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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

filipe melo trio no ccc

30.06.08

 

 

 

 

 

 

 

 

Voltámos ao CCC para ver e ouvir jazz no café-concerto. Valeu. A performance esteve a cargo do trio de Filipe Melo, um pianista com um swing irresistível, que contou com Ricardo Dias no contra-baixo e André Sousa Machado na bateria.

 

Já conhecia os seus sons pela internet, mas só o tinha visto ao vivo uma vez: salvo erro a acompanhar a voz de Marta Hugon (fui confirmar e é mesmo assim: tenho noutro post a referência a esse concerto).

 

Tocou um ou dois temas "standard" e os restantes foram composições suas.

 "Hope" e "Work in progress" (terá um nome no futuro) ficaram-me no ouvido.

 

Filipe Melo vais estar uma vez por mês no CCC, sempre com um trio diferente, e no final fará um concerto com todos os músicos que o vão acompanhar.

 

Se tiver a oportunidade de assistir a um concerto, não perca.

Entretanto pode clicar aqui e ficar mais informado.

 

Pode ver um vídeo de 9 minutos. É muito boa companhia, acredite.

 

 

 

 

jazz no ccc

28.06.08

 

 

 

O CCC escolheu o projecto de jazz de Michael Attias para estrear este género musical no novo centro cultural e de congressos da cidade das Caldas da Rainha.

 

Foi um escolha que se revelou difícil para os espectadores que ocuparam cerca de metade dos lugares disponíveis.

 

O concerto, de um hora e sem encore, decorreu no grande auditório que, como se sabe, tem excelentes condições acústicas.

 

Foi um concerto muito exigente: 5 excelentes músicos tocaram temas de enorme elaboração recorrendo a um experimentalismo muito profissional.

 

Sabemos que este género de "ego-jazz" (desculpem o neologismo, mas serve-me a ideia para opinar no sentido de que os músicos tocaram para dentro do grupo ou mesmo, e apenas, para cada um deles) torna-se tão surpreendente que os ouvintes ficam nesse estado anímico do princípio ao fim do concerto. Mas também sabemos, ou pensamos que sabemos, que é assim que a música pula e avança.

 

 

 

"Cinco músicos da cena do jazz contemporâneo de Nova Iorque, formam o projecto Twines of Colesion.
Este projecto nasceu do desejo de Michaël Attias de conjugar as contribuições dos cinco artistas numa exploração colectiva das mutações proporcionadas pela improvisação.
A versatilidade do saxofonista está bem patente da diversidade dos seus projectos musicais. Depois de trazer a público registos onde se adivinha tanto a influência klezmer num jazz bem-humorado, como o domínio da complexidade da composição moderna ou da abertura do free jazz, Twines of Colesion é um quinteto especialmente voltado para a improvisação.
Ao longo dos anos, separadamente ou em conjunto, os músicos que compõem agora este quinteto desenvolveram uma poderosa e original abordagem do ritmo, da cor, da linha e do som.
Descrito pelo saxofonista como um “trio expandido”, Twines of Colesion combina a elasticidade “free” e o “swing” de uma pequena unidade como os Renku com o fôlego composicional e o som gordo dos sextetos e septetos de Attias, a exemplo do Clinamen Sextet. Cada um dos intervenientes é um agente com igual papel no fluir dos acontecimentos e nas suas muitas e inesperadas transformações".

 

 

 Pode ver um pequeno vídeo de 2.47 minutos com o som de Michael Attias.

 

 

 

 

kobe 81

25.06.08

 

 

Sou um admirador do basquetebol norte-americano desde os finais da década de 60 do século passado. Tudo começou numa sessão do cine-clube da cidade onde nasci: uma semana com filmes da NBA (National Basketball Association) naquele formato super 8 que registava a maioria das fitas da altura. Imagens fascinantes que deslumbraram o olhar dos meus 10 anos de idade, seguidas dos tradicionais debates com uma prol de entendidos na matéria. E esses filmes estão por ali, no meu escritório aqui de casa: foram-me oferecidos pelo director do cine-clube quando, por motivos que noutro post explicarei, tive de abandonar Moçambique e a sua cidade capital. Emocionou-me e guardo-os como verdadeiras relíquias.

 

A NBA já revelava, nessa época, uma organização muito profissional. Mais do que isso: a estrutura em que assenta a aprendizagem do jogo naquele lado do Atlântico, é exemplar. Tudo começa nas escolas, pois na formação não existem clubes, passa pelas universidades onde os campeonatos atingem níveis impressionantes até ao mais alto nível onde os clubes são escrutinados por uma organização sem paralelo no mundo do desporto e não só. Chegar à NBA como jogador é de uma exigência muito respeitada pelos cidadãos. 

 

Todos os anos, saem das universidades centenas de potenciais jogadores. Cerca de duas dezenas, ou nem tanto, entram na NBA e os restantes ou vão jogar para outros países ou continuam a sua vida noutras actividades, relacionadas ou não com o jogo. O que resulta daqui, é um importante conhecimento do jogo por parte dos adeptos e dos restantes profissionais que rodeiam a NBA, o que confere momentos de elevado desportivismo: não é raro que o público da casa aplauda de pé a excelente prestação da equipa contrária.

 

Entre tantos talentos desportivos, têm emergido figuras que se tornam lendárias. Kobe Bryant é, na actualidade, um verdadeiro expoente e ameaça ultrapassar tudo o que já se conheceu. Embora seja um pouco desajustado comparar basquetebolistas de gerações diferentes, podemos afirmar que Kobe vai entrar num grupo muito restrito dos melhores de sempre. Bryant tem actualmente 29 anos de idade e 11 de NBA. Entrou cedo, passou directamente do ensino secundário para o basquetebol profissional (solução muito criticada hoje em dia a par do perigo que as apostas online podem provocar na verdade desportiva), já venceu 3 campeonatos e lidera todos os registos dos melhores marcadores de pontos.

 

Todavia, só este ano conseguiu o prémio de MVP (most valuable player - jogador mais valioso -). E porquê? Porque, segundo os especialistas e o seu próprio treinador, só agora é que é um verdadeiro jogador de equipa. Por isso, escolhi o vídeo que se segue. É um filme do ano passado e retrata uma situação que Kobe não deverá repetir: carregar a equipa às costas marcando pontos atrás de pontos. Foi uma noite inesquecível. Reparem na marcha do marcador e no delírio dos adeptos da equipa contrária... a da casa.

 

Ora clique. São apenas 3 minutos.

 

 

 

frases

23.06.08

 

 

Sempre me impressionou a suprema importância que uma simples frase pode tomar. Não falo da beleza que um conjunto de palavras pode assumir ou mesmo transmitir, pois já são demais os exemplos que suportam tamanha evidência: quem não cede perante os poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen? Quem não ascende com as elegias do eterno Rilke?

 

Duas ou três frases conseguidas e combinadas no modo mais suado que seja, e eis que ventos de elevação nos despertam. Vivemos um tempo de muitas falas e de muitos escritos. Assisti a uma apresentação do já célebre “"Ensaio sobre a lucidez"”.

 

José Saramago mostrou-se muito indignado com a seguinte frase, dita pelo actual Presidente da República Jorge Sampaio: “"Portugal é um país viável"”.

 

Para o nosso prémio nobel, tal nunca se pode questionar num país com esta História. Ao dizer a frase que disse, o Presidente cedeu, e um de modo muito perigoso, ao capitalismo sem rosto. Por uma frase? Para os mais curiosos recomendo a frase de vinteuil.

 

 

 

 

(Reedição. 1ª edição em 24 de Julho de 2004)

eleição

23.06.08

 

 

 

 

Recebi, por email, mais um texto muito interessante.

  

 

Desconheço a fonte, mas tenho ideia que o autor é um cronista de que já ouvi falar.

 

 

Vale a pena ler.

 

 

 

 

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê.

 

Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. 

 

 

 

Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. 

 

 

 

É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. 

 

 

O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!'

 


 
 

João Pereira Coutinho.

 

 

 

 

frenesim, frenesi

22.06.08

frenesim.jpg

 

 

 

Tempos iguais a tempos, Tempos de frenesim, Sempre de frenesim, frenesim, frenesi.

No dicionário: frenesim: s. m., frenesi. frenesi: do Fr. frénésie < Lat. phrenese s. m., inflamação cerebral; delírio proveniente dessa inflamação; loucura furiosa; inquietação.

e por fim...

21.06.08

 

"...E já sabeis... Se alguém vos vier dizer que o vosso lugar não é aqui, nada de quezílias ou de maus modos. Sorrir, sorrir de vez em quando e apenas."

 

Mário Henrique Leiria (Português Suave)

a matemática no telejornal

20.06.08

 







Já dei conta da minha perplexidade com o modo como, nós, portugueses, nos organizamos. Exaspero-me, por vezes, com a forma pouco respeitadora como os governantes decidem alterar as variáveis das diversas organizações que tutelam.

Julgo que a maioria dos portugueses, e o meu caro leitor também, já ouviu falar dos concursos para professor titular. Concorde-se ou discorde-se da ideia, não vamos discutir isso agora, importa perceber que, e por despacho da senhora ministra da educação, esses concursos vão alterar algumas das componentes organizativas das escolas - não fazia sentido tanto barulho... -.

Por exemplo, altera-se a ordem na distribuição do serviço docente, ou seja, os docentes deixam de ser graduados pela sua classificação profissional e passam a sê-lo pela pontuação que obtiveram no concurso para professor titular. Também devem ser alterados os regulamentos dos diversos processos eleitorais para a escolha dos quadros docentes dos estabelecimentos de ensino e por aí adiante. Ora, e em pleno mês de Julho, nada se sabe. É assim há anos e parece que este modo de ser eterniza-se. Não seria razoável e moderno que estas questões fossem tratadas nos meses de Setembro a Dezembro, para que o ano lectivo e as suas importantes componentes críticas pudessem ser estudadas com tempo e decididas com sensatez e profissionalismo?

Outro dia dei com a senhora ministra da educação em pleno telejornal. Apressou-se a exibir o seu regozijo com a eficácia das aulas de substituição e com o "plano da matemática": dizia, eu ouvi, que já se notam os resultados: o sucesso nos exames de matemática do 12º ano, são, este ano, prova disso. Fiquei estarrecido. É grave: se uma ministra tem este atrevimento e revela tanta imaturidade científica e pedagógica, então, meu caro leitor, está tudo explicado. É escusado dizer, mas uma semana depois a senhora ministra é desmentida por mais dados: os alunos do 9º ano nunca tiveram resultados tão fracos nos exames de matemática.

É claro que o diagnóstico está feito e há muito tempo e com uma simples formulação: o que importa é celebrar contratos de autonomia com as escolas e avaliá-las.

Gastar - sim gastar, porque raramente se investe - somas astronómicas em salas TIC , programas de computadores portáteis, planos da disciplina x ou y , é apenas preencher com euros as rubricas dos orçamentos ministeriais. Os sucessos conhecidos, em Portugal e no mundo, tiveram outro caminho: investiram globalmente, sistematicamente e com projecto - leia-se, com autonomia, com responsabilidade, com estudo e com conhecimento -.

PS: o lema português de deixar tudo para a última hora e de nada planear, justifica-se: quem planeia trabalha a dobrar e a triplicar e quem não o faz safa-se; aliás, a ideia de "estamos safos" parece mesmo a grande virtude do ser português.


(texto escrito e publicado em 19 de Julho de 2007 - reedição)

estatuto do aluno (arquivo de ideias simples)

20.06.08

 

 

E dei comigo a pensar num estatuto do aluno. O que vou escrever a seguir é muito a sério, foi objecto de uma atenta e demorada análise.

 

Proponho um estatuto sem preâmbulos e com um único artigo.

 

Os alunos reprovam se excederem o limite de faltas injustificadas a uma das disciplinas, ou áreas curriculares não disciplinares, que compõem o seu programa de estudos. Entende-se por limite de faltas injustificadas, o produto da multiplicação por três do número de aulas semanais em cada uma das actividades referidas. Compete aos directores de turma o estabelecimento dos critérios que consideram uma falta como justificada.

pós-democracia

18.06.08

 

 

 

 

É claro que só daqui por uns anos se conseguirá perceber os contornos políticos da época que vivemos. São inúmeros os autores que têm dedicado a sua investigação às ciências políticas, mas necessitam de tempo para entender as dimensões da evolução das sociedades.

 

Sou um leitor atento de Giorgio Agamben, filósofo italiano, e de José Bragança de Miranda, filósofo português, que têm desenvolvido análises muito interessantes da actualidade.

 

Giorgio Agamben, por exemplo, refere a ideia de "estado de excepção" para caracterizar os sinais de "tiques" de totalitarismo que vão proliferando e que passam a ser aceites, e a fazer norma, pelos regimes democráticos: o seu exemplo mais conhecido passa pelo mediatizado Guantanamo.

 

E basta começar a estar atento aos detalhes e verificar que os governos dos países democráticos começam a tomar decisões que relegam para segundo plano a intenção de aprofundar as democracias: e, por mais voltas que dermos, o primeiro princípio do movimento democrático passa por periódicos processo eleitorais livres e universais onde o voto de cada um dos cidadãos tem o mesmo valor.

 

Hoje dei com uma ideia que me deixou ainda mais pensativo: alguém disse que, daqui por uns anos, os investigadores considerarão a época em que vivemos como o início da pós-democracia.

 

E lembrei-me de dois exemplos recentes: um colectivo e outro individual.

 

O colectivo trouxe-me à memória a ideia, que muitos advogam, de que  os tratados entre países não devem ser referendados porque os cidadãos, que elegem os presidentes e os governos, não estão preparados para sufragar os documentos mais complexos. E dizem-no com toda a convicção e desplante.

 

O exemplo individual refere-se ao actual primeiro-ministro de Portugal. Num debate parlamentar em que se discutia o "não" irlandês ao tratado europeu de Lisboa, o citado político afirmou o seguinte: "da aprovação do tratado depende, também, a minha carreira política". Fiquei pasmado. Então o serviço público e o exercício de cargos de governação, e seja a que nível for, é também uma questão de carreira? Longe vão os tempos do elevado desprendimento no exercício do serviço público, eu sei, mas assumi-lo assim, com toda a naturalidade, não será também um sinal do início da pós-democracia?

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