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Correntes

em busca do pensamento livre

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glosa à "marcha da razão"

13.11.08

 

 

 

 

 

(imagem registada por Artur Marques)

 

 

 

 

No post que fiz sobre a "marcha da razão" de 8 de Novembro de 2008, entrou um comentário do Vasco Tomás que resolvi transformar numa nova entrada. O título de "Glosa à "marcha da razão"" é uma ideia dele.

 

 

Ora leia.

 

 

 

"A forma e o conteúdo da narrativa “da razão” põe ante os olhos a grandiosidade da jornada do 8 de Novembro. Excelente a reflexão que intercala a narrativa. 
É um verdadeiro achado a expressão "marcha da razão" aí usada. Marca uma divisória (incomensurável?) entre as partes em diferendo, o que é uma descrição adequada do que está em liça. Mas dever-se-á, parece-me, não pensar que do outro lado da razão está uma des-razão, o que seria escamotear a força deletéria que a argumentação do lado do Ministério pode instilar nos media e nas mentes desprevenidas. 

Há que pensar então que a razão de que o autor fala, a dos professores, é uma razão informada pela experiência concreta dos professores, sendo a partir de uma reflexão a partir desta experiência, por um processo eminentemente dia-lógico, que se poderia erguer todo um edifício de avaliação docente, de gestão escolar, etc. A outra razão, ao invés, segue uma metodologia inversa desta: parte de um pseudo-saber teórico, minado por um conjunto de pressupostos assentes na performatividade do sistema de ensino pensado em termos tecnocráticos, sendo a partir dele, com uns simulacros de participação por parte dos sindicatos, que se pretende plasmar, coagir a realidade do sistema de ensino. Duas razões, portanto: a razão dia-lógica, a dos professores, e a razão mono-lógica dos "déspotas obnubilados" do Ministério e quem lhes dá cobertura. 

Quem tem a mínima consciência cultural sabe em que quadro de racionalidade se movem, hoje, as ciências, tanto as empírico-positivas como as humanas. 
Mas este saber parece não ter ainda chegado às instâncias que nos governam. 
Que ao menos prevalecesse o critério da humildade democrática, que exige paridade entre quem procura encontrar consensos e equidade nas soluções encontradas. 
Parece que nem aquela consciência cultural nem esta humildade democrática sopram dos lados da 5 de Outubro.
Não é o diferendo o cerne fundamental do político? Doa a quem doer, não se pode tolerar o arbítrio de uma pseudo-razão que já deu uvas. Vamos à luta!"