Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

prémio (1)

21.09.08

 

 

 

 

 

Quem não gosta de receber um prémio?

 

Pois é, o correntes recebeu um. Como o correntes não é nenhuma cerveja, não vou colar o logo do prémio na página inicial. Vai neste post e depois perder-se-á pelos arquivos. Mas valeu. E valeu porque foi atribuído por um excelente e exigente parceiro desta lides: o Miguel Pinto.

 

Muito obrigado, meu caro.

 

E escusam de me chamar vaidoso que sei bem as minhas limitações, está bem?

 

Quer saber mais?

 

Clique aqui.

 

 

fenómenos de supressão

20.09.08

 

 

 

 

 

O que vou escrever a seguir é para ser lido por pessoas que se dedicam ao estudo dos sistemas escolares. Se o meu caro leitor não está nessa condição, peço-lhe, desde já, as minhas desculpas. Mas pode ler na mesma, claro; até porque estes assuntos estão na moda e parece que interessam verdadeiramente a uma larga maioria de portugueses.

 

Dei, um dia destes, com um bombardeamento informativo à volta da descida, em Portugal, das taxas de insucesso escolar dos alunos dos ensinos básico e secundário.

 

Li e ouvi algumas opiniões; nem sempre concordantes, como é apanágio destes assuntos nas democracias muito mediatizadas.

 

Não encontrei nada de muito novo. Tentei, contudo, encontrar a minha explicação. Mais uma a juntar a tantas outras, só isso. E para não começar, neste início de ano escolar, a sofrer desde cedo com o sintoma de enjoo por infusão excessiva de ideias, debito-as já de modo sucinto e um pouco apressado.

 

Nos últimos anos, Portugal criou, em números nunca vistos, cursos de educação e formação para alunos dos 2ª e 3º ciclos do ensino básico e com outra designação para os estudantes do ensino secundário. Milhares de crianças e jovens passaram a frequentar esses cursos. E quem são esses jovens? Os filhos dos outros.

 

Ou seja, são jovens com muitas reprovações escolares e que, sem este tipo de frequência, eram atirados para a sociedade sem qualquer certificação e em idades muito baixas. Não vamos agora discutir a validade deste tipo de formação. Sabemos que é um mal menor e que tem utilidade. Também sabemos que as sociedades mais avançadas, detectam estas situações mais cedo - no pré-escolar e no 1º ciclo - e têm mecanismos de "prestação de contas" a nível local quando a rede falha. Entre nós não é assim. Ciclicamente recorremos a isto e, nos 2º e 3º ciclos, não vemos lá os filhos dos professores, dos médicos, dos políticos, dos juízes e por aí adiante. E vamos continuar a recorrer.

 

Ora façamos contas: esses cursos duram dois a três anos com uma taxa de insucesso residual e onde o abandono escolar é invisível; temos, por isso e como nunca, milhares de crianças e jovens que não entram na contabilidade do insucesso; e, claro, são estes mesmo alunos que nos anteriores engordavam as famigeradas taxas.

 

A ser assim, e sem se fazer absolutamente mais nada, encontramos uma boa razão para explicar uma acentuada baixa da taxa do insucesso escolar.

 

Para quê então tudo o resto? É apenas uma questão de falta de sentido de estado, ou é uma doença muito mais profunda?

irina palm

20.09.08

 

 

 

 

Faz tempo que não vamos ao cinema King ver os filmes do denominado cinema alternativo e não estamos a perder muito com isso. O CCC das Caldas da Rainha, tem, às segundas-feiras, sessões de cinema apoiadas pelo produtor Paulo Branco, o que nos permite ver uma boa parte dos fitas que passam em Lisboa nas salas da Medeia Filmes.

 

E mais: a deslocação até ao cinema passou de uma hora para cinco minutos e o preço do bilhete desceu de 5 para 2,5 euros; não gastamos combustível e não pagamos portagens; a sala onde os filme são exibidos - o pequeno auditório do CCC -, e tirando as péssimas cadeiras, não é nada inferior às da Media, bem pelo contrário.

 

Nas ultimas passagens pelo King vimos sempre a apresentação de "Irina Palm", a fita de Sam Garbarski. Embora o "trailler" exibido não nos revelasse o tema central do argumento, a ideia que ia ficando é que era uma fita que não poderíamos perder. 

 

Como no primeiro anúncio dos filmes a exibir no CCC incluía "Irina Palm", esperámos. Apesar de uma alteração de datas, lá conseguimos encarar a obra de Sam Garbarski num dos primeiros dias de férias. E valeu. Se valeu. É um filme que aconselho vivamente.

 

Bem realizado e com um bom elenco de actores - com destaque para a eterna Marianne Faithful -, a fita tem como tema central do argumento uma acção completamente surpreendente. 

 

Ora lei esta sinopse:

 

 

"Irina Palm", filme de Sam Garbarski (O Tango de Rashevski) inicia-se com um drama e temos a falsa impressão de que estaremos daí para frente com mais um dramalhão: o neto de Maggie (Marianne Faithfull) possui uma doença rara, que em poucas semanas irá matá-lo se não viajar para a Austrália para um tratamento revolucionário. Seus pais não possuem dinheiro, e Maggie busca, em vão, pegar empréstimos em bancos ou arrumar emprego. Nunca trabalhara fora antes, e aos cinqüenta anos está velha demais para conseguir algo. Ao passar por uma rua do Soho Londrino, já desesperançada, verifica que uma boate precisa de recepcionistas. Um eufemismo para a verdadeira função: masturbação de homens, através de um buraco na parede. À princípio o susto, depois o desespero. Mas algo há-de ser feito. Pelo neto ela faz tudo o que for possível. Até mesmo isso. O pagamento é bom, e ela, sem experiência alguma, assume o emprego. Luisa (Dorka Gryllus), uma profissional do local ensina-lhe a mazela do serviço, e Maggie parece ter um dom para a função.

 

Impressionante. Uma comédia muito comovente. Segundo os padrões actuais, Irina Palm - o nome comercial da dedicada avó - passou a exercer uma profissão de sucesso. A reacção da comunidade de Maggie tem contornos que merecem uma aturada reflexão. Simplesmente brilhante. Não perca.

 

Pode ver um pequeno vídeo de 2 minutos com um "trailler" do filme.

 

 

 

como compreendo Manuel Alegre

19.09.08

 

 

Ouço com atenção a notícia na antena 2: Manuel Alegre e a organização do partido socialista para a juventude entram em desacordo; o deputado diz mais ou menos isto: "esta organização de jovens dedica-se muito à discussão dos temas da moda - casamento para todos, divórcio - e tem uma residual preocupação com os temas sociais - código do trabalho, desemprego -."

 

Manuel Alegre lá sabe do que fala. Os jovens protestam e dizem que não é bem assim.

 

Num aspecto estaremos todos de acordo: no que se refere a direitos das pessoas, é muito difícil estabelecer hierarquias. A ideia é tratar de todos e imediatamente.

 

Mas compreendo Manuel Alegre: os nosso jovens, ao contrários de outros tempos, parecem distantes e alheados dos problemas sociais. Diria mais: estão como que anestesiados; alguém os anestesiou ou não os sensibilizou.

compromissos

19.09.08

 

 

De acordo com o prometido, acabei agora de responder aos comentários que foram inseridos durante a minha ausência física. Podem, se assim entenderem, continuar o debate. A resposta aos mails vai esperar mais um tempo.

 

Agradeço a todos e espero continuar a contar com a vossa colaboração.

aprender a rezar na era da técnica

18.09.08

 

 

 

Ouvi, na antena 2 e num sábado à tarde, uma entrevista a Gonçalo M. Tavares. Boa parte do tempo foi passado à volta do "aprender a rezar na era da técnica"; e, claro, fiquei com algumas ideias pré-concebidas para escrever sobre este livro.

 

É evidente que o título tem alguma coisa a ver com a história do romance, mas só se o leitor quiser. A relação não é imediata. É preciso pensar um bom bocado para lá chegar. De qualquer modo, Gonçalo M. Tavares reconhece a enorme dificuldade em se aprender a rezar na era da técnica. Qualquer que seja o conceito que se tenha sobra a ideia de rezar - pode ser apenas uma mera meditação - a parafernália tecnológica não nos deixa muito tempo para as coisas demoradas e vagarosas - a propósito, descobri, nestes dias, um belo lugar para ler: sentado numa cadeira em frente ao mar e numa praia quase deserta (fuga à simcult?) -.

 

Lenz Buchmann é a figura central do romance. Filho de um homem férreo mas informado, Lenz começa por ser um médico muito considerado, passa a ser um político muito poderoso e acaba os seus dias numa dependência absoluta. Na viagem pela vida deste homem, o autor percorre, de modo metafórico, muitos dos problemas da sociedade actual. E, como sempre, a sua escrita é bem depurada e vai ao osso.

 

Esta viagem é relatada em cerca de 400 páginas, num somatório de capítulos de uma, duas ou três páginas no máximo. É o livro com mais páginas do autor, parece-me, e acaba por tornar-se um pouco excessivo. Gosto mais da sua escrita quando fica por um registo mais comedido de caracteres.

  

Não resisto em relatar o final do romance. Lenz Buchmann, a exemplo do seu pai, só queria morrer de suicídio. Mas já não tinha forças, nem para isso. Socorreu-se, em vão, da ajuda de um homem deficiente que, por sinal, era filho de um homem que tinha sido assassinado pelo seu pai. Até que:

 

"Depois talvez tenha existido uma pausa e de novo da televisão veio uma luz forte que o chamou pelo nome. E agora ele foi; deixou-se ir."

 

 

 

nacionalizações? sim. quem diria...

17.09.08

 

 

 



E eis que começa a desmoronar-se um conjunto de colossos da indústria financeira. Parece que o célebre efeito dominó começa a revelar, na actualidade, contornos preocupantes.
Encontrei um pequeno texto que diz - peço desculpa, mas desconheço o autor -:
"Os efeitos da crise financeira em curso na actividade dos bancos europeus vão prolongar-se até 2010 e traduzir-se-ão num abrandamento da concessão de crédito e na queda do valor das hipotecas. Esta é a principal conclusão de um estudo cuja pré-publicação foi divulgada ontem e que contabiliza em 120 mil milhões as perdas totais na actividade de retalho durante os próximos três anos. Os mercados de Espanha, Irlanda e Reino Unido serão os mais atingidos.
As perdas que os bancos irão sofrer nos créditos e nas hipotecas atingirão os 34,7 mil milhões de euros até ao final deste ano e acelerarão para os 42,5 mil milhões em 2009, de acordo com os dados apurados pela consultora de gestão Oliver Wyman e pelo grupo de serviços de gestão de crédito Intrum Justitia."

 

E é assim. Nem os magos da gestão têm explicação para o fenómeno. Para ganhar toneladas de dinheiro confia-se no mercado, mas para perder dinheiro que se perca o dos outros - os que confiaram em nós - e a coisa pública que resolva o problema.

 
Pedro Castro escreve o seguinte comentário: 
 

A Europa e os Estados Unidos irão defrontar uma grave crise finaceira cujos contornos ainda se desconhecem.
Ns Estados Unidos o Secretário de Estado do Tesouro, Hank Paulson implementou um plano de emergência a fim de salvar a Fannie Mae e a Freddie Mark, duas das maiores instituições de crédito hipotecário americano, que não conseguem cobrar dívidas no valor de 5.2 biliões (notação portuguesa) de dólares. Sem esta intervenção do Governo Federal, o colapso da Fannie e do Freddie seria inevitável, resultando uma catástrofe na economia mundial com efeitos impresíveis.
Temos, assim, um dos Estados mais liberais do mundo a usar o intervencionismo para salvar as empresas.
Estamos perante uma contradição dos estados capitalistas liberais: não intervir enquanto a empresa dá lucros, dar uma “mãozinha” ou mesmo nacionalizar quando estas instituições entram em falência.
Nos Estados Unidos os média comentam o Secretário de Estado do Tesouro com esta frase irónica: ” Mark to market, or market to Marx”

que seja assim

16.09.08

 

 

 

Andava à procura de notícias sobre as eleições presidenciais de 2008 nos Estados Unidos da América. Tinha acabado de ver uma entrevista a Obama - excelente, por sinal, e que publicarei os vídeos no final do mês de Setembro -, em que o candidato afirmou que aguarda por meados de Outubro para que se verifiquem as verdadeiras opções da maioria dos eleitores indecisos.

 

Vamos esperar, também.

 

Entretanto, desejo que o cartoonista do expresso esteja cheio de razão.

 

Ora veja.

 

 

 

de volta à simcult

15.09.08

 

 

 

 

 

Estou de volta à rede e às suas exigentes omissões do tempo. Devo confessar que desapareci deste meu espaço desde o final do mês de Julho. Estive cerca de mês e meio sem editar e nem sequer consultei o que por aqui se passava para resistir à tentação.

 

Decidi assim por dois motivos.

O ano lectivo passado, e desculpem-me esta catalogação temporal, foi tanto em rede que apareceu-me um leve sentimento de enjoo e de saturação. Esse foi o motivo primeiro. Foram meses a fio a escrever à volta dos problemas escolares. Consultei excelentes blogues e escrevi comentários e mails como nunca tinha feito. A minha vida profissional nos últimos vinte anos tem sido construída à volta das novas tecnologias da informação e do conhecimento, mas nunca, como no ano passado, envolveu uma tão exigente presença na rede.

Por outro lado, decidimos fazer obras aqui em casa no período de férias. Quatro semanas de pó e de marteladas que obrigaram ao recolhimento absoluto dos aparelhos. Constatámos uma humana evidência: mais do que a rede, a ausência da cozinha, e dos seus serviços, perturba bem mais as necessidades do metabolismo basal das nossas vidas; e ainda bem. Valeu-nos o apoio da família e dos amigos e as curtas incursões a lugares não muito distantes.

 

É claro que as obrigações bancárias exigiram um ou outro incumprimento. Também as tarefas profissionais da primeira quinzena de Setembro motivaram uma ou outra incursão no email que me causava ligeiros sustos: centenas de mails por abrir. Depois de uma obrigada depuração, sobraram dois ou três que terão uma resposta merecida a seu tempo.

 

Deixei posts programados para publicação nos dias todos da fuga: poucos inéditos e muitas reedições. Nada de mais. Sou muito dado a reeditar e faço-o com a ideia da boa oportunidade dessa decisão. Tenho pena que algumas das edições fiquem quase perdidas nos arquivos do blogue. 

 

Já perecbi que tenho muitos comentários inseridos nesse período. Tenho o exigente hábito de a todos responder. Logo que me seja possível, farei o mesmo com os generosos, e com as generosas, claro, que por aqui escreveram.

 

Tenho duas ideias para o futuro: manter o registo destes quatro anos e continuar a dar uma especial atenção às questões do sistema escolar.

 

Obrigado.