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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

esboroar do monstro (9)

25.10.08

 

 

 

Encontrei está notícia no jornal público de 24 de Outubro de 2008.

 

Em vários blogues e por e-mail
Professores apelam a uma só manifestação nacional 
24.10.2008 - 17h26 Isabel Leiria
Seria algo de inédito e, na opinião de muitos, contraproducente. Com duas manifestações nacionais de professores convocadas para dia 8 de Novembro (pelos sindicatos) e 15 do mesmo mês (dinamizada por movimentos de docentes), ambas em Lisboa, três docentes lançaram um apelo às duas partes para se entenderem e acertarem um único protesto.

“A instabilidade que se vive nas escolas, por conta das políticas deste Ministério da Educação, e a desfiguração da escola pública, exigem, mais do que nunca, um movimento de professores forte e unido”, começa por explicar-se no documento, publicado em vários blogues e que circula por e-mail. 

Por isso, apela-se aos sindicatos para “criarem condições de abertura à activa participação dos movimentos, reconhecendo as suas reivindicações e prevendo o seu direito à palavra na manifestação de 8 de Novembro”. Ao mesmo tempo, os três professores subscritores do apelo – Paulo Guinote (do blogue "A Educação do Meu Umbigo"), João Madeira (do Movimento Escola Pública) e Constantitno Piçarra (do Agrupamento e Escolas de Ourique) – pedem aos movimentos que desconvoquem a manifestação de dia 15 e participem na de 8 de Novembro. 

O apelo tenta ainda conciliar as posições que têm vindo a ser assumidas por sindicatos e movimentos que surgiram no último ano, lembrando que ambos são “fundamentais” para “combater as políticas burocráticas e arrogantes do governo”.
O caminho faz-se caminhando, claro. Temos todos os motivos para esperar um momento de unidade ainda mais impressionante do que aquele que ocorreu a 8 de Março do 2008. Mas é preciso continuar a fazer por isso: arrumar a casa primeiro e, depois, partir para a mobilização.

esboroar do monstro (8)

25.10.08

 

 

Li no blogue do Paulo Guinote, em 23 de Outubro de 2008, um texto que resolvi publicar por motivos óbvios. Vale a pena ler.

  

Caro colega:

 

Sou professor na Escola Sec. D. João II, em Setúbal, coordenador do abaixo-assinado que recolheu 89% de assinaturas de professores da escola pela suspensão da avaliação.

 

Felizmente há Blogs.

 

Os sindicatos deveriam compreender e acarinhar o contributo exemplar desta participação cívica que diz respeito a milhares de colegas. Afastar os autores dos blogs ou os movimentos que se foram gerando da marcha do dia 8 de Março, ou de algum modo empurrá-los para fora, seria um crime e não apenas uma estupidez! 

1. A Fenprof, em representação da Plataforma Sindical de Professores, propôs à ministra uma reunião tripartida: Sindicatos-Ministério-Conselho Científico da Avaliação, a realizar em Dezembro (!), para “perceber se a avaliação de desempenho põe em causa o próprio desempenho dos professores e o funcionamento das escolas”.

Ao remeter para uma reunião daqui a dois meses, a Fenprof não percebe que o modelo de avaliação de professores do Ministério colocou já a classe à beira de uma ataque de nervos. Que o medo e a incerteza estão a minar (agora!) a escola e o desempenho dos seus profissionais. Que daqui a dois meses será tarde demais. O mal-estar manifesta-se por todos os poros, desde o primeiro dia de aulas em Setembro: nas conversas, em reuniões incontáveis que se arrastam até às 8, 9, 10 da noite, quantas vezes prolongando-se pela noite dentro, via mail, telemóvel.

Entretanto o massacre das fichas intensificou-se: casos há em que só a ficha de avaliação que o “director” (por enquanto presidente do conselho executivo) pretende utilizar para avaliar o professor tem 20-30 páginas, cujo conteúdo revela a desumanidade e a esquizofrenia dos ideólogos do monstro…para já não falar das outras fichas dos outros avaliadores e das centenas de páginas de relatórios, documentos de justificação de tudo e de nada que os mais papistas querem exigir ao professor/a. Sempre nesta base: Tudo o que há de dificuldades numa escola, nas famílias, na sociedade, poderá ser imputado como responsabilidade e deficiência do professor e reflectir-se na sua classificação e salário; Nada pode ser imputado ou exigido ao ministério (entidade patronal) ou ao governo responsável por um dos países mais pobres e atrasados da Europa. O ministério vai encontrando aqui e ali, com excepções, quem se dispõe a isto e muito mais.

2. Felizmente há blogs! Foram eles que durante estas semanas permitiram a expressão da revolta, do cansaço, do desapontamento com a inércia e a ausência dos sindicatos. Mário Nogueira, o porta-voz sindical anunciou que no dia 8 de Novembro haverá uma manifestação nacional, em Lisboa. Razão apontada para a escolha da data: o problema candente das novas regras dos concursos, que visa atirar os professores para mais longe do local de residência e penalizá-los de múltiplas formas.

Assim, só, até parece que a questão crucial da avaliação não preocupa os sindicatos neste momento. O que daria razão aos que dizem que os blogs e movimentos é que têm legitimidade para protagonizar e organizar uma manif. a 15 de Novembro com este tema como bandeira. Os sindicatos deveriam compreender e acarinhar o contributo exemplar desta participação cívica que diz respeito a milhares de colegas. Afastar os autores dos blogs ou os movimentos que se foram gerando da marcha do dia 8 de Novembro, ou de algum modo empurrá-los para fora, seria um crime e não apenas uma estupidez.

A crise de credibilidade dos sindicatos alimenta-se desta convicção que se vem instalando de que os sindicatos, concretamente na luta contara este modelo de avaliação, constituem uma espécie de seguro de vida da ministra (o que seria incompreensível, se recordarmos os ataques ferozes que a ministra lhes fez quando esta luta dava os primeiros passos).

Para quem entende o papel crucial dos sindicatos a questão é muito clara: os sindicatos devem reconhecer o papel dos blogs e tudo fazer para os valorizar…a começar pela marcha do dia 8 de Novembro. Têm mesmo a obrigação de lhes explicar por que decidiram marcar uma manif sobre a que estava a ser convocada e convidá-los a tomar a palavra livremente no dia 8. Insistir num braço de ferro ou, pior, desafiá-los para medir forças, significaria um grave atentado à própria existência de sindicatos, plataformas e outros meios livres de expressão do pensamento, da crítica e da mobilização, na era da internet. É fácil de adivinhar quem ficava a perder e quem se iria rir com este degradante espectáculo.