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Correntes

em busca do pensamento livre

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hospitais, sa

14.11.06





Li a notícia que se segue e fiquei estupefacto, ou talvez não:

"O Tribunal de Contas faz uma avaliação arrasadora da gestão dos 31 hospitais SA. Estas unidades de saúde receberam 898 milhões de euros, em 2003, quando passaram a sociedades anónimas. Contudo, este reforço de verbas – à parte do financiamento anual – não foi o suficiente. Sete hospitais recorreram a empréstimos à Banca e o endividamento ascendeu a 16,4 milhões de euros.

Os juros a pagar ultrapassaram os 100 mil euros em dois anos. E não é tudo: no final de 2003 apresentaram um saldo negativo de 116 milhões de euros, enquanto no ano anterior – quando eram hospitais públicos – o saldo era positivo, de nove milhões de euros.
O Tribunal de Contas também não poupa críticas às entidades com competência para fiscalizar aqueles hospitais – Unidade de Missão e Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde (IGIF), dependentes do Ministério da Saúde –, acusando-as “de não procederem a um adequado controlo financeiro, em 2003 e 2004, em especial ao endividamento resultante dos compromissos assumidos perante os fornecedores, no sentido de acautelar necessidades de financiamento futuras”.
Refira-se que os hospitais SA mudaram o modelo de gestão em 2005, deixando de ser sociedades anónimas e passando a designar-se entidades públicas empresariais (EPE).
Custos com pessoal
As despesas com o pessoal representaram o maior acréscimo nos custos dos hospitais SA, mais do que com mercadorias, material clínico, fornecimentos ou serviços exteriores.
Essa despesa foi mais de mil milhões de euros (1006 milhões) em 2003 – representando um aumento de 18 por cento face ao ano anterior –, aumentando para os 1042 milhões de euros em 2004.
Surpreendido, pela negativa, com estes resultados mostrou-se Manuel Delgado, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares. “Este relatório é arrasador e revela a derrapagem financeira que se registou nestes hospitais. É evidente que não houve um grande controlo na gestão hospitalar”, comenta ao CM.
O administrador hospitalar Manuel Delgado não tem dúvidas de que o modelo dos hospitais SA “falhou”, porque, sublinha, “tiveram dinheiro fresco [898 milhões de euros] e não se coibiram de contrair empréstimos bancários, com 16,4 milhões de euros”.
O relatório do Tribunal de Contas não revela, contudo, quais são os sete hospitais que contraíram empréstimos à Banca – onze milhões em 2004 e 5,4 milhões em 2005, originando o pagamento de 105 260 euros de juros referentes aos dois anos do empréstimo".

O que é isto?