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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

podcast

30.05.06





A revolução na difusão da informação avança em regime quase estonteante: o “podcast” conquista espaço atrás de espaço.

Ferve a crença na veracidade dos electrões, para o bem e para o mal, como sempre e em tantas outras verdades.

Se pouco antes da viragem do milénio, alguém dissesse que, a audição de música por auscultadores em pleno espaço público, seria uma moda emergente, julgo que poucos acreditariam. Mas pegou e até contagiou a possibilidade de se ver vídeo, em simultâneo.

Mas esses mesmos aparelhos electrónicos, garantem também a audição de programas de rádio. O utilizador pode descarregar para o seu computador os programas preferidos e ouvi-los quando bem entender.

E “podcast” porquê? Devido ao pioneirismo dos famosos iPOD, que renomeiam, assim, o modo “antigo” de receber informação: os programas radiofónicos.

Portugal está em estado de “digressão pedagógica”.


Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

anel dos nibelungos

25.05.06








O Teatro Nacional de São Carlos estreia na próxima semana, e até 4 de Junho de 2006, a obra de Richard Wagner “O anel dos Nibelungos”, uma das suas composições mais importantes e que é baseada na mitologia nórdica.

É composta por 4 óperas: Das Rheingold (O ouro do Reno) - prólogo, a estrear a 28 de Maio de 2006, passando por Die Walküre (A Valquíria) em 2007 e por Siegfried em 2008, terminando com Götterdämmerung (Crepúsculo dos Deuses) em 2009.

Pela mão do arrojado encenador Graham Vick, Piamonti, o director do teatro, aventura uma encenação que arrisca o deslumbramento.

O encenador arrancou a plateia do teatro e impôs aí o palco, transformando a sala num anel que assegura os mesmos privilégios a todos os espectadores. Graham Vick explica: “a ópera será democrática, ou não será... a maior parte das óperas está preocupada com a sua reputação, não está aberta a esta frescura”.

Com um elenco excepcional, segundo os especialistas, esta ópera merece uma ampla e excelente reportagem na revista pública de 21 de Maio de 2006.

Com fotos deslumbrantes, a jornalista Alexandra Lucas Coelho salienta: “O anel é de todos. A plateia do São Carlos foi arrancada. Daqui a uma semana terá toda a gente à volta, como uma arena, ou um democrático anel. O teatro deu carta branca a uma homem que gostava de ter como espectador quem não sabe se os Nibelungos são desenhos animados ou uma espécie de fungos. É o renascimento de Wagner, O Anel como nunca se viu”.

A democracia das ideias, essa, nunca morre.




Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

festival de cannes 2006

22.05.06





Estou sempre atento às novidades do Festival de Cannes: por norma, os filmes em concurso têm qualidade.
 
O festival é muito aberto, permitindo a exibição do cinema apelidado de independente. Descobri, por ali, a maioria dos meus realizadores preferidos.

A edição de 2006 apresenta o regresso de Pedro Almodóvar, que vem competir com o seu novo filme: “Volver” (2006)

Estimo muito a obra do realizador espanhol. Depois dos primeiros filmes, onde se verificava um registo demasiado exuberante e “kitch” para o meu gosto, Pedro Almodóvar encontrou, depois, um fantástico equilíbrio entre a sua técnica e os argumentos escolhidos.

Continuando a ser ousado e sem abandonar o seu realismo surreal, o realizador atingiu momentos geniais em obras como “má educação” (2004), “fala com ela” (2002); “tudo sobre a minha mãe” (1999) e “carne” (1997).

Entre tantos momentos inesquecíveis, recordo uma imagem com uma atmosfera fascinante: numa noite muito quente do verão madrileno, Almodóvar filma um serão de sonho - um grupo de amigos, reúne-se numa casa, em ambiente rural, para ver e ouvir, ao vivo, o grande Caetano Veloso -. Ufa.

“Volver” é um filme sobre a sua mãe e sobre as mulheres de Pedro, onde o realizador confessa procurar “uma reconciliação com as suas raízes”.

Só pode ser mais um filme para ver e rever.






Paulo Guilherme Trilho Prudêncio

progressos

21.05.06




A minha filha, Filipa, a surfar.

De acordo com a opinião de um pai babado, verificam-se grandes progressos.

A Filipa acaba de tornar-se campeã universitária de surf 2006. Venceu as três etapas e terminou, naturalmente, em primeiro lugar. Depois de ter vencido a competição organizada pela Escola Superior de Tecnologias do Mar, em Peniche, consegue agora um resultado com mais significado desportivo.

Mas mais importante do que o facto de ter vencido, é que continua a conjugar, de modo excelente, os exigentes estudos que está a exercer com a prática desportiva.

Parabéns Filipa.






Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

tempo

19.05.06





Sou um pai babado e ponto final. A minha filha, a Filipa, acabava de ficar em primeiro lugar, no campeonato universitátio de surf organizado pela Escola Superior de Tecnologias do Mar, e recebia mais uns prémios.

Nesta foto, está a Filipa, de tshirt preta, a rapariga do meio, e o meu amigo, o meu colega Paulo Neto Ramos, o segundo a partir da esquerda, que pertencia à organização.

Tempo:
para tudo; para lazer; para conviver; para fazer desporto; para raparigas competirem no surf; bons tempos, afinal.




Paulo Guilherme Trilho Prudêncio

fernando pessoa

16.05.06



SÓ QUEM PUDER obter a estupidez
Ou a loucura pode ser feliz,
Buscar, querer, amar... tudo isto diz
Perder, chorar, sofrer, vez após vez.

A estupidez achou sempre o que quis
Do círculo banal da sua avidez;
Nunca os loucos o engano se desfez
Com quem um falso mundo seu condiz.

Há dois males: verdade e aspiração,
E há uma forma só de os saber males:
É conhecê-los bem, saber que são

Um o horror real, o outro o vazio -
Horror não menos - dois como que vales
Duma montanha que ninguém subiu.


Fernando Pessoa / Obra poética / Cancioneiro


reabriu o café central.

15.05.06


Reabriu o Café Central nas Caldas da Rainha. Já era tempo.

Está muito bonito. Decorado com bom gosto por dois ex-alunos da ESAD, o espaço está tão belo como na reabertura de 1995.

O serviço é cuidado e muito profissional.

Vai continuar a ser, definitivamente, o meu café.


Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

pavilhão desportivo escolar inaugurado

15.05.06


O pavilhão desportivo escolar da Escola Básica Integrada de Santo Onofre foi inaugurado.

Finalmente. Fiquei feliz. Concluí-se, assim, a última fase de um bonito projecto. Valeu a pena.

O espaço está muito agradável e parece-me adequado para tarefas formativas.
 
Prometi um texto que se intitulará "estão a pintá-lo de azul claro (2)". 

Quem sabe um dia destes...



Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

o rei da suazilândia

07.05.06






O suplemento fugas - viagens, prazeres, motores - do jornal Público de hoje, faz da Suazilândia, pequeno país de África, a notícia de destaque.

O jornalista Humberto Lopes - que intitula a primeira página com: “Suazilândia, a face amável de África” - escreve depois: “uma mão-cheia de singularidades distingue este país: é uma das nações mais pequenas do continente africano e uma das mais tranquilas, proporcionando aos viajantes relaxantes vagabudagens. Apesar de ser a última monarquia absolutista, a nação suazilandesa tem para oferecer um dos rostos mais amáveis de África”.

Que me lembre, estive apenas uma vez de visita à Suazilândia. Foi uma incursão curta, por altura de meados da década de 70, a seguir ao 25 de Abril de 1974.
A Suazilândia é um pequeno território com cerca de 17,300 km2 que partilha fronteiras com Moçambique e com a África do Sul. Uma das suas fronteiras fica a menos de uma hora - por estrada - da capital moçambicana, onde nasci e vivi.

Recordo-me de entrarmos num café da capital, Mbabane, para lanchar e de a certa altura alguém me ter dito: “aquele ali é o rei”. Vi um indivíduo acompanhado de uma criança. Acabou de tomar qualquer coisa, pagou e saiu. Entrou num carro “utilitário” e seguiu viagem. Tudo com a máxima descontracção, notando-se, pareceu-me, que recebia o sorriso simpático dos restantes suazilandeses.

Estava habituado à sacralização da segurança que rodeava os homens de poder, e aquele rei, de nome Sobhuza, surpreendeu-me de um modo muito favorável.

Trinta anos depois, leio a reportagem do “fugas” e fui à procura do rei. Já não é o mesmo. O rei Mswati (na foto), filho de Sobhuza, é o novo monarca.

Mudou o rei e mudaram os tempos.

O novo soberano é alvo das críticas mais habituais neste tipo de regimes e até já tem um partido da oposição na clandestinidade.

Dei com isto: o parlamento não aprovou uma petição para financiar a aquisição de um avião de luxo, avaliado em 45 milhões de dólares; o rei Mswati participou numa cerimónia de dança, o Baile da Cana, com 50 mil virgens para a escolha de sua 13ª mulher; "Eu quero uma boa vida, quero dinheiro, quero ser rica, quero um BMW e um telefone móvel", dizia uma das dançarinas, Zodwa Mamba, de 16 anos, enumerando os presentes que as outras 12 esposas já têm.

Fiquei triste, a sério, eu que nunca serei adepto da monarquia ou de coisa que o valha.


Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

programar e planificar o plano previamente planificado

05.05.06





Já por aqui dei conta da febre dos nossos governantes em legislar nos aspectos mais inacreditáveis, se se considerar que as suas decisões devem situar-se, necessariamente, a um nível “macro”. É isso que se espera.

O meu pequeno almoço é, quase sempre, acompanhado da leitura dos “sites” dos jornais e do som - volume baixo - de uma estação radiofónica.
Hoje, dei com a seguinte notícia de primeira página: o governo pede aos docentes que, sempre que faltem, deixem o plano da aula para ajudar a tarefa do seu substituto.
Nem queria acreditar. Eu até compreendo o desespero, mas, francamente, que falta de sentido de adequação na hierarquização de prioridades.

Disse-me uma docente, por sinal excelente profissional, que esta decisão merecia uma manifestação singular em frente ao edifício do Ministério da Educação: uma expressão pública colectiva de docentes às gargalhadas; os organizadores, já que isto de gargalhadas programadas não é nada fácil, pediam aos docentes para imaginarem, sim, para imaginarem o que pode acontecer e... rir, ou chorar, também se deve equacionar esta segunda hipótese, claro, mas a ideia é mesmo rir às gargalhadas; se possível.

Será que o género “Sua Excelência” está a fazer escola? Ou será que os nossos governantes anunciam o plano tecnológico mas raciocinam em modelos anteriores à sociedade da informação?
Ou melhor ainda, lançam ideias mas não estudam os métodos: quando as ideias não se concretizam nem se generalizam, a culpa nunca é da sua adequação mas dos "idiotas" que as aplicam, que não são capazes de absorver a complexidade das formulações.

Deve haver sobras de papel: com a publicação digital do Diário da República - emancipa hoje o mesmo governo -, anuncia-se a poupança no corte de 28 mil eucaliptos por ano.

Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

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