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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

evolução do blogue

29.10.08

 

 

 

Comecei por configurar um blogue minimalista, com particular incidência para o que mais interessa: o conteúdo dos posts. Deixei três espaços que me pareceram ajudar a navegar no blogue: "publicações recentes", "os meus favoritos" e "arquivo".

 

Depois exigiram-me o email: há pessoas que não gostam muito de se expor nos comentários. De seguida veio a exigência do nome: ninguém dava pelo autor no rodapé de cada post. Estes dois requisitos foram satisfeitos no cabeçalho da página inicial.

 

Agora foi a fotografia: já se sabe: os tempos aqueceram e, segundo alguns, tem de se dar a cara. Pensei um bocado: já me estarei a dar demasiada importância? Talvez. Mas ficamos assim: os mais preocupados, encontram na página inicial a cara do autor deste blogue.

intermitências na queda do monstro (5)

29.10.08

 

 

 

Os jornais nacionais começam a fazer notícia na primeira página. O Jornal de Notícias, na sua edição de 27 de Outubro, é um deles. O que vai ler tanto poderia ser mais um sinal do "esboroar do monstro" como de intermitências na sua queda. Escolhi a segunda rubrica pelo conteúdo da notícia.

 

Ora leia:

 

Professores tentam alinhar posições para novos protestos

Possibilidade de professores voltarem a sair à rua numa "acção concertada" não está excluída

00h30m

ALEXANDRA INÁCIO

Representantes de alguns movimentos de professores, que agendaram uma manifestação para 15 de Novembro, contactaram os sindicatos. O encontro vai realizar-se depois de amanhã, dia 29, na sede da Fenprof, em Lisboa.

O contacto surge depois de na última semana se terem multiplicado, na Internet, apelos para uma "acção concertada" entre sindicatos e movimentos. As associações, recorde-se, agendaram uma manifestação para 15 de Novembro; poucos dias depois, a Plataforma Sindical de Professores convocou um "plenário nacional" para dia 8, precisamente, uma semana antes.

"Será neste momento adequado duas manifestações em Lisboa?" As associações "não podem ser vistas como movimentos anti-sindicais mas tão-somente como movimentos a favor dos professores?", questiona uma professora num blogue.

O Movimento Unidade e Mobilização dos Professores e a Associação dos Professores e Educadores em Defesa do Ensino foram duas das associações que marcaram a manifestação. O protesto, justificaram, foi convocado devido ao "enorme cansaço e saturação" dos docentes em relação ao modelo de avaliação. Depois da imagem de união que levou à rua 100 mil professores, na Marcha da Indignação, em Março, os movimentos começaram a divergir dos sindicatos quando a Plataforma assinou com o Ministério da Educação o Memorando de Entendimento, em Abril. Os movimentos acusaram, então, os sindicatos de não aproveitarem a "força" que lhes foi conferida pela maior manifestação de uma só classe em Portugal. A Plataforma alega que o acordo serviu para "salvar" o final de ano lectivo.

O encontro de quarta-feira não tem "pontos em agenda pré-definidos". Na eventualidade de um dos lados desistir de uma data "em nome" da convergência, deverão ser os movimentos a abdicar.

"Não faz sentido o inverso", defendeu ao JN Carlos Chagas. Tal como professores mencionam nos blogues, os sindicatos sublinham o argumento de que são eles que se sentam legalmente à mesa com o ME para negociar.

"A marcação de duas datas não faz sentido", reconheceu ao JN o presidente do Fenei/Sindep, distinguindo que ao contrário dos movimentos a convocatória dos sindicatos faz parte de uma estratégia de luta. "O ideal seria que todos se juntassem numa mesma manifestação" e que as associação "dessem o seu apoio à Plataforma, uma vez que também são os sindicatos que dão a cara ao Governo". A desunião, insiste, nunca esteve em causa porque os "objectivos são os mesmos".

O ME considera que os sindicatos estão a quebrar o Memorando ao pedirem a suspensão da avaliação. Mário Nogueira alega que no documento "não está escrito que os sindicatos têm de ficar calados".

 

intermitências na queda do monstro (4)

28.10.08

 

 

 

Os órgãos de comunicação social vão dando conta do que está para acontecer. Ora leia:

 

 

«Fenprof recusa desmarcar protesto», este é o título de uma notícia do Diário de Notícias, de hoje, dia 28 de Outubro de 2208. Aí, pode ler-se o que o secretário-geral daquela federação pensa: «Nós não vamos suspender uma acção para a qual já há centenas de pessoas mobilizadas.» Mais à frente, acrescenta: «Se houver duas manifestações há. Se houver dez, melhor. O que não pode é haver uma manifestação em que o discurso antiministerial é tão forte como o anti-sindical.»

 

 

Nem sei se estas declarações são ou não oportunas. Espero que não passem de um marcar de posição antes de um momento importante. Daqui a uns dias se saberá.

 

liderança (reedição)

28.10.08




Estou um bocado triste, mas isto passa. A marcação de duas manifestações de professores tem os contornos a que já aludi em entradas anteriores. Ainda tenho esperança nalguma espécie de consenso, mas isso não parece fácil: se se realizarem as duas, que seja.

 

Se, entretanto, o monstro não de esboroar, já se sabe: a luta seguirá "dentro de momentos".

 

Mas continuo à espera de algo mais sobre as lideranças neste processo: quer se queira quer não se queira, as lideranças existem: umas mais voluntárias do que outras. Em qualquer dos casos, devem assumir as suas responsabilidades. Afinal, tiveram oito meses para isso. A menos que tenham estado distraídas mas, e como isso seria uma coisa quase descomunal, não acredito.

 

Entretanto, encontrei um vídeo soberbo noutro blogue. Pode ajudar a tornar mais inteligível o meu raciocínio sobre aquilo que sempre se deve esperar de uma liderança.

 

 

Ora clique.

 

 (reedição. 1ª edição em 21 de Outubro de 2008).

intermitências na queda do monstro (3)

27.10.08

 

 

 

Recebi por mail um texto com as conclusões da reunião que os diversos movimentos realizaram, no dia 24 de Outubro de 2008, em Leiria.

 

Fica a saber-se:

 

 
 
"No passado dia 24 de Outubro, realizou-se uma reunião de representantes da APEDE, do MUP e do PROmova, bem como de membros do movimento de professores de Leiria, com vista a analisar a situação actual da luta dos professores, a definir os princípios e as reivindicações que nos devem mobilizar e a preparar a manifestação de 15 de Novembro.
O diálogo e a troca de informações deixaram transparecer a grande adesão e mobilização dos professores, nas mais diferentes escolas do país, em torno da referida manifestação. Foi também consensual que esta não poderá ficar confinada a exigências de carácter socioprofissional, devendo antes denunciar, com a maior amplitude possível, a actual degradação do ensino e do sistema educativo, dirigindo-se à sociedade civil e mostrando que a causa dos professores é, hoje, a causa de todos os portugueses preocupados com o futuro de uma escola pública democrática, socialmente inclusiva mas exigente para todos os actores nela envolvidos.
Os movimentos presentes nesta reunião foram unânimes em assumir a manifestação de 15 de Novembro como uma afirmação genuína dos professores, vinda das bases e indo ao encontro da resistência espontânea que se está a desenvolver nas escolas. Estes movimentos querem, com a referida manifestação, contribuir para a intensificação dessa resistência, cujo objectivo final será o derrube de todas as políticas despóticas que têm procurado quebrar a vontade dos professores e destruir uma escola pública de qualidade.


 

Foi ainda estabelecido que estes são os princípios gerais que irão nortear a posição dos movimentos na reunião agendada com a Direcção da FENPROF para o próximo dia 29."

 

 

Ficamos então a aguardar pela reunião de 29 de Outubro de 2008. Talvez, depois disso, tudo fique mais claro. Vamos esperar.

 

intermitências na queda do monstro (2), olha quem!...

27.10.08

 

 

 

 

 

 

 

Já tinha lido notícias nesse sentido: os partidos políticos começam a acordar para os assuntos relativos à ponta do "iceberg": a avaliação do desempenho dos professores portugueses. Uns mais do que outros, como também já afirmei. E há mesmo um que se tem posicionado de modo sistemático e muito esclarecido.

 

Mas o que não estava assim tanto à espera era do que vai ler de seguida e que retirei de alguns órgãos de comunicação social.

 

Não é que uma das pioneiras das políticas que massacram os professores portugueses, vem agora dizer umas coisas que até considero contaminadas por um princípio muito central: o mimetismo?

 

Ora leia:

 

Manuela acusa PS de humilhar. 

 

Manuela Ferreira Leite foi ontem ao congresso dos autarcas sociais-democratas para acusar o PS de "humilhar" professores, juízes e funcionários públicos. Uma estratégia, denunciou a líder do PSD, que os socialistas utilizam sempre que pretendem avançar com reformas em alguns sectores da sociedade. 

Para Ferreira Leite , o objectivo do PS é "criar na opinião pública a ideia de que essa classe deve ser marginalizada e, nessa altura, entrar com toda a força e prepotência para resolver ou tentar resolver aquilo que encarou como problemas da classe". Por exemplo, a presidente laranja destacou que a "ideia lançada [pelo Governo] sobre os funcionários públicos foi, pura e simplesmente, a de que são uns inúteis".

 

 

 

intermitências na queda do monstro (1)

26.10.08

 

 

Decidi abrir um nova rubrica, "intermitências na queda do monstro", para a publicação de novos desenvolvimentos na luta que opõe a maioria do professores portugueses ao ministério da Educação. Já tinha aberto uma outra rubrica, que intitulei de "esboroar do monstro", onde dou conta do que me vai chegando no sentido de mais um empurrão à queda sem fim do assombro.

 

Mas, e como se sabe, a luta é longa e acontece-lhe o mesmo que nas aprendizagens: nem tudo é linear, não se caminha sempre em frente, por vezes recua-se e há mesmo momentos em que parece que tudo se está a perder. Mas também aparecem surpresas e quando menos se espera dão-se verdadeiros saltos em frente. Nesta rubrica serão publicadas todas as ideias que os meus critérios indiquem o seu enquadramento nas premissas definidas.

 

Sabendo tudo isso, e estando consciente das dificuldades, relevo como factor determinante dois aspectos imperativos: a razão dos professores (o caminho percorrido já leva feridos que cheguem) e a necessidade de se unir esforços.

 

Chegam-me ecos de alguma perplexidade com a tomada de posição recente dos movimentos. Não olharia os factos desse modo: aguardaria pela reunião de 29 de Outubro (entre os sindicatos - todos? - e os movimentos) e construiria a partir daí um discurso mais informado e inteligível.

 

Bem sei que o "29 de Outubro" já deveria ter ocorrido. Mas as coisas são como são. Vamos acreditar na boa-fé de todos os envolvidos e pugnar por um registo de sensatez e de tolerância onda deve imperar o mais escrupuloso respeito pelas idiossincrasias de cada um.

esboroar do monstro (10)

26.10.08

 

 

 

Nem sei o que é que se há-de escrever perante uma coisa destas. Sabemos das dificuldades financeiras em que navegam, desde sempre, as escolas públicas. Mas, francamente: estas pessoas ensandeceram ou estão contaminadas pelas acções de formação que por aí se têm realizado.

 

Leia bem: isto é um objectivo individual da avaliação do desempenho de professores.

Pode clicar na imagem se não conseguir ler bem.

 

 

 

O problema de fundo é o que sabe: o chamado "perfil funcional" dos professores que considera as estafadas quatro dimensões. E não pode ser assim: três das dimensões são do domínio da avaliação da escola e uma dimensão - ensino e aprendizagem - do domínio da avaliação do professor. E isto é apenas um ponto de partida. Depois temos de voltar a colar a carreira e tratar de muitos outros assuntos.

esboroar do monstro (9)

25.10.08

 

 

 

Encontrei está notícia no jornal público de 24 de Outubro de 2008.

 

Em vários blogues e por e-mail
Professores apelam a uma só manifestação nacional 
24.10.2008 - 17h26 Isabel Leiria
Seria algo de inédito e, na opinião de muitos, contraproducente. Com duas manifestações nacionais de professores convocadas para dia 8 de Novembro (pelos sindicatos) e 15 do mesmo mês (dinamizada por movimentos de docentes), ambas em Lisboa, três docentes lançaram um apelo às duas partes para se entenderem e acertarem um único protesto.

“A instabilidade que se vive nas escolas, por conta das políticas deste Ministério da Educação, e a desfiguração da escola pública, exigem, mais do que nunca, um movimento de professores forte e unido”, começa por explicar-se no documento, publicado em vários blogues e que circula por e-mail. 

Por isso, apela-se aos sindicatos para “criarem condições de abertura à activa participação dos movimentos, reconhecendo as suas reivindicações e prevendo o seu direito à palavra na manifestação de 8 de Novembro”. Ao mesmo tempo, os três professores subscritores do apelo – Paulo Guinote (do blogue "A Educação do Meu Umbigo"), João Madeira (do Movimento Escola Pública) e Constantitno Piçarra (do Agrupamento e Escolas de Ourique) – pedem aos movimentos que desconvoquem a manifestação de dia 15 e participem na de 8 de Novembro. 

O apelo tenta ainda conciliar as posições que têm vindo a ser assumidas por sindicatos e movimentos que surgiram no último ano, lembrando que ambos são “fundamentais” para “combater as políticas burocráticas e arrogantes do governo”.
O caminho faz-se caminhando, claro. Temos todos os motivos para esperar um momento de unidade ainda mais impressionante do que aquele que ocorreu a 8 de Março do 2008. Mas é preciso continuar a fazer por isso: arrumar a casa primeiro e, depois, partir para a mobilização.

esboroar do monstro (8)

25.10.08

 

 

Li no blogue do Paulo Guinote, em 23 de Outubro de 2008, um texto que resolvi publicar por motivos óbvios. Vale a pena ler.

  

Caro colega:

 

Sou professor na Escola Sec. D. João II, em Setúbal, coordenador do abaixo-assinado que recolheu 89% de assinaturas de professores da escola pela suspensão da avaliação.

 

Felizmente há Blogs.

 

Os sindicatos deveriam compreender e acarinhar o contributo exemplar desta participação cívica que diz respeito a milhares de colegas. Afastar os autores dos blogs ou os movimentos que se foram gerando da marcha do dia 8 de Março, ou de algum modo empurrá-los para fora, seria um crime e não apenas uma estupidez! 

1. A Fenprof, em representação da Plataforma Sindical de Professores, propôs à ministra uma reunião tripartida: Sindicatos-Ministério-Conselho Científico da Avaliação, a realizar em Dezembro (!), para “perceber se a avaliação de desempenho põe em causa o próprio desempenho dos professores e o funcionamento das escolas”.

Ao remeter para uma reunião daqui a dois meses, a Fenprof não percebe que o modelo de avaliação de professores do Ministério colocou já a classe à beira de uma ataque de nervos. Que o medo e a incerteza estão a minar (agora!) a escola e o desempenho dos seus profissionais. Que daqui a dois meses será tarde demais. O mal-estar manifesta-se por todos os poros, desde o primeiro dia de aulas em Setembro: nas conversas, em reuniões incontáveis que se arrastam até às 8, 9, 10 da noite, quantas vezes prolongando-se pela noite dentro, via mail, telemóvel.

Entretanto o massacre das fichas intensificou-se: casos há em que só a ficha de avaliação que o “director” (por enquanto presidente do conselho executivo) pretende utilizar para avaliar o professor tem 20-30 páginas, cujo conteúdo revela a desumanidade e a esquizofrenia dos ideólogos do monstro…para já não falar das outras fichas dos outros avaliadores e das centenas de páginas de relatórios, documentos de justificação de tudo e de nada que os mais papistas querem exigir ao professor/a. Sempre nesta base: Tudo o que há de dificuldades numa escola, nas famílias, na sociedade, poderá ser imputado como responsabilidade e deficiência do professor e reflectir-se na sua classificação e salário; Nada pode ser imputado ou exigido ao ministério (entidade patronal) ou ao governo responsável por um dos países mais pobres e atrasados da Europa. O ministério vai encontrando aqui e ali, com excepções, quem se dispõe a isto e muito mais.

2. Felizmente há blogs! Foram eles que durante estas semanas permitiram a expressão da revolta, do cansaço, do desapontamento com a inércia e a ausência dos sindicatos. Mário Nogueira, o porta-voz sindical anunciou que no dia 8 de Novembro haverá uma manifestação nacional, em Lisboa. Razão apontada para a escolha da data: o problema candente das novas regras dos concursos, que visa atirar os professores para mais longe do local de residência e penalizá-los de múltiplas formas.

Assim, só, até parece que a questão crucial da avaliação não preocupa os sindicatos neste momento. O que daria razão aos que dizem que os blogs e movimentos é que têm legitimidade para protagonizar e organizar uma manif. a 15 de Novembro com este tema como bandeira. Os sindicatos deveriam compreender e acarinhar o contributo exemplar desta participação cívica que diz respeito a milhares de colegas. Afastar os autores dos blogs ou os movimentos que se foram gerando da marcha do dia 8 de Novembro, ou de algum modo empurrá-los para fora, seria um crime e não apenas uma estupidez.

A crise de credibilidade dos sindicatos alimenta-se desta convicção que se vem instalando de que os sindicatos, concretamente na luta contara este modelo de avaliação, constituem uma espécie de seguro de vida da ministra (o que seria incompreensível, se recordarmos os ataques ferozes que a ministra lhes fez quando esta luta dava os primeiros passos).

Para quem entende o papel crucial dos sindicatos a questão é muito clara: os sindicatos devem reconhecer o papel dos blogs e tudo fazer para os valorizar…a começar pela marcha do dia 8 de Novembro. Têm mesmo a obrigação de lhes explicar por que decidiram marcar uma manif sobre a que estava a ser convocada e convidá-los a tomar a palavra livremente no dia 8. Insistir num braço de ferro ou, pior, desafiá-los para medir forças, significaria um grave atentado à própria existência de sindicatos, plataformas e outros meios livres de expressão do pensamento, da crítica e da mobilização, na era da internet. É fácil de adivinhar quem ficava a perder e quem se iria rir com este degradante espectáculo.