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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

precisamos de ser esclarecidos

28.01.07







A PSP do Funchal começou a inquirir os docentes que participaram nas últimas manifestações contra as propostas do ministério da educação.

Estupefacção? Sim, absoluta estupefacção. Há por aqui qualquer coisa de muito estranho.

Precisamos de ser esclarecidos.

dias e mais dias no tribunal

25.01.07






Decorria o ano de 1997 e tinha acabado de tomar posse como presidente do Conselho Executivo de uma escola portuguesa. Ao final do dia, e no momento do embarque de muitos dos alunos para os transportes escolares, o caos instalava-se. A situação tinha contornos assustadores, uma vez que os autocarros tinham de fazer a inversão de marcha - a rua principal da escola é um beco sem saída - numa zona estreita e estavam rodeados por alunos. A administração local tinha deixado a situação no mais completo desleixo. Até que, num dia de inverno, por volta das 18h40, a tragédia abateu-se sobre todos nós: o Telmo, um jovem de 14 anos, é atropelado mortalmente por um dos autocarros; fui dos primeiros a acorrer ao local e guardo, ainda hoje, imagens da desgraça.

Seguiu-se a saga do tribunal. Visitas e mais visitas na presença dos pais e do motorista: a atmosfera destes encontros oscila sempre entre a amargura e a consternação; não há espaço para mais.

Escrevo este post em 24 de Janeiro de 2007, preenchido por um sentimento de desilusão pela desgraçada sociedade que temos construído - ei!, todavia, continuo com um invencível optimismo -.

Dez anos depois, as audiências estão em estado interminável: hoje, não havia sala disponível. Tinham sido convocadas mais audiências do que o número de salas: e já não é a primeira vez.

Soube, por um dos advogados, que as declarações que prestei no processo foram gravadas, e "perdidas": umas estão inaudíveis e as outras não tiveram as cassetes devidamente etiquetadas.
Com episódios ao melhor estilo de Kafka, lá ficámos a saber que voltaremos: os pais, o motorista, as testemunhas, os advogados e até a psiquiatra que ajuda a mãe do Telmo. Um pesadelo sem fim.

Não me vim embora sem primeiro reclamar no livro amarelo. Neste caso, como em muitos outros, faz-se o que se pode.

o medicamento que faltava ou, só faltava este

23.01.07















Legenda: Os comprimidos transformam um professor normal num génio em todas as áreas disciplinares; a embalagem contém: 2 comprimidos para língua portuguesa; 2 comprimidos para matemática; 2 comprimidos para ciências; 6 comprimidos para expressões várias; 10 comprimidos para dores de cabeça; Tem ainda uma nota, emanada pelo Ministério da Educação: "Quando ouvi falar nestes comprimidos, lembrei-me de criar o professor tutor" - palavras da actual ministra do sector.

maria antonieta

22.01.07

 



Surpreendente.

Sofia Coppola realiza uma fita com cenários do século 18 mas envolvida por uma banda sonora do século 21. No início do filme, o armário de uma futura rainha tem, na zona do calçado, umas sapatilhas “converse” - modelo tradicional -: é tudo muito rápido mas não deixa de elevar a nossa atenção.

Embora um pouco previsível, a história é belíssima e contada com uma rara sensibilidade. Muito bem interpretada por Kirsten Dunst, vi este filme nas belas salas de Santarém. Começou por ser uma escolha de circunstância e acabou por tornar-se num belo momento de cinema.

 

"Versão pop de Maria Antonieta, a rainha francesa que subiu ao trono adolescente e acabou odiada pelos franceses e condenada à guilhotina. Com Kirsten Dunst como protagonista, Sofia Coppola, que se inspirou na biografia da historiadora britânica Antonia Fraser, pinta o retrato da jovem rainha de origem austríaca que encontra em França um universo frívolo e hostil. Mal-amada, ultrapassada pelos deveres reais, Maria Antonieta reinventa o seu próprio mundo, longe da realidade do país, o que a torna ainda mais impopular junto do povo. Condenada à morte, morreu na guilhotina a 16 de Outubro de 1793."


A não perder.

lançamento do joost

21.01.07





Ainda não é notícia de primeira página, mas tenha a ideia de que o será em breve: os tempos correm no sentido do lançamento do " AppleTV ", aparelho que, e embora ofuscado pelo lançamento do Iphone da Apple, vai ajudar a modificar um hábito diário de milhões de pessoas: deixar de ligar a televisão para passar a fazê-lo com a internet.

Joost é nome escolhido pelos fundadores do Skype, para o novo serviço de televisão pela internet, conhecido até agora por Projecto Veneza. O objectivo é transmitir conteúdos televisivos de alta definição através do protocolo "peer-to-peer"

("peer-to-peer é uma tecnologia para estabelecer uma espécie de rede de computadores virtual, onde cada estação possui capacidades e responsabilidades equivalentes. Difere da arquitetura cliente/servidor, no qual alguns computadores são dedicados a servirem dados a outros. Esta definição, porém, ainda é demasiado sucinta para representar todos os significados do termo peer-to-peer),

permitindo ao utilizador personalizar o seu canal e conversar com outros ciberespectadores.

No site joost.com podemos consultar imagens do serviço e candidatarmo-nos ao teste em curso na versão beta.

voto sim

19.01.07


Voto sim.

Sim, no referendo marcado para Fevereiro de 2007, vou votar sim. E é simples: o aborto deve ser despenalizado, de acordo com a formulação da pergunta.

Toda a restante discussão, e já lá vão anos a fio em que esta temática é dissecada na nossa sociedade, parece-me um constante arremesso de pedras com efeito de bola de neve: ai dizes isso?; não me fico.

Só faltava agora as polémicas à volta do financiamento público aos movimentos: as desgraças habituais, perpetradas por quem desespera por mais uma boa oportunidade de negócio sem esforço mas com uma dose acentuada de esperteza.

Irra: não lhes chegou os fundos estruturais? Há novo quadro até 2013.

Haja decoro e respeito pelas mulheres.

Chega. Faça-se a campanha, vote-se, que ninguém se esqueça de o fazer, e que se mude a lei.

Assim o espero.

passageiros em trânsito

18.01.07






Peguei nos "Passageiros em trânsito", um livro de vinte contos, recente, de 2006, de José Eduardo Agualusa, e comecei a ler: pareceu-me - assim como quando nos vem à memória a ideia: conheço aquela cara de qualquer lado - que já os tinha lido: estranha sensação.

E fui saber: numa nota final, o autor afirma já ter publicado a maioria dos contos na revista "pública". Não fiquei aborrecido, até porque nem havia motivo para isso. Reli-os quase todos e gostei bastante.

"Um índio peruano atravessa lentamente, numa velha bicicleta, a imensa solidão do Sul de Angola. O que faz ali? Um diplomata angolano desaparece em Brasília como se nunca tivesse existido. Terá realmente existido? ... São passageiros em trânsito (como todos nós), mas nenhum conhece realmente o seu destino. Vinte contos para viajar."

babel

14.01.07









A Torre de Babel, erguida pelos vindouros de Noé, é descrita na Bíblia como uma edificação que facilitaria a entrada no reino de Deus. Mas este, indignado com a tentativa de invasão de uma espaço interdito a humanos, institui-lhes idiomas diversos. Surgiram, assim, as diferentes línguas que nos complicam a comunicação.

Vem isto a propósito, novamente, do festival de cannes 2006.

Alejandro Gozález Iñárrritu
, realizador mexicano e em primeiro plano na foto, recebeu mais de 10 minutos de ovação pela exibição do seu filme Babel.

Depois de 21 Gramas (2003) e Amores Brutos (2000), Iñárrritu filma quatro histórias, situadas em Marrocos, no México e no Japão, e que se entrelaçam por um motivo comum: um homem e uma mulher, recém-casados, em férias.

Com um bom elenco, Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal, James Melody e Elle Fanning, pode ler-se seguinte:

“Na fila em frente àquela em que González Iñárritu e a sua equipa estavam sentados, Chiara Mastroianni e Elodie Bouchez choravam copiosamente. Três filas adiante, o próprio Pedro Almodóvar, considerado forte candidato com o seu magnífico Volver, comentou alguma coisa ao ouvido de Penelope Cruz e ambos cruzaram as mãos sobre o peito, enviando um abraço para o concorrente. É um filme coral, contando três histórias de paternidade que se articulam dentro da mesma temporalidade de Amores Brutos. Como nos filmes anteriores, esta torre tem como alicerces a força do acaso, a fatalidade e a inflexibilidade do destino, além dos apoios secundários de três histórias cuja interconexão parece inexistente no início. Babel aborda temas tão diferentes como a imigração de mexicanos para os EUA, a paranóia antiterrorista e o isolamento causado pela invalidez. Uma das explicações para a boa aceitação pode estar na história, baseada na narrativa bíblica da Torre de Babel. Entretanto, a confusão de línguas não foi "um problema" para González Iñárritu".

Iñárritu
diz que se interessa por aquilo que nos une: "O problema são os preconceitos que separam os seres humanos. Como seres humanos, o nosso conceito da felicidade é muito diferente, mas o que nos faz sentir mal é o mesmo para todos: a impossibilidade de sentir e expressar o amor", declarou.

Impossível de perder.


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