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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o segredo de um cuscuz

31.07.08

 

Um filme raro e surpreendente: realista, pouco crente no futuro e que aborda temas que vão dilacerando até ao osso as relações laborais no mundo ocidental. Entre tantas interrogações que coloca, uma delas deixou-me com algumas certezas: a vida das próximas gerações poderá não ser nada melhor que a existência dos seus antepassados recentes. Por outras palavras, fala-se da crise do estado social e da condição ainda mais precária dos imigrantes e dos seus descendentes.

 

É um belíssimo filme este segredo de um cuscuz. Muito bem filmado, com planos em que intervêm apenas dois os três actores e que chegam a durar mais do que uma dezena de minutos sempre num ritmo cativante. Tem diálogos geniais. Abdellatif Kechiche, o realizador, fez um trabalho perfeito na escolha dos actores.

 

Já se sabe que no cinema tudo é possível e que não há limites para a imaginação. "O segredo de um cuscuz" é terno, divertido, muito humano e caracteriza muito bem, julgo eu, o drama da imigração que invadiu o sul da Europa nas últimas décadas. Tem 151 minutos e nem se dá por isso.

 

A ver e a rever se necessário for.

 

No cine-cartaz do jornal público pode ler:

 

 

Na cidade costeira de Sète, França, o Sr. Beiji, pai de família de sessenta anos com um emprego precário, esforça-se por manter a família unida, apesar de todas as tensões que os rodeiam e que parecem estar perto de entrar em ebulição. Sente que falhou e o seu sonho é abrir um restaurante. Aos poucos, a família começa a apoiá-lo nesse sonho que talvez consiga vir a concretizar. "O Segredo de um Cuscuz" é realizado por Abdellatif Kechiche, que já tinha assinado "A Esquiva".

 

 

Se clicar no pequeno vídeo de cerca de 3 minutos que se segue, encontra um trailer em francês.

 

john coltrane live

30.07.08

 

 

Um dos músicos que marcaram uma fase da minha vida: ouvia-se muito, lá por casa, John Coltrane (em 1965) com o tema "Naima".

 

São 7 minutos.

 

Ora clique.

 

 

 

hair em 45 rpm

29.07.08

 

 

 

É espantoso o mundo do youtube. Já por aqui dei conta do meu fascínio, em plena adolescência, pela companhia que levou à minha cidade natal, a moçambicana Maputo, a fantástica ópera-rock Hair.

 

Mas o que não esperava encontrar, era o vinil de 45 rpm, igual àquele que ouvi umas boas vezes no meu gira-discos lá de casa.

 

Ora clique.

 

 

 

 

mahatma gandhi

28.07.08

 

Sinto um enorme fascínio pela figura de Mahatma Gandhi e por tudo aquilo que representa: coragem, despojamento, auto-sacrifício pela paz e pela justiça, grandiosidade, alma, renúncia firme à violência, eu sei lá, um conjunto de atributos que, estes sim, não estão ao alcance da maioria do comum dos mortais. É raro encontrarmos, na vida diária, quem nos ensine estes caminhos de tão elevada integridade.

Lembro-me com frequência deste homem. E, há dias, quando assistia a um debate sobre as causas que levam a que a República Indiana esteja de novo na moda, ouvi a seguinte asserção: em comparação com a China, a Índia é muito mais aberta, muito mais tolerante e não faz nenhuma distinção entre nacionais e estrangeiros. Talvez, quem sabe, as ideias de Gandhi vão, finalmente, conhecendo dias de sol radiante: uma sociedade aberta, próspera e que viva num clima de paz duradoura. A ver vamos.

Recordo algumas frases célebres do "Alma Grande":

"Que importa aos mortos, órfãos e sem abrigo que a louca destruição seja cometida em nome do totalitarismo ou pelo sagrado nome da liberdade e da democracia?"

"O homem não pode ser inverdadeiro e cruel e contar com deus do seu lado."

"Vive como se morresses amanhã. Aprende como se vivesses para sempre."

"Há muitas causas pelas quais estou pronto a morrer. Mas nenhuma pela qual esteja pronto a matar."


É um exercício muito interessante conhecer, em pormenor, a História da vida deste Homem.


algoritmos

26.07.08

 

 

 

 

Lembrei-me dos algoritmos a propósito de um antiga discussão nos sistemas escolares: o que é que está primeiro? O ensino ou a organização escolar?

 

Pois é. Nesta simples formulação, pode estar a génese dos motivos que atrasam o crescimento do nosso sistema escolar: e a todos os níveis: escolar, municipal, regional (será que este nível existe?) e central.

 

A grande maioria dos professores sabe de ensino e ainda bem. E muitos é a isso que dedicam a sua sabedoria e ainda bem. Mas se querem governar o que quer que seja na dimensão organizacional da vida dos sistemas escolares, devem considerar a seguinte, simples mas muito trabalhosa, asserção:

 

Deve ser tão digno o algoritmo que resolve uma qualquer operação matemática como aquele que elimina as filas de espera de alunos no bar de uma escola.

luz silenciosa

25.07.08

 


Não quero repetir argumentos, mas o último filme de Carlos Reygadas merecia uma sala com melhores cadeiras e em que o calor não fosse apertando com o decorrer da fita. Mas é assim. O pequeno auditório do CCC associa as excelentes condições acústicas e de projecção de imagens - vê-se muito bem em qualquer lugar da sala - às péssimas aptidões circunstancias já referidas.

 

"Luz silenciosa" é um filme difícil e muito poderoso. Pessoas muito sossegadas, imagens deslumbrantes - a fotografia e a banda sonora estão notáveis - e uma trama universal e arrebatadora são os ingredientes que mais me tocaram. No cine-cartaz do jornal público pode ler-se:


"Prémio do Júri no Festival de Cannes, o último filme de Carlos Reygadas ("Jápón" e "Batalha no Céu"), conta a história de um homem dividido, que vive na comunidade Menonita no Norte do México. Johan é um homem casado que, contra as leis da sua fé e crenças tradicionais, se apaixona por outra mulher, enfrentando assim um dilema interior: trair a sua mulher, que amou e romper a estabilidade aparente da comunidade ou sacrificar o seu amor verdadeiro e a sua felicidade futura".

 

 

Esta síntese explica muito do que é o filme mas fica tanto por dizer que só vendo. Devo confessar que a técnica cinematográfica do realizador não é a que mais me entusiasma. Sempre que muda de plano, inicia uma demorada fixação do novo cenário. E disso nunca abdica. Essa opção, muito didáctica e respeitável, tira-me, por vezes, capacidade de concentração: despreocupa-me e desinquieta-me, digamos assim, e não gosto muito disso. Mas reconheço que deve ter dado imenso trabalho e que obedeceu a um rigor de construção nivelado pelo melhor que se pode ver.

 

O balanço é muito positivo. Um filme que não se deve perder.

 

Encontrei um trailer com cerca de 3 minutos. Começa com uma imagem fabulosa e permite ficar com a atmosfera de "Luz silenciosa": só o título dá para horas de discussão e de reflexão.

 

Ora clique.

surpresa ou talvez não

24.07.08

 



Algures no ciberespaço, pode ler-se:

«O sistema de saúde norte-americano é o mais caro do mundo mas análises comparativas não cessam de mostrar que os seus resultados ficam atrás dos de outros países», refere o estudo, publicado pelo Commonwealth Fund, um instituto independente.
O estudo compara os sistemas de saúde da Austrália, Canadá, Alemanha, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos.
«Os profissionais de saúde dos Estados Unidos dizem muitas vezes que o seu sistema é o melhor do mundo, sem provas científicas que apoiem esta afirmação. É um pouco como a rainha no conto de fadas da Branca de Neve: os norte-americanos olham para a sua própria imagem ao espelho sem tomarem em conta qualquer comparação internacional», dizem os autores do estudo, significativamente intitulado «Mirror, mirror on the wall» (Espelho meu, espelho meu).
Em termos da qualidade de acesso, de eficácia e de equidade, o sistema de saúde norte-americano fica sempre em último lugar entre os seis países analisados.
A Alemanha ocupa o primeiro lugar no que toca ao acesso e à qualidade dos cuidados prestados, enquanto o Reino Unido é o melhor nos critérios de equidade no acesso e de eficácia dos serviços.
«Os Estados Unidos são a única nação do estudo que não assegura o acesso universal à saúde (...). à luz do que se gasta em saúde nesse país, poderia esperar-se o melhor e o mais eficaz dos sistemas», nota a presidente do Commonwealth Fund, Karen Davis.
Cerca de 45 milhões de norte-americanos, 15 por cento da população, não tem seguro de saúde.
As despesas com serviços de saúde por habitante nos Estados Unidos são mais de duas vezes superior ao da média das despesas nos países da OCDE - 6.102/ano contra 2.571 dólares, segundo as contas do Commonwealth Fund.


Surpreendido, meu caro leitor?

ideologias

23.07.08

 

 

Faz agora uns doze anos, salvo erro, assisti a uma genial conferência de Eduardo Prado Coelho sobre corporeidade. A determinada altura, o conferencista diz mais ou menos isto: "Uma ideologia encerra sempre um conjunto de princípios inconfessáveis".

Sei que a polémica à volta da bondade das ditas - políticas, religiosas... - é interminável. Também sei que a conclusão do saudoso Prado Coelho encerra uma dose elevada de cinismo. Mas a afirmação é, no mínimo, um belo ponto de partida para uma interessante discussão.

califórnia dreamin

22.07.08

 

 

 

 

 

Já tinha lido uns textos sobre o filme, mas estava longe de imaginar duas coisas: o cerne da história e a excelência da fita cinematográfica.

 

É claro que deve considerar-se que o realizador romeno Cristian Nemescu faleceu na fase de pós-produção do filme, o que pode ter impedido que a fundamental fase de montagem tivesse o tempo que o seu projecto inicial supostamente considerou. Também por esse motivo, julgo eu, o tempo do filme teve uma duração de 155 minutos que torna a permanência nas péssimas cadeiras do pequeno auditório do CCC das Caldas da Rainha um exercício pouco cómodo.

 

Cristian Nemescu realizou apenas este filme. Viveu 27 anos e fica a sensação que os cinéfilos deste mundo perderam a possibilidade de assistir a mais cinema de grande qualidade. Chamo a atenção para o excelente elenco de actores que conseguem um desempenho de uma impar qualidade, absorvendo por completo o espírito das personagens ao fim de poucos minutos.

 

Um comboio da NATO atravessa a Roménia e dirige-se ao Kosovo com o objectivo de ajudar na resolução do conhecido conflito. Fica retido 5 dias numa aldeia romena e o absurdo desenha-se num ritmo de comédia que traz à mente Buñuel e Kafka. Os primeiros 3 dias estão soberbos, ficando, nos últimos 2, a sensação que se a tragédia que se abteu sobre o realizador não tivesse sucedido, o filme estaria ainda melhor. Algo semelhante com o que se passou com o célebre "eyes wide shut" de Stanley Kubrick. Uma fita que se aconselha aos autarcas deste mundo e que tem na sinopse do site do CCC um apelativo resumo. Ora leia.

 

 

"California Dreamin’ (Endless) foi o único filme realizado pelo romeno Cristian Nemescu, que venceu a secção paralela “UnCertain Regard” do Festival de Cannes de 2007.

Aos 27 anos, Cristian Nemescu era o mais jovem dos realizadores da chamada "nova geração" do cinema romeno.

Em 2007 tinha acabado de filmar a sua primeira longa metragem e iniciado a pós produção, quando teve um acidente de viação mortal.
O produtor do filme decidiu exibi-lo tal como este estaqva, acrescentando ao título a palavra “endeless”.

O filme é uma comédia que conta a história do capitão Jones, do corpo de fuzileiros navais dos EUA, destacado para escoltar um comboio que transporta equipamento da NATO e que se dirige para a Jugoslávia durante a guerra no Kosovo.

A sua missão é detida por Doiaru, aparentemente um chefe de estação muito meticuloso numa vila abandonada, que retém o comboio devido a um detalhe técnico na documentação. A comunidade fez esforços ridículos por dar as boas vindas aos americanos, tencionando aproveitar-se da sua inesperada presença.

Após cinco intensos dias, Jones descobre os verdadeiros - e muito pessoais - motivos por detrás do comportamento de Doiaru. O comboio retoma a sua viagem e deixa para trás corações partidos, sonhos desfeitos e uma guerra civil.

Armand Assante, Maria Dinulescu e Jamie Elman são os protagonistas do filme".

 

Encontrei um pequeno vídeo de 3 minutos. Se se interessar e se pesquisar no "youtube" por "califórnia dreamin" encontrará a banda sonora com o mesmo nome e da autoria dos inesquecíveis "mamas & papas".

 

Mas escolhi um com imagens do filme. Ora clique.

 

 

 

 

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