feliz 2009
E que tal esta generosa proposta para 2009?
Tem 4.29 minutos mas vale a pena ir até ao fim. A mensagem é muito interessante.
Ora clique.
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E que tal esta generosa proposta para 2009?
Tem 4.29 minutos mas vale a pena ir até ao fim. A mensagem é muito interessante.
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Resisti, durante anos, a publicar os textos que esta fantástica rede me fazia chegar.
Em primeiro lugar, porque essa decisão obrigava-me a escrever: e isso, foi, e é, a principal ideia que orientou a criação deste meu blogue. Tenho a consciência que a escrita exige-me a arrumação das ideias e melhora a credibilidade que dou ao meu discurso interno.
Em segundo lugar, presumo que as pessoas que passam por aqui acabam por também receber a informação que o email nos vai proporcionando.
E confesso-o: aprecio mais o que me é dado ler do que aquilo que possa escrever. E tenho lido textos muito interessantes: bem escritos e com argumentos muito sustentados.
A época que vivemos, a sociedade da informação e do conhecimento, tem contornos completamente surpreendentes e inauditos: a informação circula de modo estonteante e provoca acontecimentos sociais imprevisíveis.
Já recebi diversos textos de Baptista-Bastos, um escritor português que também publica crónicas em órgãos de comunicação social, que me escapam: quer de modo impresso quer na internet.
Considero que, por vezes, os seus textos são excessivos e um pouco na linha pessimista de Vasco Pulido Valente (claro, numa geometria política oposta). Mas mantém uma grande coerência e uma argumentação que se sustenta na evolução da realidade (mesmo que se considere pertinente a questão à volta do conceito de realidade).
E hoje voltei a receber uma crónica de Baptista-Bastos. E vou publicá-la. Porque está muito bem escrita, como sempre, e porque tem matéria que merece uma atenta reflexão: concorde-se ou não com os argumentos.
Ora leia.
"Há dias, Joaquim Aguiar disse, na SIC, que José Sócrates não está preparado para a governação do País. Afirmação contundente, vinda de um conselheiro de Presidentes e de primeiros-ministros. O dr. Cavaco também o não estava, e dirigiu a nação durante uma longa e penosa década. Sabe-se que teve nas mãos rios de dinheiro, que trocou prioridades e atribuiu ao betão uma importância superlativa. A maioria absoluta de que dispôs colocou o português comum em estado de crispação. E a soberba dos seus áulicos recriou o espírito de obediência servil, marca d'água do salazarismo. Estamos, actualmente, na mesma situação. Quem não está de acordo, fora da carroça.
Cavaco, como Sócrates, entendia, difusamente, os princípios fundamentais da democracia, que se não limitam a questões de estatística. A democracia exige uma cultura democrática, e a identidade dessa cultura baseia-se na conciliação do respeito mútuo com a dimensão colectiva. Ambos, homens tensos, hirtos, de temperamento autoritário, desprezam a manifestação, a rua, o ardor do protesto que associam duas injunções aparentemente contraditórias: a igualdade de tratamento e diferencia- ção. [É curioso que o dr. Cavaco tenha designado o 10 de Junho por Dia da Raça, terminologia oficial do salazarismo. Raça? Que raça?].
Até hoje, não tivemos dirigentes à altura das expectativas dos portugueses. As crises, acumuladas umas nas outras, atingiram um estádio insuportável. A agitação social dos últimos meses não culmina com a questão dos combustíveis e a revolta dos camionistas. E estabelece uma relação de continuidade, cujas origens estão no desfasamento de quem dirige com a realidade circundante, e na recusa obstinada em selar um novo pacto social, que não coloque no limbo o mundo do trabalho. Pescadores parados, milhares de camiões estacionados, duzentas mil pessoas em desfile protestatário, a Igreja a dar inequívocos sinais de incomodidade, através de declarações veementes de D. Manuel Clemente e de D. Manuel Martins, pronunciamentos políticos de diversos sectores - eis a representação de uma sociedade perturbada.
Sócrates não conseguiu dar resposta aos problemas mais rudimentares. Um homem novo, incapaz de proceder à evicção do que é antigo, cediço, bafiento, praticante da cartilha de Milton Friedman, experimentada no Chile de Pinochet e um pouco por todo o mundo - com sangrentos rastos de miséria, morte e desespero. Não tenhamos receio das analogias. A História é uma comparação permanente. E aqueles que a não conhecem estão condenados a repeti-la.
Aparece, agora, como "novidade", a candidata do PSD, cujo catecismo político pertence às regras e aos mandamentos dos Chicago Boys. Com perdão da palavra, assistimos à reincarnação do irracional".
Baptista-Bastos.
(reedição. 1ª edição em 15 de Junho de 2008)
Natal de 1971 Natal de quê? De quem? Daqueles que o não têm? Dos que não são cristãos? Ou de quem traz às costas As cinzas de milhões? Natal de paz agora Nesta terra de sangue? Natal de liberdade Num mundo de oprimidos? Natal de uma justiça Roubada sempre a todos? Natal de ser-se igual Em ser-se concebido, Em de um ventre nascer-se, Em por de amor sofrer-se, Em de morte morrer-se, E de ser-se esquecido? Natal de caridade, Quando a fome ainda mata? Natal de qual esperança Num mundo todo bombas? Natal de honesta fé, Com gente que é traição, Vil ódio, mesquinhez, E até Natal de amor? Natal de quê? De quem? Daqueles que o não têm? Ou dos que olhando ao longe Sonham de humana vida Um mundo que não há? Ou dos que se torturam E torturados são Na crença de que os homens Devem estender-se a mão? Jorge de Sena, Exorcismos (do blogue ponto de cruz)
Recebi via email a referência a um vídeo muito interessante. Penso que vale mesmo a pena fazer a experiência.
Pegue nuns headphones e coloque-os.
Aumente um pouco o volume.
Clique no vídeo.
É o terceiro ano consecutivo que recorro a esta forma de significar aos meus amigos e amigas os desejos de boas festas e de um feliz 2009.
É certo que responderei aos mails e sms que me chegarem, mas não terei a iniciativa de usar esse modo de festejar a nossa existência e de exprimir uma reconhecida amizade: ou seja, vou informar as pessoas da minha lista de emails da existência deste post e com essa atitude remeto-me para uma poupança de correspondência.
Bem sei que os amigos e amigas são especiais e que mereciam uma relação mais individualizada. Mas sabem que procuro fazê-lo no quotidiano e sei que cada uma dessas preciosidades se sentirá por aqui em modo exclusivo.
Foi um ano em cheio em termos pessoais. São muito poucas as lembranças desagradáveis. Assim de repente, só a doença súbita de um dos amigos mais chegados é que me traz uma recordação mais sofrida. Mas já melhorou.
Em termos profissionais já não posso dizer o mesmo. A luta dos professores consumiu muito do meu tempo e nesta altura do ano leio estudos que indicam um forte e generalizado afastamento dos professores portugueses da sua profissão. E isso deixa-me muito triste. Como me entristece os maus tratos a que tem estado sujeita a escola pública portuguesa. E o mais grave é que todos esses desmandos saíram da vontade do partido político onde se situa o meu ideário ideológico: o partido socialista.
Mas não podemos perder a esperança. Seria um pouco arrogante dizer-se que os professores venceram em toda a linha: aqui, que ninguém nos ouve, até o podemos fazer com o orgulho estampado no rosto e com a certeza de que até sabemos alguma coisa daquilo que falamos. Mas há ainda um longo caminho a percorrer.
O ano virará e voltarei cheio de esperança em dias melhores.
Fui à procura de um vídeo de natal que absorvesse estes estados de alma e que se relacionasse com os natais da minha infância e adolescência.
E é isso que vos dedico: um vídeo filmado em New Orleans (cidade que se levanta depois de uma mais do que cruel tempestade), com sons do músico favorito do meu pai, Louis Armstrong (e deste modo celebro também a histórica vitória de Obama), numa composição de 3 miniutos alusiva à época natalícia e numa imagem parecida com a que retenho das épocas que vos falei: partilho convosco as memórias de alguns dos meus natais e desejo-vos que façam deste e dos que se seguirem momentos tão belos como aqueles que vivi. Farei o mesmo com os meus.
Para todos os que casualmente passarem por aqui e que eu não tenha o privilégio de conhecer, ficam a saber: quem vive de boa fé é sempre destinatário deste tipo de mensagens.
Ora clique.
Mais um desenho do genial Antero.

Das teclas de Desidério Murcho, o jornal Público de hoje tem uma crónica que toca no osso de alguns dos problemas relacionados com a avaliação dos professores.
Ora leia:

Encontrei um belo vídeo com menos de 3 minutos que pode merecer a sua atenção. Fiquei com duas interrogações: miragem ou retrato da realidade?
Qualquer que seja a sua impressão depois do visionamento do pequeno filme, tenho a certeza que não deixará de o considerar interessante.
Ora clique.
(Já se sabe: um post vai ficando para baixo e já ninguém lhe pega: aparecem, por vezes, alguns comentários e pouco mais do que isso. Mas nesta entrada sobre a escola pública, estabeleceu-se uma discussão nos comentários que pode merecer a sua atenção e até uma participação no interessante debate que se gerou.)
Depois de quase um mês sem publicações (a última tinha sido "é o ensino estúpida" a 11 de Novembro de 2008) José Luiz Sarmento regressa.
Escreve uma prosa que intitulou de "Escola Pública ou Escola Republicana?".
Ora leia:
"Foi com enorme satisfação que vi, nas manifestações e nas greves dos professores, a profusão de cartazes reivindicando a defesa da Escola Pública. E foi com igual satisfação que vi alguns analistas políticos mais perspicazes começarem a aperceber-se que o conflito entre os professores e o Ministério é cada vez menos de ordem laboral e cada vez mais de ordem política.
Nos próximos meses assistiremos a negociações entre o Ministério e os Sindicatos. O que vai estar em cima da mesa vai ser o Estatuto da Carreira Docente, o Modelo de Avaliação e mais um ou outro afloramento do iceberg que calhe estar na ordem do dia. Sobre estes assuntos, cada uma das partes fará muitas cedências, poucas cedências ou nenhumas cedências conforme o poder negocial que tenha na altura. Nada disto é importante.
O que não estará em cima da mesa é a parte submersa do iceberg. E os professores sabem disso. E porque os professores sabem disso, tanto o Ministério, como os sindicatos estão em pânico. Sentados à volta da mesa, não se ouvirão uns aos outros: terão os ouvidos apurados só para os primeiros sinais de que o Comendador de Pedra se prepara para entrar na sala.
Os gatos saíram do saco e ninguém os vai conseguir meter lá outra vez. Os professores portugueses politizaram-se e ninguém os vai despolitizar. Perceberam que estão frente a frente duas concepções de escolas incompatíveis nos seus pressupostos, na sua concepção do humano e acima de tudo nos interesses que servem. De um lado, aquilo que apareceu referido nos cartazes como a Escola Pública e a que os nossos colegas franceses chamam, talvez com mais propriedade, a Escola Republicana, que se define pelo acesso de todos ao melhor que a nossa civilização oferece. Do outro lado, o inimigo: a escola tecno-burocrata, para a qual não há «civilizações», mas sim «economias», e cujo projecto consiste em ensinar uma pequena elite económica, ficando reservado a todos os outros aquilo a que Maria de Lurdes Rodrigues chama «qualificação».
A luta entre os professores o Ministério da Educação é um conflito de culturas e civilizações. Se permitirmos que o Ministério vença, os nossos netos serão selvagens."
No blogue a Educação do meu Umbigo, aqui, de Paulo Guinote, o autor argumenta no sentido de desmontar uma coisa que o ministério da Educação pôs a circular em que estabelece um prazo de 5 dias para se aplicar o modelo reduzido da avaliação do desempenho dos professores.
"Acerca do prazo de 5 dias , aparentemente afirmado pelo ME para aplicar o simplex da avaliação nas escolas, recebi dois mails com elementos informativos interessantes para contextualizar a situação e desapressar alguém mais assustadiço. O autor não pretende ser identificado, mas autorizou-me a transcrição da parte nuclear dos ditos mails: 1. Um decreto regulamentar tem de ser promulgado pelo Presidente. (O Presidente até pode ser sensibilizado para não o fazer com bons argumentos - insuficiente discussão com sindicatos, conflitualidade não resolvida e acima de tudo a tendência para o remendo legislativo e necessidade de coerência, isto é, “há uns tempos para o governo era de uma maneira e aprovei e agora já querem doutra?”). E este já é o segundo remendo. Que aprovasse o 1º sistema por cooperação estratégica até poderia fazer sentido. Agora coopera com os remendos com base em que teoria? 2. Mesmo que o PR aprove e promulgue a coisa ainda há prazos a considerar. No limite podem passar 40 a 45 dias. O PR tem 40 dias para promulgar o DR. Em média demora 20.O DR 11/2008 foi por exemplo aprovado pelo Governo a 24 de Abril, promulgado a 9 de Maio, referendado a 12 de Maio (pelo PM que é o notário privativo do PR e assim reconhece a assinatura) e publicado a 23 de Maio. Entrou em vigor a 24 de Maio. Isto é um mês depois. 3. Em Portugal só se podem cumprir DR publicados e em vigor (a net da DGRHE não chega e neste caso só prejudica os professores seguir esse caminho). Se alguém praticar actos antes do DR estar publicado devem ser impugnados (para começo administrativamente; ex: requerimento a contestar). 4. Assim para o DR ser cumprível, se se seguir a cadência do 11/2008, só daqui a um mês (15 de Janeiro) começam a contar os prazos que o SE refere. 5. Se o PR andar mais depressa está a dar sinal de favorecimento ao Governo. O silêncio já cansa mas esse sinal não devia ficar em silêncio e ser ruidosamente referido. Podia ser que acordasse. Perante isto eu inquiri se, sendo um Decreto Regulamentar da responsabilidade do Governo, os trâmites são os mesmos. Eis parte da resposta, que explica em termos técnicos aquilo que várias vezes tentei demonstrar em prosa de leigo na matéria: Um Decreto regulamentar é do Governo (vide alínea 4 do art. 136 da Constituição). Não vai à Assembleia da República até porque objectivamente nem é uma lei (é um regulamento). Portugal é um país engraçado em termos de organização do poder legislativo: Há leis (Leis da AR, DL do Governo e Decretos Legislativos Regionais). Que só são essas. Tudo o resto não é legislação (como às vezes se houve erradamente dizer nas escolas). As Leis da AR podem ser sobre qualquer matéria mas há assuntos (Reserva absoluta e relativa de Lei) que só podem ser regulados em lei pela Assembleia ou que o Governo só pode legislar se for autorizado. O Governo tem uma reserva de decreto-lei para a sua lei orgânica que só ele pode fazer. Pode fazer decretos lei sobre tudo salvo o que for de reserva do parlamento em que não pode legislar. As leis sobre direitos fundamentais são por exemplo de reserva absoluta (porque os nossos constituintes, e tive a honra de trabalhar com um alguns anos, eram gente sensata e queriam limitar o poder legislativo do Governo a matérias que não afectassem as matérias essenciais). Depois há regulamentos que são subordinados às leis. Houve um teórico do Direito chamado Kelsen que explicou esta ideia da subordinação das normas muito bem com a ideia da pirâmide normativa: No topo a Constituição Kelsen foi um dos inspiradores das teorias do nosso actual direitopúblico constitucional. Acima da Constituição ainda falava dos princípios supra-normativos. Esse conceito foi o que permitiu julgar a malta de Nuremberga que se defendia dizendo que os seus actos eram legais face às leis alemãs. Foram todos condenados. A ideia dos princípios supra-normativos que está acolhida na nossa constituição serviu para levantar o problema de um Direito acima das leis que impede violações de DH e penaliza crimes contra a humanidade. Escrevo este arrazoado para lhe salientar uma ideia: a avaliação é um decreto regulamentar que está subordinada a uma lei (palpite lá, qual é a leizinha) e a princípios de outra (lei de bases que é uma lei de valor reforçado… sossegue que não vou arrazoar sobre isso….) Adivinhou claro qual é a lei subordinante imediata:o ECD…. Daí que a luta da avaliação seja só um degrau até na abordagem jurídica da coisa."
A seguir as Leis
Depois os regulamentos
Depois os actos paranormativos (vulgo despachos).
Barack Obama assume a presidência dos Estados Unidos da América a 20 de Janeiro de 2008. Já por aqui dei conta da emoção que senti com a eleição de Obama: passei umas madrugadas a assistir aos debates da campanha eleitoral e na noite histórica fiquei acordado até que a aurora me trouxesse a confirmação da boa nova. Foi o lado do sonho e do reencontro com a história que mais me interessou. Emocionei-me muito com o seu discurso de vitória.
Sei que agora o caminho é árduo. Leio, e li, e em diversos sítios, sinais de alguma desconfiança com as capacidades de Obama. Devo confessar, e como não acredito em milagres, que reforço o meu entusiasmo com o que vou assistindo, nomeadamente com a constituição da sua equipa: não esqueçamos que nessa expressão da capacidade de mobilização de Obama se inclui Hillary Clinton.
Mas o contraditório é um exercício fundamental e existem especialistas que não partilham do meu entusiasmo.
Encontrei no blogue de João Bonifácio Serra, aqui, professor e historiador e que foi chefe da casa civil do presidente Jorge Sampaio, um texto seu que pode ajudar o debate.
Ora leia:
"Confessando-se "viúvo de Hillary Clinton", Medeiros Ferreira desvaloriza os méritos do candidato Barack Obama, cuja campanha pouco mais foi do que o entoar de "Yes, we can". Ele foi levado em ombros pelo mito do "melting pot", o mito da sociedade multi-racial. JMF recorda outros mitos americanos que se afirmaram em momentos críticos: o mito das "novas fronteiras", com John Kennedy (perante o avanço da União Soviética na conquista do espaço), o mito da "liberdade de imprensa"(contra Nixon, perante a retirada do Vietname). O mito do "melting pot" firmou-se num altura em que os EUA enfrentavam um crescente isolamento internacional. Mas o mais (do pouco mais do que "Yes we can") não é irrelevante. A campanha interna de Obama apoiou-se na crítica ao processo de tomada de decisões de Washington, retomando uma velha questão da política americana, das relações entre a União e os Estados Federados. JMF não tem dúvidas em elogiar o grande profissional que Obama se mostrou em campanha e os méritos das escolhas que fez para o seu governo, sem dúvidas gente muito competente e do mais alto gabarito académico. As duas tarefas que tem pela frente: sair do Iraque e impedir a efectivação de uma coligação antagónica de grande potências, na frente externa; na frente interna, relançar a economia e recuperar o emprego. A segunda está certamente ligada também à primeira, uma vez que para JMF o que está na origem da crise financeira americana é fundamentalmente a guerra do Iraque. Mas quanto à estratégia para recuperar a economia e reduzir o desemprego, o caminho está traçado - o Presidente que tem estado a falar bem podia chamar-se Roosevelt. De qualquer forma, não o esqueçamos, Obama tem de recriar uma unidade interna, hoje abalada, e o êxito desse esforço depende muito da capacidade de forjar uma nova plataforma política entre os Estados e a União. Esta a muito breve síntese da conferência que José Medeiros Ferreira proferiu ontem na Casa dos Patudos, integrada na 3ª edição dos Serões Culturais da Casa dos Patudos. Com a ironia, a riqueza informativa e a modulação analítica a que nos habituou."
Chegou-me via email o seguinte: "dos Jesuítas...só podia ser. Grande Santo Inácio de Loyola."
Ora leia:
“Nada deve ser mais importante nem mais desejável (…) do que preservar a boa disposição dos professores (…). É nisso que reside o maior segredo do bom funcionamento das escolas (…).”
“Com amargura de espírito, os professores não poderão prestar um bom serviço, nem responder convenientemente às [suas] obrigações.”
Recomenda-se a todos os professores um dia de repouso semanal: “A solicitude por parte dos superiores anima muito os súbditos e reconforta-os no trabalho.”
“Quando um professor desempenha o seu ministério com zelo e diligência, não seja esse o pretexto para o sobrecarregar ainda mais e o manter por mais tempo naquele encargo. De outro modo os professores começarão a desempenhar os seus deveres com mais indiferença e negligência, para que não lhes suceda o mesmo.”
Incentivar e valorizar a sua produção literária: porque “a honra eleva as artes.”
“Em meses alternados, pelo menos, o reitor deverá chamar os professores (…) e perguntar-lhes-á, com benevolência, se lhes falta alguma coisa, se algo os impede de avançar nos estudos e outras coisas do género. Isto se aplique não só com todos os professores em geral, nas reuniões habituais, mas também com cada um em particular, a fim de que o reitor possa dar-lhes mais livremente sinais da sua benevolência, e eles próprios possam confessar as suas necessidades, com maior liberdade e confiança. Todas estas coisas concorrem grandemente para o amor e a união dos mestres com o seu superior. Além disso, o superior tem assim possibilidade de fazer com maior proveito algum reparo aos professores, se disso houver necessidade.”
"I. 22. Para as letras, preparem-se professores de excelência
Para conservar (…) um bom nível de conhecimento de letras e de humanidades, e para assegurar como que uma escola de mestres, o provincial deverá garantir a existência de pelo menos dois ou três indivíduos que se distingam notoriamente em matéria de letras e de eloquência. Para que assim seja, alguns dos que revelarem maior aptidão ou inclinação para estes estudos serão designados pelo provincial para se dedicarem imediatamente àquelas matérias – desde que já possuam, nas restantes disciplinas, uma formação que se considere adequada. Com o seu trabalho e dedicação, poder-se-á manter e perpetuar como que uma espécie de viveiro para uma estirpe de bons professores.
II. 20. Manter o entusiasmo dos professores
O reitor terá o cuidado de estimular o entusiasmo dos professores com diligência e com religiosa afeição. Evite que eles sejam demasiado sobrecarregados pelos trabalhos domésticos."
Ratio Studiorum da Companhia de Jesus (1599).
José Matias Alves, autor do excelente blogue Terrear, escreve um pequeno texto que deve ser lido com toda a atenção.
Ora veja:
"O título pode ser um bom critério de avaliação: para quem é benéfica a mudança introduzida num qualquer sistema? Apliquemos a pergunta à decretada avaliação de professores.
É benéfica para os alunos? É benéfica para os professores ou para os pais? É benéfica para a administração educativa? É benéfica para a sociedade? Para o próprio ME?
Sem precisar de grandes demonstrações, creio que a resposta é negativa em todas estas perguntas.
Então, impõe-se a pergunta: se todos estão a perder, a quem interessa a reforma? Ao partido socialista e aos seus interesses eleitorais?
Provavelmente, a resposta poderá ser positiva."
Foi mais um sábado dedicado à longa luta dos professores portugueses. Faltámos ao período da manhã, almoçámos pelo caminho e chegámos a Leiria ao início da tarde. Encontrámos uma cidade em estado de compras de natal e tivemos dificuldade em estacionar o automóvel na zona envolvente do bem recuperado Teatro José Lúcio da Silva.
Encontrámos o grande auditório bem preenchido por professores e, ao fim de pouco tempo, detectámos uma atmosfera envolvida pela força da certeza. Nada há a fazer: os professores portugueses radicalizaram, como alguém disse, a sua posição de modo definitivo: encontraram na sua dignidade profissional, e na defesa da escola pública, um lugar permanente e seguro que alimentará a sua resistência, dê lá por onde der. É só desse radicalismo que se devem convencer os que ainda acreditam que podem vencer os professores através da encenação mediática e do seu jogo de sombras.
Tenho ouvido falar bastante da importância da opinião pública e da marcação de agendas mediáticas. Não desprezo esse lado do jogo.
É bom que se repita até à exaustão o seguinte: um governo com maioria na Assembleia da República, beneficiando de uma cooperação estratégica com o presidente da República, com a opinião pública toda do seu lado e ainda com o beneplácito da maioria da população começa por humilhar os professores na sua imagem pública para depois fazer o que se sabe.
Três anos depois, não posso deixar de sorrir, e de exaltar o enorme orgulho que me invade a alma, quando olho para a actualidade: os professores portugueses, que partiram de modo muito corajoso para esta luta fazendo dos seus 140 mil a sua opinião pública, conseguem o que se está a observar: já nem o partido socialista consegue esconder as divisões que se verificam no seu imenso (pantanoso? como alguém disse) seio, grande parte dos fazedores de opinião mudaram de lado e a diabólica equipa que ainda governa o ministério da Educação está aos papéis e em acentuado processo de descredibilização junto dos mais variados sectores da sociedade. É um momento belo. Daqui por uns anos teremos muito orgulho nesta lição de democracia e de civismo que estamos a dar ao país. Os nossos adversários, os estruturais e os circunstanciais, podem estar seguros do seguinte: não voltaremos atrás.
Nesta altura do longo processo, sublinho algumas questões:
Com o devido agradecimento ao Ramiro Marques, do blogue Profavaliação,
publico as principais tomadas de posição da revigorante reunião de 6 de Dezembro de 2008:
Recebi o seguinte comunicado da APEDE (Associação dos Professores e Educadores em Defesa do Ensino):
A APEDE e o MUP vêm anunciar uma iniciativa conjunta: a realização de um Encontro Nacional de Escolas em Luta para o próximo dia 6 de Dezembro, em Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva.
O Encontro terá início às 10h e prolongar-se-á até às 17h, com intervalo para o almoço.
Apelamos a que todas as escolas que estão a desenvolver processos de resistência, nomeadamente através da suspensão da avaliação do desempenho, elejam dois representantes para participarem nesse Encontro.
Farei os possíveis para estar presente em mais um sábado de luta contra as políticas do ministério da Educação.
Assiste-se ao momento da mais completa desorientação por parte de um governo que desrespeitou de modo indecente os professores portugueses e a escola pública.
Imbuído de uma sentença mencionada de reformista, o que lhe garantiu, desde logo, o apoio da maioria da população e dos fazedores de opinião, o actual governo do partido socialista (com apoio maioritário na Assembleia da República e o resguardo da cooperação estratégica com a presidência da República) escolheu, de modo displicente e apressado, um conjunto desastroso de políticas que deixaram ainda mais isolada a escola pública, e os seus professores, no desígnio de garantir um ensino de qualidade no serviço público.
E mais: deixaram a escola pública, e os seus professores, completamente expostos como a causa única das taxas de abandono escolar que tanto nos envergonham.
Ora leia:
«Uma vez iniciada este ano uma avaliação séria dos professores, estarei totalmente aberta à discussão de alterações a este modelo e até à sua substituição, mas em anos seguintes, não neste», disse Maria de Lurdes Rodrigues, durante um debate de urgência sobre a avaliação de desempenho dos docentes pedido pelo BE.
Contudo, a ministra garantiu não ser «intransigente na defesa do modelo em vigor, mas apenas na defesa do princípio de uma avaliação séria e com consequências».
O que é isto?
A senhora ministra vai de recuo em recuo até encostar a uma parede composta, quase na totalidade, daquilo que sempre se soube: impedir que os professores progridam na carreira. Já é só isso que tenta salvar.
Tanta teimosia, tantas certezas, tantas humilhações aos professores para acabar a propor "estarei totalmente aberta à discussão de alterações a este modelo e até à sua substituição, mas em anos seguintes, não neste".
Ironia das ironias: um governo com as características referidas mais as conhecidas manobras de intoxicação da dita opinião pública, acaba a suplicar perdão aos professores que tanto desrespeitou. E estes, cansados mas com a memória bem fresca, não perdoam e exigem o que a razão sempre lhes determinou. Que grande lição de democracia e de civismo está ser dada pelos professores do meu país: grupo profissional a que me orgulho de pertencer, com as latitudes que todos conhecemos.