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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

momento

25.02.08

 

Vivemos um período de acentuada contestação na área da educação. Tenho escrito muito sobre isso e poderia redigir muito mais. Estou, ainda, convencido da situação de crise social que se vive no país. A irritação com as políticas em curso sobe de tom. E argumentar com o imperativo das reformas parece-me pouco conhecedor. No caso da educação, esse estafado raciocínio revela um profundo desconhecimento do que se passa. Quem contesta, e na maioria dos casos, fá-lo porque desespera por verdadeiras mudanças no caminho da simplicidade e da modernidade.

Se o meu caro leitor estiver para isso, clique aqui e encontrará um resumo de tudo o que, sobre o assunto, tenho publicado no meu blogue.

 

Nem quero advogar um estatuto de adivinho: o que me move, é a confiança, para alguns demasiado temerária, em considerar-me uma pessoa dedicada aos assuntos da educação.

amnistia internacional

25.02.08

 

Tenho muito respeito pelas actividades da Amnistia Internacional que se destinam ao nobre princípio de pugnar por "um mundo em que cada pessoa desfrute de todos os Direitos consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos". Sei que este tipo de organizações são, por vezes, olhadas com alguma desconfiança pelos cidadãos das mais variadas partes do mundo.

Conhecemos histórias de abusos, principalmente na apropriação indevida de fundos por parte de alguns dos membros das chamadas ONG´s e da ONU. Também sabemos do desvio que alguns dirigentes, quer os dos povos doadores quer, ainda, os das populações em situação de absoluta indigência, fazem dos bens materiais que se destinam a minorar sofrimentos sem fim.

A Amnistia Internacional mantém uma aura que, parece-me, pode considerar-se imaculada. Produziu um pequeno vídeo muito belo. Ora clique.



 

 

call girl

23.02.08


Tenho passado alguns fins de tarde nas salas do único cinema da cidade onde vivo. O cinema é o Delta (de acordo com o dicionário que consegui acrescentar ao elenco de "widgets" - qualquer coisa como pequenas aplicações - do sistema operativo do meu computador: "quarta letra e terceira consoante do alfabeto grego; terreno situado entre dois ou mais braços de um rio, junto à foz, apresentando a forma da letra grega deste nome"), e tem uma agenda limitada pelos discutidos critérios de bilheteira. Compreensível.

Mas não resisto: entre uma abalada até à Foz do Arelho, uma tarde bem passada no sossego da minha casa ou uma ida ao cinema, tenho escolhido a última alternativa. Embora o inverno já não seja aquilo que foi, a ideia de antecipar as idas à Foz parece-me arriscada. Uma vez por semana, procuro ir ao cinema. Sou, minimamente, claro, criterioso na escolha, ou seja, não vejo tudo o que exibem: e isso limita-me. A sala está quase sempre vazia, vejo os filmes acompanhado de três ou quatro pessoas, no máximo.

Tenho visto poucos filmes realizados por portugueses: e isso aborrece-me. A produção é reduzida e a maioria das fitas não passa por aqui.

"Jogos de Poder" e "Call Girl" estavam em exibição simultânea: o primeiro já o tinha visto e "Call Girl" foi, então, a escolha possível. O realizador, António-Pedro Vasconcelos, é um nome que me merece respeito. Realizou filmes marcantes: "Oxalá", que reflectia o Portugal de depois da Revolução ou "O Lugar do Morto", que tem excelentes ideias de cinema.

"Call Girl" é um filme fraco, mas com bons actores, e tem pormenores inaceitáveis: o bigode da personagem interpretada pelo excelente Nicolau Breyner é completamente artificial: vê-se ao longe e de primeira.

O argumento é vulgar e exagera nos lugares-comuns. Enfim, um filme que se vê mas que rapidamente se esquece.

ler e reter

14.02.08





(foto de Robert Frost,
o poeta americano que escreveu
e leu (a intensidade do brilho solar impediu-o
de ler o poema escolhido) um poema na cerimónia
de tomada de posse do John F. Kennedy.
Se o meu caro leitor estiver para isso,
encontra por aqui um belo poema
de Robert Frost intitulado de
"vidoeiros")



Eis que se aproximam momentos relevantes para a história deste nosso mundo: a eleição do próximo presidente dos Estados Unidos da América.

O processo de escolha dos candidatos vai fazendo o seu caminho. A esperança na mudança reside nas candidaturas do partido democrático. São demasiadas e bem fundadas as críticas  sobre as políticas da actual administração. Paul Robin Krugman é uma das pessoas que faz referências críticas sistemáticas que fogem ao importante, e cruel, tema da guerra. É economista, professor na Universidade de Princeton, tem vários livros publicados e escreve uma coluna bissemanal no The New York Times.

Crítico da "Nova Economia", designação que surgiu no dobrar do milénio, para narrar a transição de uma economia de predominância industrial para uma economia baseada no conhecimento e nos serviços, em resultado do avanço tecnológico e da globalização económica.

Com a crise do liberalismo selvagem em que vivemos associado ao bloqueamento proporcionado às chamadas políticas sociais, espera-se da nova administração americana a capacidade de reinventar o sonho e a poesia e de renovar a esperança. Com uma árdua caminhada pela frente, quem quer que venha a obter o privilégio, e a oportunidade, de fazer história, deve considerar atentamente o seguinte diagnóstico de Krugman:

«Para compreender o aumento da desigualdade social nos EUA não podemos deixar de considerar o papel das políticas prosseguidas por sucessivas administrações americanas desde o final da década de 1970, que incluem:
o ataque ao movimento sindical, que reduziu o poder de negociação dos trabalhadores;
os cortes radicais nos impostos sobre os rendimentos;
as restrições políticas e sociais à acção das administrações de empresas privadas (nomeadamente, na distribuição de dividendos);
o ataque à segurança social pública.
Estas e outras medidas foram promovidas por políticos cuja principal preocupação consistiu em satisfazer os desejos dos interesses milionários que lhes pagaram as campanhas.»




existem dias assim

08.02.08



(fiz esta fotografia no dia 7 de Fevereiro de 2008)




Faleceu hoje, dia sete de Fevereiro de dois mil e oito, Maria Júlia da Conceição. Tinha cerca de noventa anos de idade. Se o meu caro leitor associar aquilo que escrevi à imagem que escolhi para ilustrar este meu texto, ficará, decerto, com uma das seguintes ideias: ou o autor do blogue não está com grande matéria para escrever ou então - e este segundo caso é o mais provável - serei condenado por estar demasiado distraído dos verdadeiros problemas do país. De um modo ou de outro, tenho de dizer-lhe que existem dias assim.

Parti, hoje, com destino a Leiria, terra de uma parte significativa da minha família, e por lá passei umas horas inesquecíveis. Fui ao funeral da minha tia freira: foi quase sempre assim que a conhecemos. Sabia que a Tia Maria, a irmã mais velha do meu pai, tinha decidido - ou alguém por ela - a sua absoluta reclusão enquanto jovem, muito jovem ainda. Foi a única, das suas sete irmãs, a seguir o caminho da completa religiosidade. Falei com ela poucas vezes, mas registei sempre um sorriso sereno e uma ternura infinita.

Encontrei, na zona do convento onde passou os seus últimos tempos, um ambiente calmo, recatado, rodeado de floresta e e com sinais de uma ruralidade que lá vai aguentando os desmandos de um urbanismo guloso e muito apressado. O convento assemelha-se a um centro de dia e de noite, mas, e pelo menos neste caso, aparenta respirar numa atmosfera fraterna e solidária.

Surpreendi-me com a missa: estava rodeado por algumas dezenas de freiras, idosas, e na esmagadora maioria dos casos, muito idosas até: algumas acompanharam-nos até à última morada de Maria Júlia da Conceição.

E é de moradas que vos fala a imagem que escolhi: dali, do último lugar da minha tia, vê-se a casa do meu avô; habitação centenária, terreno cortado pelas novas estradas que se abrem e que, diz-se, rasgam horizontes, e um conjunto de árvores que teima em resistir; sei, de fonte segura, que aqueles troncos confortaram vezes sem conta as diabruras das crianças do casal de Santo António: também da minha Tia e também do meu Pai  - com especial destaque para a árvore que fotografei em primeiro plano -.

Para isto, a língua portuguesa tem um quase singular vocábulo: saudade.

barack obama ou hillary rodham clinton

03.02.08




Qualquer que seja o presidente americano, o sistema de governação é o mesmo? Quero acreditar que não. Convenço-me que, e apesar dos interesses instalados e que nos dominam, as diferenças entre os homens que têm exercido essas funções determinam as mudanças que se têm verificado. Umas muito positivas outras de uma negatividade extrema. A história demonstra-o.

Lembro-me bem do chocante assassinato de John F. Kennedy e da saga que se seguiu: fiquei, para sempre, muito atento às eleições presidenciais nos Estados Unidos da América.

Anos depois, acompanhei com muito entusiasmo a primeira eleição de Bill Clinton. Fiquei satisfeito com a sua difícil vitória.

Mais recentemente, passei uma madrugada agarrado aos canais de televisão por cabo, e à internet, para assistir ao escrutínio que permitiria eleger All Gore. Em vão. Apesar de contar com mais votos, o homem da "verdade inconveniente" foi derrotado, num processo que teria um estranho epílogo dias depois. Adivinharam-se os tempos conturbados que hoje se vivem.

Com Jonh Kerry, apesar de não acreditar muito na sua eleição, passei pela mesma frustração.

Hoje, renova-se a esperança. O partido democrático tem condições pera ver um seu candidato vencer as próximas eleições presidenciais. Tenho muito respeito e muita simpatia, quer por Barack Obama quer por Hillary Rodham Clinton. São os candidatos mais bem posicionados à nomeação do partido democrático. Há argumentos muito fortes para desejarmos a eleição de um deles: (des)esperemos por Novembro de 2008.