidiano e sei que cada uma dessas preciosidades se sentirá por aqui em modo exclusivo. 

 

Foi um ano em cheio em termos pessoais. São muito poucas as lembranças desagradáveis. Assim de repente, só a doença súbita de um dos amigos mais chegados é que me traz uma recordação mais sofrida. Mas já melhorou.

 

Em termos profissionais já não posso dizer o mesmo. A luta dos professores consumiu muito do meu tempo e nesta altura do ano leio estudos que indicam um forte e generalizado afastamento dos professores portugueses da sua profissão. E isso deixa-me muito triste. Como me entristece os maus tratos a que tem estado sujeita a escola pública portuguesa. E o mais grave é que todos esses desmandos saíram da vontade do partido político onde se situa o meu ideário ideológico: o partido socialista.

 

Mas não podemos perder a esperança. Seria um pouco arrogante dizer-se que os professores venceram em toda a linha: aqui, que ninguém nos ouve, até o podemos fazer com o orgulho estampado no rosto e com a certeza de que até sabemos alguma coisa daquilo que falamos. Mas há ainda um longo caminho a percorrer.

 

O ano virará e voltarei cheio de esperança em dias melhores.

 

Fui à procura de um vídeo de natal que absorvesse estes estados de alma e que se relacionasse com os natais da minha infância e adolescência.

 

E é isso que vos dedico: um vídeo filmado em New Orleans (cidade que se levanta depois de uma mais do que cruel tempestade), com sons do músico favorito do meu pai, Louis Armstrong (e deste modo celebro também a histórica vitória de Obama), numa composição de 3 miniutos alusiva à época natalícia e numa imagem parecida com a que retenho das épocas que vos falei: partilho convosco as memórias de alguns dos meus natais e desejo-vos que façam deste e dos que se seguirem momentos tão belos como aqueles que vivi. Farei o mesmo com os meus.

 

Para todos os que casualmente passarem por aqui e que eu não tenha o privilégio de conhecer, ficam a saber: quem vive de boa fé é sempre destinatário deste tipo de mensagens.

 

Ora clique.

 

 

 

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