Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

no vale de elah

11.03.08





A sala dois do cinema Delta, nas Caldas da Rainha, tinha dois espectadores: sentei-me a meio da sala, acomodei a atenção e parti para mais uma emocionante viagem transportado por Paul Haggis: o realizador do premiado "Crash" - e o argumentista de "Million Dollar Baby", "As Bandeiras dos Nossos Pais" e "Cartas de Iwo Jima" -, assina uma obra cinematográfica que comoveu-me.

No "Vale de Elah" é mais um filme sobre as consequências da guerra. As guerras, do Iraque e do Afeganistão, continuam a dilacerar os Estados Unidos da América. Serão incontáveis as vítimas deste morticínio, cujas repercussões deverão ocupar as próximas gerações. Neste caso, o retrato de Paul Haggis, abrange o sofrimentos dos jovens militares e dos seus familiares e amigos mais chegados. E já se sabe: tornar-se-á numa psicose colectiva que rasgará em pedaços e com violência a sociedade americana.


Mike Deerfield (Jonathan Tucker), filho de Hank (Tommy Lee Jones), um veterano da guerra, e de Joan (Susan Sarandon), regressa do Iraque. Fica incontactável e recebe o estatuto de desertor. Quando os pais recebem o telefonema com a notícia - ainda não tinham visto o filho - Hank decide iniciar uma busca. Emily Sanders (Charlize Theron), uma detective, ajuda-o na investigação. Com o decurso da minuciosa indagação, Hank contacta com os horríveis detalhes da missão do filho no Iraque. O ambiente do filme é muito silencioso mas suficientemente ensurdecedor: por vezes, numa rádio ou numa televisão, percebe-se que passa mais um discurso do trágico George W. Bush.
Num argumento construído para um final arrepiante e surpreendente, destaquei a derrota das crenças do veterano da guerra, num excelente desempenho de Tommy Lee Jones.

Deixei-me ficar um bom bocado na sala, recompus-me, e saí.

Valeu.


(Quer ler o que já escrevi sobre educação?
Clique aqui.)