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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

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da pedagogia e em busca do pensamento livre

conferência no CCC

12.07.08

 

 

 

 

 

Estreei-me nas conferências do CCC. Foi no excelente espaço do café-concerto: amplo, bem iluminado e com todas as condições técnicas e acústicas.

 

A conferência esteve a cargo de João Bonifácio Serra: professor e investigador no âmbito da historia; foi chefe da casa civil do presidente da República Jorge Sampaio. Tem um vasto currículo que pode ser consultado aqui.

 

Vim viver para as Caldas da Rainha em 1989. Cerca de dois anos depois, realizou-se por aqui um encontro nacional de professores de História. Reparei no entusiasmo e no empenhamento dos meus colegas da disciplina. Recordo-me de uma referência que me fizeram: "o nosso "guru", o nosso investigador é João Bonifácio Serra que é, também, uma excelente pessoa".

 

Fiquei atento. João Bonifácio Serra escreve com frequência para um dos jornais locais e tem um site que consulto semanalmente. O meu caro leitor encontra por lá muita matéria interessante para ler. Aqui.

 

Nunca tinha assistido a uma conferência deste investigador. Nos últimos tempos assisti a duas: uma sobre ética e política, de que dou notícia noutro post, e a esta: "unidade nacional, conflitos regionais".

 

Na apresentação da conferência, pode ler-se o seguinte texto:

 

"As querelas regionalistas a propósito da Reforma Administrativa de 1936, são o tema de uma conferência de João Bonifácio Serra a ter lugar no Café Concerto do CCC. 

A partir de cartas trocadas entre Bissaya Barreto, Horácio Eliseu e António Montez, o historiador caldense apresentará “um duro combate pela afirmação de interesses regionais que se mostravam incompatíveis”.

Segundo João Bonifácio Serra, a documentação em que se baseou para este trabalho faz parte do acervo de Horácio Eliseu que o seu filho confiou ao Arquivo Distrital de Leiria.

Trata-se de um conjunto de dossiês relativos a uma exposição que começou a ser preparada em Leiria em 1937 e que se pretendia constituísse um momento de afirmação de entidade distrital, contra a projectada criação das províncias.

Na arrumação provincial, o norte do distrito era colocado na Beira Litoral, com capital em Coimbra, e o sul na Estremadura, com capital em Lisboa.

A exposição, de que Horácio Eliseu foi comissário, só veio a ser concretizada em 1940, associada às Comemorações dos Centenários que o Governo decidira entretanto lançar.

Esta associação não se revelou pacífica, suscitando um conflito regional com Caldas da Rainha onde se preparava para a mesma altura uma exposição similar. A forma e protagonistas desse conflito, são o tema desta conversa, numa co-organização do CCC e da associação Património Histórico".

 

A conferência durou cerca de hora e meia. Seguiu-se um curto debate. Pareceu-me que a assistência estava mais interessado em ouvir o investigador do que em colocar questões.

 

João Bonifácio Serra contagiou: contou a história com um autêntico entusiasmo e demonstrou um profundo conhecimento do tema que abordou. Viu-se que ficaria horas sem fim a falar: não só daquela história, mas também das suas causas, das suas consequências e das suas ramificações. Apoiou-se, para a apresentação das imagens, num computador portátil da Apple. Este é, efectivamente, um aspecto menor, mas sublinho-o porque, como sabemos, é uma opção muito rara no nosso país.

 

Ficaram duas interessantes questões a abrir-me o apetite:

 

se reparem, o investigador escolheu para tema da conferência a "unidade nacional, conflitos regionais", embora a sua história também seguisse outros caminhos. A divisão administrativa de Portugal é um fenómeno fora do comum e não tem paralelo: 38 quadros de divisão administrativa - segundo Teotónio Pereira (em 2002), agora serão mais uns dois ou três - em vez de 1 como seria moderno e razoável. E isso provoca, para além de outros constrangimentos, tanto desperdício de tempo: e, como se sabe, tempo é finanças. Mas deveria ser matéria a exigir um estudo profundo: de quem? talvez de historiadores, claro, mas também de psicanalistas, de psiquiatras, de sociólogos e mesmo de psiquiatras dos comportamentos grupais na zona mais extrema da península ibérica; talvez numa vasta equipa multi-disciplinar esteja a receita.

 

na exposição das Caldas da Rainha, um dos momentos altos passava pela recepção do "grupo dos batuques" que era uma das excentricidades trazida pela saga imperial. Apetecia-me perceber o que pensavam os percussionistas vindos de além-mar.

 

 

 

Valeu.