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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

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sua excelência (4)

04.03.08
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Sua Excelência adoptava o padrão da complexidade.

Era como se lhe tivessem explicado o mito de Sísifo de pernas para o ar: a pedra redonda desce num infinito movimento uniformemente acelerado, e, nunca mais sobe.

- Como o universo é curvo, dizia, o círculo é a forma geométrica da excelência.

O lema de Sua Excelência deixava perplexos os geómetras da sua instituição. Considerava-se um caso exemplar de eficiência: mantinha todos ocupados o tempo todo e nunca admitia o fim de um procedimento.

Encontrava sempre pequenos pormenores a serem corrigidos: nem que fosse pela cor da tinta da caneta. Tinha o decreto respectivo na ponta da língua e emoldurado na parede, atrás da sua cadeira.

A instituição que Sua Excelência chefiava, movimentava-se aparentemente e obedecia ao princípio zero da reinvenção. O veredicto de Sua Excelência era aguardado no mais temeroso e pálido silêncio e nada circulava sem passar por Sua Excelência.

Sua Excelência confundia-se com o conceito de fim: tinham-lhe falado no fim da história. Isso intrigava-o e desesperava-o: qual seria o seu lugar? Passava horas a ler as crónicas de história contemporânea, no semanário regional editado na sua pequena cidade, à procura de luz. Nunca a encontraria, desconfiava ele ao adormecer.





(Reedição. 1ª edição em 11 de Setembro de 2006.)

tantas e tão poucas

04.03.08




"Tantas e tão poucas" é uma homenagem a Maria de Lurdes Pintassilgo. Lembro-me bem de a ter ouvido dizer: "o espírito do 25 de Abril está a fugir".

Cristã convicta, ao que julgo saber, e uma democrata de corpo inteiro. Conseguia associar duas características fundamentais: determinação nas suas acções e confiança e respeito pelos outros.

Foi a primeira mulher a desempenhar, por pouco tempo, é certo, as funções de primeira-ministra de Portugal. Candidatou-se à presidência da república no início da década de oitenta do século passado e foi derrotada: os eleitores escolheram Mário Soares.

A Fundação Cuidar o Futuro, dedica-se a isso mesmo: permitir que a sua obra, e o seu exemplo cívico e de participação, nos ajude a iluminar os conturbados tempos que se vivem e a encontrar caminhos de progresso e de equidade.



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