Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

a floresta

11.04.08










O Teatro da Cornucópia é um valor seguro. "A floresta", de Aleksandr Ostróvski, o "pai" do teatro russo, estava nos últimos dias. Não a queríamos perder. O autor russo, por nós nunca visto, também impelia a nossa presença.

Entrámos cedo e ficámos na primeira fila. Aquelas duas bancadas frontais do histórico teatro, bem metidas na sala, garantem uma singular e privilegiada interacção com os actores. É muito envolvente. Gosto de ver teatro e dança na primeira fila.

A comédia, em cinco actos, começou às 21h00, em ponto. Sem darmos por isso, apareceu-nos o intervalo: 23h15 marcava o relógio. Impressionante.

Um elenco muito profissional, com destaque para a excelência de Márcia Breia e de João Paulo Vaz - neste caso, um actor que confirma um talento fora do comum - leva-nos em leveza até ao final do espectáculo.






Um texto que insere-se no ambiente da pátria de Tchecov, no início do século dezanove, e que descreve uma atmosfera marcada pela luta de classes que determinaria muito do que veio a passar-se naquela zona do mundo.






Se o meu caro leitor estiver interessado, encontra, por aqui, informação mais detalhada escrita pelo grande Luís Miguel Cintra.





(Quer ler o que já escrevi sobre educação?
Clique aqui.)

jazzvalado

10.04.08




Valado dos Frades é incontornável.

Desta vez, num programa que decorre de 10 a 18 de Abril de 2008, vai lá estar José Salgueiro, o meu percussionista preferido. Já o vi várias vezes. Um vez, assistimos, num pequeno bar de jazz em Alcobaça, que estava quase vazio, a umas boas duas horas inesquecíveis. José Salgueiro estava em noite sim e foi de um nível indizível.

Dia 11 de Abril, sexta-feira, pelas 22h00, teremos o seguinte trio: Miguel Martins (guitarra), Carlos Barreto (contrabaixo) e José Salgueiro (bateria).

Dia 12 de Abril, sábado, pelas 22h00, teremos: Carlos Bica (contrabaixo,) Mário Delgado (guitarra), João Paulo Esteves da Silva (piano) e José Salgueiro (bateria).


Promete

Pode ver, e ouvir, um pequeno vídeo com música do trio de Miguel Martins.



a dureza depois das conquistas a pulso

09.04.08











Hillary Rhodam Clinton está distante. É norte-americana e isso diz tudo. A cultura do seu país tem idiossincrasias que dificultam a sua compreensão para as pessoas que vivem na Europa.  Leio que é, dos dois candidatos do partido democrático às próximas eleições presidenciais, o que se situa mais à esquerda segundo os padrões europeus.

Também percebo que tem três fortes pontos críticos: é mulher, é casada com Bill Clinton e tem um grande rival no seu partido. Apesar disso, tem conseguido construir um trajecto singular e mantém-se com possibilidades de ser eleita. É obra.

As pessoas que a conhecem mais de perto traçam-lhe o carácter. Diz-se que Hillary Clinton é, por vezes, muito dura com os seus colaboradores, principalmente com aqueles que ocupam funções que ela já desempenhou. E explicam: Hillary conquistou tudo a pulso e trabalhou muito para obter bons resultados - é consensual na sociedade norte-americana a excelência profissional de Hillary Clinton, parece-me - e nunca conseguiu um lugar de poder sem ter de lutar muito por isso. Parece que irrita-se muito quando vê alguém usar o privilégio de decidir a vida das organizações, e das pessoas, claro, que dirige, sem fazê-lo com dedicação, com estudo e com sentido de responsabilidade. E não perdoa. Compreende-se.

Temos de esperar. Em breve saberemos quem é o candidato do partido democrático. Seja Hillary Clinton ou Barack Obama, o que espero é que haja uma mudança nas políticas da administração norte-americana.






(Quer ler alguns dos textos
que já escrevi sobre educação?

Clique aqui.)

weisman e cara vermelha

07.04.08








Tínhamos perdido a última peça do Teatro da Rainha nas duas primeiras semanas: restava a semana final, que coincidia com as curtas férias que estávamos a gozar.

Adiámos, por uma noite, a partida para a Andaluzia e não nos arrependemos. Faríamos, e fizemos, a viagem de automóvel e a latitude de horários adequava-se.

Parece-me que, a excelente companhia profissional de teatro sediada nas Caldas da Rainha, utiliza o sótão da antiga lavandaria do Hospital Termal da cidade em jeito de despedida. Só isso já justificava mais uma ida ao Teatro. Adivinha-se o uso do novo Centro de Cultura e de Congressos como espaço privilegiado. Novos e merecidos tempos.

"Weisman e Cara Vermelha" era o duelo anunciado. Um judeu (Fernando Mora Ramos) e um índio (Carlos Borges) disputam desgraças num combate olhos nos olhos, e de vida ou morte, e em pleno oeste norte-americano.
Mas não estão abandonados. O judeu está acompanhado pela sua filha (Bárbara Andrez, actriz que não conhecia e que tem um excelente desempenho) e temos uma breve participação de um caçador (Octávio Teixeira).

"Quem imaginaria um western judeu, duelo improvável entre um índio e um judeu, arbitrado por uma deficiente, filha protegida de um judeu? Um duelo entre povos martirizados, um duelo entre entidades relativizadas pelo cenário global em que submergimos (e em que emergimos, novo velho mundo. As tecnologias mais cirúrgicas de matar e os seus danos colaterais continuam a regra rupestre do "homem lobo do homem") e que finalmente se revela como um combate entre um injustiçado social, o índio, e um pequeno burguês planetário, o judeu." Texto retirado da literatura distribuida pela companhia.

Com bons cenários de José Carlos Faria e sempre acompanhados pela excelente banda sonora de Carlos Alberto Augusto - deve referir-se que estas duas componentes dos espectáculos do Teatro da Rainha são sempre de um nível muito elevado - vimos 1h30 de muito bom teatro. O autor do texto, George Tabori, "faz do humor uma categoria central, mas não um humor qualquer".


A não perder.




(Quer ler o que já escrevi sobre educação?
Clique aqui.)

alain resnais

05.04.08

 




 

Alain Resnais e o bom cinema francês estão de regresso. E parece que em grande forma. O cinema King, em Lisboa, exibe a última obra do cineasta do "Meu tio da américa (1980)".

Estou com a ideia que é uma produção renovada que consegue uma síntese muito interessante: um modo moderno de filmar e de produzir sem adulterar o registo mais autêntico do realizador. O cinema europeu bem precisa de produções assim. "Corações" teve uma boa recepção junto da crítica mais exigente.


No cinecartaz do jornal "Público" pode ler-se:

"Thierry é um agente imobiliário que tem tido dificuldades em encontrar um apartamento para uns clientes difíceis. A sua assistente empresta-lhe um programa de televisão religioso que ela adora. A irmã de Thierry procura secretamente o amor. Dan é um militar expulso do exército que passa as noites a desabafar com um barman de hotel. E os movimentos de cada um podem alterar ou influenciar a vida dos outros, sem sequer se tocarem ou cruzarem.."


A não perder.



 

(Quer ler o que já escrevi sobre educação?
Clique aqui.)

infernos de amor e de morte

03.04.08





Há publicações assim: comecei a escrevê-la em Dezembro de 2007 e só agora a consigo concluir. Tem uma explicação: foi tão fantástica a experiência que vivi que queria descrevê-la com todo o cuidado. O tempo foi passando e fui adiando a redacção. Não é a primeira vez que passo por um processo semelhante, pelo contrário. Quando fica tudo tão bem gravado, não corro o risco de perder da memória as impressões essenciais.

Recebemos um convite e ficámos expectantes: assistir à leitura encenada de uma peça que o Teatro da Rainha vai levar ao palco lá para os finais de 2008. Era a primeira vez que íamos assistir a uma sessão deste género. Como temos visto a totalidade dos espectáculos da companhia desde que, em boa hora, beneficiámos do seu regresso às Caldas da Rainha, tínhamos a certeza de que ia valer a pena. E assim foi: uma experiência única.

A antiga lavandaria do Hospital Termal, um sótão que transforma-se num deslumbrante espaço teatral, recebe a leitura encenada do texto, "Lavrador da Boémia", de 1401, de Joannhes von Tel: um lavrador que combate a morte.





Num cenário lindíssimo, com detalhes inesquecíveis, desde as pinturas de João Vieira - quatro quadros marcantes, quer em termos de desenho quer no valor cromático - à parte central do cenário com uma interessante alusão aos círculos do inferno de Dante.





Fernando Mora Ramos e António Durães, o lavrador e a morte, realizam a leitura encenada. Situei-me do lado do lavrador, gosto de tomar partido, e lutei com ele. O texto, considerando a sua datação, é de uma riqueza surpreendente.

Nem sei como estas coisas se processam, mas, parece-me, que devo ficar por aqui. Temos que aguardar pela estreia de "A pluma é a minha charrua", o novo título do espectáculo.

Participámos no debate. Fizemos as nossas amadoras sugestões. Gostámos do ambiente e percebemos que vivíamos um momento que seria bom que se repetisse.

Esperamos, ansiosos, pela subida ao palco.

Promete muito. Voltarei ao assunto.




(Quer ler o que já escrevi sobre educação?
Clique aqui.)

epoché

01.04.08

 



GUSTAV KLIMT - ŚMIERĆ I ŻYCIE





O quadro que escolhi, de Gustav Klimt (1862 - 1918), pintor austríaco, pode ter uma relação com o título do post.

Epoché é um estado de repouso mental (momento de dúvida) pelo qual nem afirmamos nem negamos. Coisa sábia e muito recomendável. Fizesse escola e...






(Quer ler o que já escrevi sobre educação?
Clique aqui.)

Pág. 2/2