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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

dias alegres (1)

05.11.08

 

 

 

O Agrupamento de Escolas de Santo Onofre, em Caldas da Rainha, onde sou professor, decidiu suspender o modelo de avaliação do desempenho de professores. Esta decisão assenta nos já sobejamente conhecidos argumentos e inscreve-se, naturalmente, no critério de completa inexequibilidade do referido modelo de avaliação.

 

A suspensão foi decidida na reunião de 5 de Novembro de 2008, do Conselho Pedagógico do agrupamento, num sufrágio por voto secreto que registou a unanimidade dos membros presentes.

 

Nesta reunião, foi apresentado o relatório do Conselho Executivo onde se relata com detalhe todos os aspectos que impedem a implementação do modelo, tendo, o referido órgão e por decisão tomada na sua última reunião ordinária, considerado como suspenso o diploma que regulamenta a avaliação dos professores, tendo, no entanto, requerido a aprovação do Conselho Pedagógico.

 

Importa referir que a tomada de posição do Conselho Pedagógico, fundamentou-se ainda nos estudos já realizados anteriormente, com destaque para a tomada de posição no mesmo sentido por parte da Comissão de Coordenação da avaliação do desempenho e dos diversos Conselhos de Docentes e de Departamento Curricular.

 

Todas as decisões estão devidamente fundamentadas e delas será dado conhecimento às entidades responsáveis.

 

E é assim: este é, definitivamente, um dia de muitas alegrias.

e mais umas

05.11.08

 

 

É claro que a luta dentro das escolas da cidade onde vivemos desperta-nos um interesse mais particular.

 

Nas duas escolas secundárias públicas das Caldas da Rainha, e posso dizê-lo com toda a segurança, decorrem processos que podem conduzir, em breve, à suspensão do modelo de avaliação do desempenho:

 

  • Na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro decorre um abaixo assinado de acordo com o que pode ler-se aqui.
  • Na Escola Secundária Raul Proença o ponto de partida assentou num texto que merece toda atenção.

 

Ora leia.

 

 

 

“Manifesto” pela Dignidade…

 

Para fazer jus à vontade indómita e aos sentimentos mais lídimos dos professores do Departamento Curricular de Ciências Sociais e Humanas.

 

Proferir a palavra dignidade é exprimir um conceito cujo significado e sentido profundo se torna quase indizível, porque não se trata de uma simples palavra que se proclama, mas de uma realidade ética e moral que se impõe, no íntimo de cada um de nós, como um inexpugnável baluarte de uma natureza humanizada e inexoravelmente marcada pelo sentido do Eu e do Outro. Do Outro como minha imagem e semelhança sentida e vivida nos mesmos apelos à liberdade, à solidariedade e à responsabilidade de que é feita a cidadania.

É esta Dignidade que está ferida pela indignidade que os responsáveis do Ministério da Educação fizeram recair sobre os professores e a profissão docente culpabilizando-os de todos os erros, aviltando a sua imagem pública, desautorizando-os na sua função educativa, minando-os nas suas convicções, fragilizando-os nas suas relações, esgotando-os nas suas energias, castigando-os com mentiras insidiosas e aprisionando-os num complexo e estranho sistema de avaliação, feito de muitos domínios, numerosos elementos, imensos indicadores e intermináveis descritores.

Em suma, feito de intenções inconfessadas e disfarçadas por uma gigantesca panóplia de critérios, ditos de avaliação, que, pela quase impossibilidade prática de aplicação dos mesmos, mais não permite do que ponderações e quantificações esgotantes e susceptíveis de lançar as escolas, em geral, e a nossa escola, em particular, num estado de confusão ditado pelo facto de os avaliadores e os avaliados serem, simultaneamente, actores e espectadores envolvidos numa miscelânea de papéis, no contexto dos quais os avaliadores sentem o sabor amargo de uma imposição que os torna legalmente competentes, mas não pessoalmente legitimados, e os avaliados sentem a legitimidade para não reconhecer o artificialismo legal que define e estabelece o papel dos seus pares como avaliadores.

Deste modo, sendo esta a realidade de facto e porque dela decorre um ambiente escolar cada vez menos saudável, quer do ponto de vista do estado de espírito dos professores, individual e colectivamente considerados, quer do ponto de vista da disponibilidade psíquica e física necessária à criação das indispensáveis condições para o exercício de uma prática lectiva de qualidade, os professores do Departamento Curricular de Ciências Sociais e Humanas são unânimes em considerar que a Escola, através dos seus órgãos competentes, deverá equacionar a possibilidade de uma tomada de posição no sentido de suspender o actual modelo de avaliação e declarar a necessidade de o mesmo ser repensado e rectificado, em nome da dignidade dos professores e da profissão docente, de modo a não pôr em causa o normal e adequado funcionamento da Escola, para bem de toda a comunidade educativa.

 

coorporações

05.11.08

 

 

José Luiz Sarmento regressou em força. Está a escrever e a publicar de modo mais assíduo. Continua muito atento e a desconstruir ideias que se querem feitas.

 

Ora leia:

 

Sociedade Civil e Corporações

 
Ontem, na televisão, ouvi José Sócrates afirmar mais uma vez a sua disposição de lutar pela «sociedade civil» contra as «corporações».

Lindo discurso. Apeteceu-me perguntar-lhe em qual dos dois lados ele colocaria, por exemplo, a banca: no da «sociedade civil», ou no das «corporações»?

E apeteceu-me perguntar-lhe também o que é que restaria da sociedade civil, na sua opinião, se todas as corporações fossem eliminadas.

Mas um professor como eu não tem acesso aos poderosos para lhes fazer este género de perguntas. Os jornalistas têm-no, mas, não sei porquê, nunca lhes ocorre fazê-las.

Resta-nos fazê-las a nós mesmos, e uns aos outros; os poderosos, depois, que não se admirem com as respostas.

confirma-se

05.11.08

 

 

 

 

 

São quatro horas da manhã em Portugal continental. Vive-se um momento único: Barack Hussein Obama é confirmado como o 44º presidente dos estados unidos da américa. Vejo as imagens através do canal cabo da televisão espanhola. A emoção dos jornalistas e dos comentadores é evidente. Recua-se até á abolição da escravatura e fala-se também do reconhecimento do direito ao voto por parte dos negros americanos.

 

Vêem-se imagens de Chigago, onde a festa é de arromba. Festejam pessoas das mais variadas origens, numa mistura que deve servir de lição para muitos europeus, portugueses incluídos. Correm lágrimas.

 

É um reencontro com a história.

emoção

05.11.08

 

 

 

 

 

 

 

Na hora em que estou a escrever isto já é quase certa a vitória de Barack Hussein Obama como o 44º presidente dos estados unidos da américa. Isto emociona-me: emociona-me muito. É muito bonito. É um momento fantástico, só possível num mundo em que muitos se têm esforçado por derrubar muros diversos. Não esqueçamos: há quarenta anos atrás, Obama, por causa da cor da sua pele, não podia sentar-se na parte da frente dos autocarros dos transportes públicos do seu próprio país.

 

Francamente, nem me preocupa muito se Obama vai conseguir fazer tudo aquilo a que se propõe. Vejo alguns dos que apoiaram o presidente americano ainda em funções, argumentarem com a falta de consistência de Barack. Enfim. Era bom que aprendessem a entender os novos tempos. E são novos porque existem pessoas com a força, com a coragem e com a distinção de Barack Hussein Obama.

 

Não nos iludamos: Obama foi objecto de um escrutínio sem precedentes. Teve de vencer a nomeação no seu partido onde tinha uma opositora tida como invencível. Hillary Clinton seria também, estou convencido disso, uma grande presidente.

 

Passada essa barreira, dirigiu uma campanha que acompanhei e que se revelou de um nível muito elevado; também sem precedentes.

 

Não são só os americanos que estão felizes. A esperança invade o mundo. É uma hora de mudança, assim se espera.