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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

brand x (sempre repetido)

30.04.08

 

Neste dia faz-me falta a habitual chamada das 07h30 da manhã. Acordava com o toque do telefone. Há 30 anos que era sempre assim."Estavas a dormir?". "Não pai, tive de acordar mais cedo porque tenho umas coisas para fazer". E seguiam-se as conversas do costume.


O vídeo nem é grande coisa mas a música enche-me o coração. Um vinil dos Brand X chegou-me pela mão do meu progenitor aí por volta dos meus 20 anos.

Quer partilhar? Ao princípio estranha-se, mas são só os primeiros 30 segundos. Ora clique.



bobby

29.04.08






O fim-de-semana alargado do 25 de Abril, e a semana que o antecedeu, apanhou-me com uma gripe. Foram uns dias de recolhimento, já se sabe.

Aproveitámos para ver uns filmes que nos tinham escapado. Bobby, um retrato da tragédia que vitimou o malogrado Robert Kennedy, foi um dos escolhidos.

Bobby, muito menos conhecido que o seu irmão John F. Kennedy, era um homem que também prometia profundas mudanças na sociedade norte-americana. Era muito generoso e um verdadeiro democrata. Foi assassinado.

Quando se preparava para celebrar, no Hotel Ambassador, a sua vitória nas primárias do partido democrático, Robert Kennedy encontra os derradeiros momentos da sua vida. Previa-se que, depois dessa vitória, a sua eleição como presidente seria inevitável.

E é este o tema do filme.

Um filme diferente e quase exclusivamente filmado no Hotel Ambassador.
O realizador consegue dar-nos um retrato da sociedade norte-americana de então, através de uma narrativa que envolve os vários actores do hotel, que, nesses dias, tiveram ainda a presença de toda a corte que acompanha a máquina das eleições presidenciais norte-americanas.
Muito interessante.
Os olhos do hotel transformam-se numa espécie de psiquiatra da sociedade.

Robert Kennedy aparece muitas vezes, mas nunca na pele de um actor: o realizador socorre-se de um excelente recurso a imagens de arquivo.

É impressionante o modo com a indústria cinematográfica norte-americana nos vai contando a história do seu país.

O momento que antecede o assassinato de Bobby tem uma significativa e bela banda sonora. Comovente. Ora ouça.






candidaturas

29.04.08







A agenda mediática portuguesa está inundada de candidaturas.

Surpreendem-me sempre as candidaturas que se destinam a impedir a vitória de outrem: seja lá no que for. Não é um bom caminho.

Uma candidatura será bem sucedida se tiver um projecto e boas ideias. É, também, fundamental que o proponente se sinta com vontade em exercer a função porque tem uma firme e fundamentada convicção: vai introduzir significativas melhorias na instituição que pretende dirigir.

E quando escrevo bem sucedida, não estou a referir-me à vitória eleitoral: isso tem importância, claro, em alguns casos pode mesmo ser decisivo, mas tem um curto tempo de vida; refiro-me ao percurso futuro que é o que verdadeiramente deveria interessar.

praga de objectivos individuais

28.04.08


 




Uma praga de objectivos individuais invadiu as ideias de avaliação de recursos humanos na administração pública portuguesa: a eito e sem limites. Bem sei que as pragas não se eternizam, mas podem deixar marcas profundas.

Já eram bem conhecidos os objectivos individuais na avaliação do desempenho dos professores.

Agora, diz-se que a ASAE também estipula objectivos anuais para os seus inspectores: duas detenções, 8 processos-crime, 61 coimas e 124 autos.

Até os inspectores da Polícia Judiciária vão ter um novo critério na avaliação do seu desempenho: o número de acusações propostas ao Ministério Público.

Modernice, moda passageira ou ensandecemos de vez?

Órgãos de gestão incompetentes, é o que é.

E outras coisas mais, claro, mas isso deve-se em muito à opinião publicada e ao famoso "bullshit".




 

llibert fortuny no jazzvalado

21.04.08








A última noite do 11º  festival da jazz de Valado de Frades foi apoteótica.

O trio de Lilbert Fortuny (saxofone), com Gary Willis (baixo-eléctrico, com um currículo impressionante) e David Gómez (bateria, um percussionista que vi pela primeira vez e que deixou-me sem palavras) esteve soberbo. O concerto Triphasic fez jus ao nome: três músicos de eleição com uma "electricidade" constante, exibindo-se de modo muito intenso, utilizando muita electrónica, sempre em sintonia e quase nunca em sobreposição: foi fantástico, não me canso de repetir.

Detesto fazer comparações entre concertos, mas, e socorrendo-me de uma linguagem mais desportiva, o Triphasic parecia composto por músicos de altíssima competição e que situam-se num nível que raramente se vê: que profissionalismo e que qualidade, meu deus. Encheram a sala do principio ao fim: intensos (repito, mas foi mesmo muito assim), cheios de "swing", sempre melódicos e muito concentrados.

Nem sou muito dado a tanta "tecnologia" ao serviço da música, mas, como Llibert Fortuny não se cansou de enunciar, a composição dos temas foi realizada com muito amor. Impressionou-me o desempenho dos dois catalães: o saxofonista e o baterista. Enérgicos, incansáveis do primeiro ao último minuto, tocaram jazz de primeira água enriquecido com sonoridades de vanguarda: duro e puro em simultâneo, deixando-me completamente surpreendido.

O grande Gary Willis, num registo mais clássico, esteve sempre activo e garantiu um excelente suporte em todos os temas. Chegou a ser emocionante o modo como o baixo e a bateria conseguiam melodias de encher o coração e o como ambos davam espaço às enérgicas entradas do saxofone. Inesquecível. Llibert Fortuny mostrou-nos qualquer coisa de imenso e de transporte para o infinito.

Foram 4 os encores e por lá ficaríamos o resto da noite. Llibert Fortuny, também um excelente comunicador, terminou o último encore saindo do palco com um inventado - pareceu-me, já que, naquele nível, as "invenções" são o produto de muito trabalho anterior - refrão num registo de balada: "valado, valado, valado, obrigado". E repetia-o mesmo quando já não o viamos: uma bela maneira de despedir-se e de pronunciar: até à próxima.

Só mais uma nota: Llibert Fortuny (saxofone) e David Gómez (bateria, que deve ter acabado o concerto de rastos), dois jovens, aqueciam fisicamente para o concerto, situação que não é nada usual e que teve imensa piada; Gary Willis, muitíssimo menos jovem, não o fazia e dava a ideia que garantiria uma sabedora combinação entre gerações: se a intenção também era essa, foi plenamente conseguida.



Pode ver um pequeno vídeo, 2.33 minutos, do Triphasic.




piadina no café central

19.04.08




Somos clientes do Café Central, das Caldas da Rainha, desde meados de 1989. Conheci, por lá, várias pessoas com quem fiz uma boa amizade. O Central é um bom espaço para a tertúlia, embora os tempos actuais, de afanada correria, não estejam muito de acordo com essa prática salutar. O Café tem uma localização privilegiada: situa-se em pleno centro da cidade, mais propriamente na conhecida Praça da República (a Praça da Fruta), e tem vindo a melhorar a sua decoração e o seu serviço, apesar dos altos e baixos das suas gerências: vive, actualmente, uma época muito interessante.

Mas nem sempre foi assim. Até 1994, o Café estava em plena degradação e a perder clientes de modo acentuado. Em 1995, foi objecto de uma bela transformação e modernizou-se, com bom gosto e com profissionalismo. Manteve intactos os aspectos mais importantes da sua decoração, com destaque para um painel de Júlio Pomar (1955). Esse momento alto prolongou-se por quatro ou cinco anos, tendo o Café passado, de seguida, um período negro que poderia ter resultado no seu encerramento definitivo: mudança de ramo comercial.

Até que apareceu uma gerência que se associou aos proprietários que deram corpo à renovação de 1995. Esta associação resultou bem: elevou ainda mais a ambiência e presta um serviço que se recomenda.

Neste momento tem uma esplanada coberta que a lei anti-tabaco impede que se torne num espaço ainda mais acolhedor.

Mas a grande novidade é gastronómica. A ementa do Café tem influências italianas, notando-se, nesse aspecto, a produção própria de uns apetitosos gelados. Agora, passa a servir "Piadinas".

A "Piadina" é uma espécie de pão, essa fantástica invenção alimentar, que tem origem na cidade de Bolonha. Pode comer-se com recheios diversos e vem acompanhada com vegetais da cultura alimentar transalpina.

A não perder.



sevilha

19.04.08





A península ibérica tem um rectângulo junto ao atlântico que em nada se assemelha ao resto do seu território. Por isso a longa e conhecido independência do citado quadrilátero (com os ângulos todos rectos).

Portugal tem uma singular organização territorial. Muito dispersa - por exemplo, de Lisboa a Leiria quase que não há um espaço desabitado -, com uma acentuada concentração populacional no litoral, e com cidades quase sem vida.

Passámos, recentemente, uns dias na cidade espanhola de Sevilha. Encontrámos, novamente, uma urbe muito animada, cheia de gente nas ruas, com esplanadas apinhadas de espanhóis e de turistas, com um leque variado de espectáculos, com centros de interesse cultural e patrimonial em permanente estado de visita e com muitas crianças a brincar pelas ruas. E é assim todos os dias. Quando saímos da cidade acabam as edificações e vemos paisagem, humanizada pela agricultura ou não.


Portugal é, como já referi, o contrário de tudo isso. As cidades têm alguma animação até ao anoitecer e, depois, os seus habitantes parece que imergem com o desígnio de enriquecer os números das audiências televisivas. Estranha coisa esta. Um país bafejado por um clima de eleição e com uma rica história não consegue despertar para a vida. Nem a capital foge a esta mediania. E o que mais me intriga é o desaparecimento das crianças do espaço público. Serão as propaladas vantagens de uma escola a tempo inteiro e o desafecto pelo convívio e pela "ágora"  que leva a que essa seja uma ideia tão popular?




duas noites de jazz

17.04.08


Passei duas belas noites a ouvir jazz em Valado de Frades. O festival regressou ao renovado espaço da biblioteca, mais pequeno mas mais afável, e manteve a mesma atmosfera entusiasmante.

Gosto sempre de ouvir jazz ao vivo. Raramente saio aborrecido e, mesmo quando a coisa começa a repetir-se em demasia, nunca perco o optimismo. Sou um cliente muito pouco exigente.

José Salgueiro, um dos meus percussionistas de eleição, tocou em ambas as noites. Esteve bastante melhor na primeira. Acompanhado por Carlos Barreto (contrabaixo) e por Miguel Martins (guitarra), o genial baterista teve alguns momentos altos e manteve-se atento e muito colaborante. Deu para matar saudades. Carlos Barreto, com um parco recurso ao arco, mas quando o fez arrancou uma sonoridade de rara beleza, dedilhou com mestria e combinou na perfeição com o duo que o acompanhava. Foi a segunda vez que ouvi Miguel Martins, um guitarrista muito bom. Esteve quase perfeito. E digo quase, porque por uma ou outra vez, raras é certo, arrancou aquelas distorções que paralisam a minha audição. Problema meu, sei bem disso, mas desgosta-me esse tipo de excesso dos guitarristas quando ouço jazz. Uma noite plena e muito conseguida.

Na segunda noite, José Salgueiro esteve distante. Nem parecia o mesmo. Esteve completamente discreto e apenas num dos encores, foram três, deu um ar da sua graça. Teria de ser mesmo assim?
Carlos Bica, um contrabaixista que faz da utilização do arco a parte maior da sua actuação impressionou-me. Um grande profissional. O pianista, João Paulo Esteves da Silva não destoou, bem pelo contrário, e Mário Delgado esteve muito bem. Bem melhor do que é costume, para o meu referido gosto, claro. O guitarrista com mais pedais de distorção que já tive oportunidade de ver, esteve muito comedido nesse aspecto. E ganhou o concerto. Tocou-se muita música dos álbuns de Carlos Bica, fez-se umas incursões pelo Tango e pelo Rock, e na globalidade resultou bem.

Nenhuma das noites foi inesquecível mas valeu a pena. Esta semana voltam os concertos. Tenho agendado o concerto de Sérgio Carolino, o homem da tuba - vão ser três tubas em palco - e espero não faltar.

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