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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

weisman e cara vermelha

07.04.08








Tínhamos perdido a última peça do Teatro da Rainha nas duas primeiras semanas: restava a semana final, que coincidia com as curtas férias que estávamos a gozar.

Adiámos, por uma noite, a partida para a Andaluzia e não nos arrependemos. Faríamos, e fizemos, a viagem de automóvel e a latitude de horários adequava-se.

Parece-me que, a excelente companhia profissional de teatro sediada nas Caldas da Rainha, utiliza o sótão da antiga lavandaria do Hospital Termal da cidade em jeito de despedida. Só isso já justificava mais uma ida ao Teatro. Adivinha-se o uso do novo Centro de Cultura e de Congressos como espaço privilegiado. Novos e merecidos tempos.

"Weisman e Cara Vermelha" era o duelo anunciado. Um judeu (Fernando Mora Ramos) e um índio (Carlos Borges) disputam desgraças num combate olhos nos olhos, e de vida ou morte, e em pleno oeste norte-americano.
Mas não estão abandonados. O judeu está acompanhado pela sua filha (Bárbara Andrez, actriz que não conhecia e que tem um excelente desempenho) e temos uma breve participação de um caçador (Octávio Teixeira).

"Quem imaginaria um western judeu, duelo improvável entre um índio e um judeu, arbitrado por uma deficiente, filha protegida de um judeu? Um duelo entre povos martirizados, um duelo entre entidades relativizadas pelo cenário global em que submergimos (e em que emergimos, novo velho mundo. As tecnologias mais cirúrgicas de matar e os seus danos colaterais continuam a regra rupestre do "homem lobo do homem") e que finalmente se revela como um combate entre um injustiçado social, o índio, e um pequeno burguês planetário, o judeu." Texto retirado da literatura distribuida pela companhia.

Com bons cenários de José Carlos Faria e sempre acompanhados pela excelente banda sonora de Carlos Alberto Augusto - deve referir-se que estas duas componentes dos espectáculos do Teatro da Rainha são sempre de um nível muito elevado - vimos 1h30 de muito bom teatro. O autor do texto, George Tabori, "faz do humor uma categoria central, mas não um humor qualquer".


A não perder.




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