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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

piadina no café central

19.04.08




Somos clientes do Café Central, das Caldas da Rainha, desde meados de 1989. Conheci, por lá, várias pessoas com quem fiz uma boa amizade. O Central é um bom espaço para a tertúlia, embora os tempos actuais, de afanada correria, não estejam muito de acordo com essa prática salutar. O Café tem uma localização privilegiada: situa-se em pleno centro da cidade, mais propriamente na conhecida Praça da República (a Praça da Fruta), e tem vindo a melhorar a sua decoração e o seu serviço, apesar dos altos e baixos das suas gerências: vive, actualmente, uma época muito interessante.

Mas nem sempre foi assim. Até 1994, o Café estava em plena degradação e a perder clientes de modo acentuado. Em 1995, foi objecto de uma bela transformação e modernizou-se, com bom gosto e com profissionalismo. Manteve intactos os aspectos mais importantes da sua decoração, com destaque para um painel de Júlio Pomar (1955). Esse momento alto prolongou-se por quatro ou cinco anos, tendo o Café passado, de seguida, um período negro que poderia ter resultado no seu encerramento definitivo: mudança de ramo comercial.

Até que apareceu uma gerência que se associou aos proprietários que deram corpo à renovação de 1995. Esta associação resultou bem: elevou ainda mais a ambiência e presta um serviço que se recomenda.

Neste momento tem uma esplanada coberta que a lei anti-tabaco impede que se torne num espaço ainda mais acolhedor.

Mas a grande novidade é gastronómica. A ementa do Café tem influências italianas, notando-se, nesse aspecto, a produção própria de uns apetitosos gelados. Agora, passa a servir "Piadinas".

A "Piadina" é uma espécie de pão, essa fantástica invenção alimentar, que tem origem na cidade de Bolonha. Pode comer-se com recheios diversos e vem acompanhada com vegetais da cultura alimentar transalpina.

A não perder.



sevilha

19.04.08





A península ibérica tem um rectângulo junto ao atlântico que em nada se assemelha ao resto do seu território. Por isso a longa e conhecido independência do citado quadrilátero (com os ângulos todos rectos).

Portugal tem uma singular organização territorial. Muito dispersa - por exemplo, de Lisboa a Leiria quase que não há um espaço desabitado -, com uma acentuada concentração populacional no litoral, e com cidades quase sem vida.

Passámos, recentemente, uns dias na cidade espanhola de Sevilha. Encontrámos, novamente, uma urbe muito animada, cheia de gente nas ruas, com esplanadas apinhadas de espanhóis e de turistas, com um leque variado de espectáculos, com centros de interesse cultural e patrimonial em permanente estado de visita e com muitas crianças a brincar pelas ruas. E é assim todos os dias. Quando saímos da cidade acabam as edificações e vemos paisagem, humanizada pela agricultura ou não.


Portugal é, como já referi, o contrário de tudo isso. As cidades têm alguma animação até ao anoitecer e, depois, os seus habitantes parece que imergem com o desígnio de enriquecer os números das audiências televisivas. Estranha coisa esta. Um país bafejado por um clima de eleição e com uma rica história não consegue despertar para a vida. Nem a capital foge a esta mediania. E o que mais me intriga é o desaparecimento das crianças do espaço público. Serão as propaladas vantagens de uma escola a tempo inteiro e o desafecto pelo convívio e pela "ágora"  que leva a que essa seja uma ideia tão popular?