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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

programar e planificar o plano previamente planificado

05.05.06





Já por aqui dei conta da febre dos nossos governantes em legislar nos aspectos mais inacreditáveis, se se considerar que as suas decisões devem situar-se, necessariamente, a um nível “macro”. É isso que se espera.

O meu pequeno almoço é, quase sempre, acompanhado da leitura dos “sites” dos jornais e do som - volume baixo - de uma estação radiofónica.
Hoje, dei com a seguinte notícia de primeira página: o governo pede aos docentes que, sempre que faltem, deixem o plano da aula para ajudar a tarefa do seu substituto.
Nem queria acreditar. Eu até compreendo o desespero, mas, francamente, que falta de sentido de adequação na hierarquização de prioridades.

Disse-me uma docente, por sinal excelente profissional, que esta decisão merecia uma manifestação singular em frente ao edifício do Ministério da Educação: uma expressão pública colectiva de docentes às gargalhadas; os organizadores, já que isto de gargalhadas programadas não é nada fácil, pediam aos docentes para imaginarem, sim, para imaginarem o que pode acontecer e... rir, ou chorar, também se deve equacionar esta segunda hipótese, claro, mas a ideia é mesmo rir às gargalhadas; se possível.

Será que o género “Sua Excelência” está a fazer escola? Ou será que os nossos governantes anunciam o plano tecnológico mas raciocinam em modelos anteriores à sociedade da informação?
Ou melhor ainda, lançam ideias mas não estudam os métodos: quando as ideias não se concretizam nem se generalizam, a culpa nunca é da sua adequação mas dos "idiotas" que as aplicam, que não são capazes de absorver a complexidade das formulações.

Deve haver sobras de papel: com a publicação digital do Diário da República - emancipa hoje o mesmo governo -, anuncia-se a poupança no corte de 28 mil eucaliptos por ano.

Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.