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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o olhar da inspecção-geral da educação

08.05.08

 

 



Criei, em 25 de Abril de 2004, este blogue com a ideia de dar sentido a uma vontade que me acompanha desde cedo: escrever umas coisas. Depois, derivei, também, para registos nos temas que acompanham o passar dos meus dias. Tenho resistido há ideia de publicar o que me vai chegando por mail ou mesmo aquilo que vou lendo na universo informativo em que se tornou esta rede fantástica: a internet.

Como sou professor, de vez em quando escrevo sobre educação. Já lá vão cerca de 100 posts dos 500 que já publiquei.

Ultimamente, e motivado pelos tempos conturbados que vivemos, a tendência para dedicar as publicações aos importantes temas da educação acentuou-se.

Quem me conhece melhor, sabe da minha vontade em perceber e realizar sistemas de informação que desburocratizem o tratamento da informação no sistema escolar. Tenho muito trabalho realizado e um razoável conhecimento sobre o estado da nação a esse nível e em todos os patamares do sistema. Tenho dois textos, um de 2005 e outro de 2008, que podem ajudar a perceber o que penso nessas matérias. Aqui e aqui.

E hoje recebi um mail que não resisto em publicar.

E porquê?

Considero que os serviços centrais do Ministério da Educação têm sido incapazes de produzir algo de moderno e razoável no âmbito do tratamento da informação em ambiente da sociedade da informação e do conhecimento. É suficiente recordar os inenarráveis concursos de professores. Ao longos dos anos fui conhecendo boas ideias, várias até, mas que esfumaram-se ao fim de poucos meses de vida. A Inspecção-Geral da Educação é, também, um espelho do que acabei de referir. Corre, muito atrás, dos procedimentos em curso em muitas das boas escolas portuguesas.

Está quase tudo por fazer e há explicações evidentes para isso. Algumas delas, e na minha modesta opinião, estão patentes nos dois textos a que fiz referência.

E o que a seguir publico deixa-me perplexo. Por mais explicações que me queiram dar, o conteúdo da "coisa" revela bem o horroroso espírito de desconfiança que instalou-se, e que mina, de modo muito perigoso, a relação entre o poder central e os professores. É isto que se considera prioritário?

Ora leia.


"A Inspecção Geral da Educação criou, na sua página oficial, uma secção de apresentação de queixas contra escolas. Eu não queria acreditar. Fui ver e verifiquei que era verdade. Veja, também, aqui. É o local ideal para pais ressabiados fazerem queixas dos professores. E hoje em dia, há pais a fazerem queixa de tudo: porque o professor embirra com o filho, porque o professor não deu 19 ao filho e ele assim não pode aspirar a entrar para Medicina e até porque o professor não deixou a filha atender o telemóvel na aula. De há três anos para cá que se nota uma alteração de fundo no papel dos inspectores. Antes de 2005, os inspectores visitavam as escolas quando tinham de visitar e faziam-no com um propósito formativo. Ajudavam os professores a diagnosticar as falhas e a encontrar soluções para os problemas. Nos últimos três anos, os inspectores passaram a ter um papel repressivo e punitivo. Todos os professores notaram essa mudança. É uma mudança tão notória que se verifica até no modo como os inpectores falam e se relacionam com os professores. A marca dominante, nos últimos três anos, é o distanciamento. Blog de Ramiro".

Coisa horrorosa.
Que raio de tempos estes.
O balão continua a encher. Rebentará?



(Que ler o que já escrevi sobre
política educativa? Clique aqui.)