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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a matemática no telejornal

20.06.08

 







Já dei conta da minha perplexidade com o modo como, nós, portugueses, nos organizamos. Exaspero-me, por vezes, com a forma pouco respeitadora como os governantes decidem alterar as variáveis das diversas organizações que tutelam.

Julgo que a maioria dos portugueses, e o meu caro leitor também, já ouviu falar dos concursos para professor titular. Concorde-se ou discorde-se da ideia, não vamos discutir isso agora, importa perceber que, e por despacho da senhora ministra da educação, esses concursos vão alterar algumas das componentes organizativas das escolas - não fazia sentido tanto barulho... -.

Por exemplo, altera-se a ordem na distribuição do serviço docente, ou seja, os docentes deixam de ser graduados pela sua classificação profissional e passam a sê-lo pela pontuação que obtiveram no concurso para professor titular. Também devem ser alterados os regulamentos dos diversos processos eleitorais para a escolha dos quadros docentes dos estabelecimentos de ensino e por aí adiante. Ora, e em pleno mês de Julho, nada se sabe. É assim há anos e parece que este modo de ser eterniza-se. Não seria razoável e moderno que estas questões fossem tratadas nos meses de Setembro a Dezembro, para que o ano lectivo e as suas importantes componentes críticas pudessem ser estudadas com tempo e decididas com sensatez e profissionalismo?

Outro dia dei com a senhora ministra da educação em pleno telejornal. Apressou-se a exibir o seu regozijo com a eficácia das aulas de substituição e com o "plano da matemática": dizia, eu ouvi, que já se notam os resultados: o sucesso nos exames de matemática do 12º ano, são, este ano, prova disso. Fiquei estarrecido. É grave: se uma ministra tem este atrevimento e revela tanta imaturidade científica e pedagógica, então, meu caro leitor, está tudo explicado. É escusado dizer, mas uma semana depois a senhora ministra é desmentida por mais dados: os alunos do 9º ano nunca tiveram resultados tão fracos nos exames de matemática.

É claro que o diagnóstico está feito e há muito tempo e com uma simples formulação: o que importa é celebrar contratos de autonomia com as escolas e avaliá-las.

Gastar - sim gastar, porque raramente se investe - somas astronómicas em salas TIC , programas de computadores portáteis, planos da disciplina x ou y , é apenas preencher com euros as rubricas dos orçamentos ministeriais. Os sucessos conhecidos, em Portugal e no mundo, tiveram outro caminho: investiram globalmente, sistematicamente e com projecto - leia-se, com autonomia, com responsabilidade, com estudo e com conhecimento -.

PS: o lema português de deixar tudo para a última hora e de nada planear, justifica-se: quem planeia trabalha a dobrar e a triplicar e quem não o faz safa-se; aliás, a ideia de "estamos safos" parece mesmo a grande virtude do ser português.


(texto escrito e publicado em 19 de Julho de 2007 - reedição)

estatuto do aluno (arquivo de ideias simples)

20.06.08

 

 

E dei comigo a pensar num estatuto do aluno. O que vou escrever a seguir é muito a sério, foi objecto de uma atenta e demorada análise.

 

Proponho um estatuto sem preâmbulos e com um único artigo.

 

Os alunos reprovam se excederem o limite de faltas injustificadas a uma das disciplinas, ou áreas curriculares não disciplinares, que compõem o seu programa de estudos. Entende-se por limite de faltas injustificadas, o produto da multiplicação por três do número de aulas semanais em cada uma das actividades referidas. Compete aos directores de turma o estabelecimento dos critérios que consideram uma falta como justificada.