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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

angústias

25.09.08

 

 

 

Ninguém pode fugir às suas circunstâncias. Por dever de ofício, que a seguir passo a explicar, frequentei as acções de formação promovidas pelo ministério da educação sobre o estafado processo de avaliação do desempenho. Foi organizada pelo centro de formação das escolas do concelho das Caldas da Rainha.

 

Estava para escrever sobre o assunto, mas como tinha um relatório aqui à mão...

 

O meu relatório crítico rezou assim:

 

 

"Análise critica e reflexiva da acção realizada nos dias 16, 17 e18 de Julho de 2008, na Escola Básica Integrada de Santo Onofre em Caldas da Rainha.

Ao que tenho na memória, esta foi a acção de formação mais singular que tive oportunidade de frequentar. E digo-o deste modo por três motivos particulares: a minha condição pessoal, as circunstâncias em que decorreu e a história de todo este processo que se destina a avaliar os professores em Portugal.

Fiquei perplexo quando conheci o anúncio destas acções.

Em relação à minha condição pessoal, devo sublinhar a seguinte particularidade do meu percurso profissional: com o advento dos professores titulares, e só por isso, os meus colegas de departamento, e tendo em consideração os novos constrangimentos anunciados para a carreira de professores, elegeram-me como coordenador. Sendo assim, passei a ser membro do conselho pedagógico. Por dever de consciência profissional fui frequentar esta acção de formação com o objectivo de estar bem informado e de realizar, do modo mais competente que sou capaz, a função de avaliador. Como se sabe, o modelo de avaliação dos professores proposto, e que estudei de modo aprofundado, é, reconhecidamente, e pela esmagadora maioria das pessoas que o conhecem verdadeiramente, considerado inexequível. Não cabe num relatório desta índole detalhar o que acabei de afirmar, uma vez que os argumentos são sobejamente conhecidos, nomeadamente os que referem três ou quatro aspectos essenciais:

 

O desconhecimento da realidade escolar por parte de quem o concebeu e desenvolveu;

 

As incoerências internas do próprio modelo se se considerar as correntes de investigação de que se socorreu:

 

A incompetência dos seus métodos na sua adequação à sociedade da informação e do conhecimento, nomeadamente às ideias do plano tecnológico e da simplificação de procedimentos;

 

O exacerbado e nefasto centralismo de que padece o estado português e a evidente falta de respeito pela autonomia e pela organização de cada uma das escolas.

 

A segunda particularidade foi construída com o decorrer da acção e tem uma dominante fundamental: o formador.

Encontrei um investigador nas matérias em apreço, avaliação e supervisão pedagógica, bem preparado, muito interessado em discutir e debater o conjunto das matérias e que revelou uma atitude muito adequada para uma acção desta natureza.

E a sua posição não foi fácil. Por estar bem preparado nos domínios referidos, a sua exposição, muito actualizada e teoricamente bem sustentada, foi revelando, com notória evidência, a contradição entre as teses que sustentam o actual decreto-lei de avaliação de professores e o modelo em si. É claro que o formador foi fazendo questão de vincar a separação entre os pressupostos teóricos e as intenções a aplicar. Mas, e apesar do seu descomprometido esforço, foi em vão. Deve notar-se que esta singularidade foi mais evidente nas capítulos dedicados à avaliação do que nos que incidiram na supervisão pedagógica.

Ora este conjunto de evidências que acabei de referir estiveram presentes na totalidade da acção e, também por isso, a considerei como a mais singular. Associando as matérias em estudo, que eram estimulantes e que têm acompanhado as minhas preocupações ao longo do meu percurso profissional, à qualidade do formador, estavam reunidas boas condições para um interessante momento de enriquecimento pessoal. Todavia, as características do modelo proposto afectaram de modo significativo as vantagens aduzidas.

Ficou ainda mais vincada a certeza da flagrante inexequibilidade do modelo proposto.

Dizer que estou, ou não, mais preparado para a aplicação deste tipo de soluções é, por tudo o que afirmei, falho de qualquer sentido.

Devo referir a excelência da atmosfera relacional com que decorreram quer os diversos momentos que efectivaram a construção dos trabalhos em grupo quer a generalidade dos momentos da acção de formação."