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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

protestos

17.11.06


Quando alguém, em grupo ou individualmente, protesta de modo persistente, deve merecer a maior das atenções: e lembrei-me disto a propósito da caso “rivoli” na cidade do Porto e fiz a analogia com a saga do Macartismo - referente ao senador, Joseph McCarthy - que tão bem retratado foi no excelente filme “good night and good luck”.
E lembrei-me dos tão falados protestos de professores a que Portugal tem assistido.

É bom que se aprenda.

manifesto da exposição de amadeo de souza cardozo

16.11.06




Em Portugal existe uma única opinião sobre Arte e abrange uma tão colossal maioria que receio que ella impere por esmagamento. Essa opinião é a do Exmo. sr. dr. José de Figueiredo (gago do governo).
Não é porque este sr. Tenha opinião nem que este sr. seja da igualdade do resto de Portugal mas o resto de Portugal e este senhor em matéria de opinião são da mesma igualha. Um dia um senhor grisalho disse-me em meia-hora os seus conhecimentos sobre Arte. Quando acabou a meia-hora descobri que os conhecimentos do senhor grisalho sobre Arte eram os mesmos que o Exmo .. senhor Dr. José de Figueiredo usava para me pedir um tostão (1): Pensa o leitor que faço a anedota? Antes fôsse: Mas a verdade é que estou muito triste com esta fúria de incompetência com que Portugal participa na Guerra Europeia. E que horrôr, caros compatriotas, deduzir experimentalmente que de todas as nossas Conquistas e Descobertas apenas tenha sobrevivido a Imbecilidade. E daqui a indiferença espartilhada da família portugueza a convalescer à beira-mar.
Algumas das raras energias mal comportadas que ainda assômam à tôna d'água pertencem alucinadamente a séculos que já não existem e quando Um Portuguez. genialmente do século XX, desce da Europa, condoído da pátria entrévada, para lhe dar o Parto da sua Inteligência, a indiferença espartilhada da família portugueza ainda não deslaça as mãos de cima da barriga. Pois, senhores, a Exposição de Amadeo de Souza Cardozo na Liga Naval de Lisboa é o documento conciso da Raça Portugueza no século XX.
A Raça Portugueza não precisa de rehabilitar-se, como pretendem pensar os tradicionalistas desprevenidos; precisa é de nascer pró século em que vive a Terra. A Descoberta do Caminho Marítimo prá Índia já não nos pertence porque não participamos d'este feito fisicamente e mais do que a Portugal este feito pertence ao século XV.
Nós, os futurístas, não sabemos História só conhecemos da Vida que passa por Nós. EIles teem a Cultura. Nós temos a Experiência ⎯ e não trocámos!
Mais do que isto ainda Amadeo de Souza-Cardozo pertence à Guarda Avançada nA MAIOR DAS LUCTAS que é o Pensamento Universal.
Amadeo de Souza Cardozo é a primeira Descoberta de Portugal na Europa no século XX. O limite da descoberta é infinito porque o sentido da Descoberta muda de substância e cresce em interesse ⎯ por isso que a Descoberta do Caminho Marítimo prá Índia é menos importante que a Exposição de Amadeo de Souza Cardozo na Liga Naval de Lisboa.
Felizmente pra ti, leitor, que eu não sou crítico, razão porque te não chateio com elucidaçães da Arte de que estás tão longinquamente desprevenido; mas amanhã, quando souberes que o valor de Amadeo de Souza-Cardozo é o que eu te digo aqui, terás remorsos de o não têres sabido hontem. Portanto, começa já hoje, vae à Exposição na Liga Naval de Lisboa, tápa os ouvidos, deixa correr os olhos e diz lá que a Vida não é assim?
Não esperes porém que os quadros venham ter comtigo, não! EIles teem um prégo atraz a prendê-los. Tu é que irás ter com Elles. Isto leva 30 dias, 2 mezes, 1 anno, mas, se tem prazo, vale a pena sêres persistente porque depois saberás também onde está a Felicidade.

JOSÉ DE ALMADA-NEGREIROS
Poeta Futurista

Lisboa, 12 de Dez, de 1916.

(1) Rectifico: O Exmo. Sr. Dr. José de Figueiredo veio substituir no original um Exmo. Sr. que tem por hábito pedir-lhe tostões.



um dia no serviço nacional de saúde

15.11.06


Apareceu-me um quisto sebáceo na cara: a coisa infectou e começou a perturbar-me e a inquietar os mais chegados. Resolvi tratar de tudo no serviço nacional de saúde. Podia tê-lo feito de outro modo, mas não. Na hora em que escrevo este post estou bastante melhor, julgo mesmo que o problema está quase ultrapassado: talvez ainda precise de uma pequena cirurgia para retirar o quisto, mas, isso não vai, de modo nenhum, invalidar o que vou dizer a seguir.

Comecei por inscrever-me num dos novos modelos de centro de saúde, em Tornada, passei por uma clínica de ecografias e pela urgência do hospital distrital de Caldas da Rainha: em todo o lado registei muito profissionalismo e muito entusiasmo: serviços eficientes, competentes, modernos e bem organizados.


Bom dia e boa sorte?

hospitais, sa

14.11.06





Li a notícia que se segue e fiquei estupefacto, ou talvez não:

"O Tribunal de Contas faz uma avaliação arrasadora da gestão dos 31 hospitais SA. Estas unidades de saúde receberam 898 milhões de euros, em 2003, quando passaram a sociedades anónimas. Contudo, este reforço de verbas – à parte do financiamento anual – não foi o suficiente. Sete hospitais recorreram a empréstimos à Banca e o endividamento ascendeu a 16,4 milhões de euros.

Os juros a pagar ultrapassaram os 100 mil euros em dois anos. E não é tudo: no final de 2003 apresentaram um saldo negativo de 116 milhões de euros, enquanto no ano anterior – quando eram hospitais públicos – o saldo era positivo, de nove milhões de euros.
O Tribunal de Contas também não poupa críticas às entidades com competência para fiscalizar aqueles hospitais – Unidade de Missão e Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde (IGIF), dependentes do Ministério da Saúde –, acusando-as “de não procederem a um adequado controlo financeiro, em 2003 e 2004, em especial ao endividamento resultante dos compromissos assumidos perante os fornecedores, no sentido de acautelar necessidades de financiamento futuras”.
Refira-se que os hospitais SA mudaram o modelo de gestão em 2005, deixando de ser sociedades anónimas e passando a designar-se entidades públicas empresariais (EPE).
Custos com pessoal
As despesas com o pessoal representaram o maior acréscimo nos custos dos hospitais SA, mais do que com mercadorias, material clínico, fornecimentos ou serviços exteriores.
Essa despesa foi mais de mil milhões de euros (1006 milhões) em 2003 – representando um aumento de 18 por cento face ao ano anterior –, aumentando para os 1042 milhões de euros em 2004.
Surpreendido, pela negativa, com estes resultados mostrou-se Manuel Delgado, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares. “Este relatório é arrasador e revela a derrapagem financeira que se registou nestes hospitais. É evidente que não houve um grande controlo na gestão hospitalar”, comenta ao CM.
O administrador hospitalar Manuel Delgado não tem dúvidas de que o modelo dos hospitais SA “falhou”, porque, sublinha, “tiveram dinheiro fresco [898 milhões de euros] e não se coibiram de contrair empréstimos bancários, com 16,4 milhões de euros”.
O relatório do Tribunal de Contas não revela, contudo, quais são os sete hospitais que contraíram empréstimos à Banca – onze milhões em 2004 e 5,4 milhões em 2005, originando o pagamento de 105 260 euros de juros referentes aos dois anos do empréstimo".

O que é isto?

corrupção

07.11.06


"Portugal mantém o 26º lugar no ranking da corrupção" - intitula o jornal público de 7 de Novembro de 2006.

Como é que se obtém os dados relativos à corrupção?
Inquirem-se os corrompidos e os corruptores ?
Se se sabe quem eles são, e quais as suas práticas e os seus métodos, porque é que não se actua?

uma verdade inconveniente

01.11.06

O alarme soa todos os dias: o aquecimento global sente-se e teme-se. As catástrofes anunciadas deixam de ser "apenas" um prenúncio de morte, para passarem a ditar mais um exercício de apelo deseperado aos nosso hábitos de vida diária. Chamam-lhes catastrofistas, oportunistas e radicais, mas os estudiosos do aquecimento global não desistem, e ainda bem.

Al Gore, o ex-futuro presidente dos USA, como ele gosta de dizer, é um deles. Depois de anos e anos de exercício do poder, e quando muitos esperavam o seu exílio dourado, eis que o homem decide passar a maioria dos dias a dormir no “desconforto” dos hotéis de charme deste mundo, para realizar milhares de conferências sobre estes graves problemas do ambiente terrestre. Parece-me que o faz com uma autêntica convicção.

Fomos ver o documentário “uma verdade inconveniente” na antiga sala do cinema Nimas.

Com técnicas de realização de conferências muito profissionais, Al Gore ensina-nos tudo sobre aquecimento global e deixa que se fale da sua vida pessoal e das suas genuínas aspirações como ser humano. Passou-se um fenómeno curioso e que raramente se vê nas salas de cinema em Portugal: no final, vários espectadores aplaudiram de modo bem audível. Muito interessante.

Para os mais curiosos, aconselho o site do documentário:

http://www.climatecrisis.net/



Só mais um promenor: Al Gore, e não fosse ele membro da administração da Apple, utiliza com mestria um portátil da célebre empresa da maçã.