Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

on bullshit

21.03.06
bullshit.jpg


“On bullshit” é o título de um pequeno livro do filósofo americano Harry G. Frankfurt e na tradução portuguesa ficará, provavelmente, como “a conversa da treta”.

Mesmo com a quantidade enorme de “bullshit” nas nossas sociedades, não há estudos profundos sobre o tema, diz o autor.

Por isso, “não existe uma teoria geral do “bullshit”, o que é paradoxal, considerando a sua ubiquidade”. “O “bullshit “ é uma ameaça mais insidiosa para a verdade do que a mentira, pois está totalmente desligado de uma preocupação com a verdade - enquanto os mentirosos podem manter uma ideia clara da verdade. O “bullshit” é objecto de uma estranha tolerância, enquanto a mentira é vista em geral sem benevolência”. “Outra das razões para o aumento do “bullshit “, é o facto da sociedade actual exigir de todos que tenhamos opinião sobre tudo, mesmo sobre aquilo que desconhecemos - o que constitui uma excelente oportunidade para “bullshit “. Neste contexto, é evidente que o mundo dos media constitui um excelente caldo de cultura “bullshit “”.

Ao escrever este pequeno texto, lembrei-me de dois factos paradoxais (até me dá vontade de rir a comparação, mas vai): um que abominava o “bullshit “ e outro que o afirma na plenitude. No primeiro caso, a obra de Fernando Gil, no segundo caso, a carta educativa do concelho das Caldas da Rainha, publicada em Março de 2006.


Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

sons do bairro

21.03.06
sonsdobairro3.jpg A noite de 4 de Março de 2006, sábado, na cidade de Caldas da Rainha, foi invernosa: chovia a cântaros. Convidava-me a ficar em casa. Mas estava destinado a assistir a um excelente espectáculo musical, na única sala que, na cidade, se destina para o efeito: o anfiteatro dos “Pimpões”, colectividade muito respeitada nesta cidade. A colectividade faz o que pode, mas, francamente, os “Sons do Bairro” mereciam outro palco. Enfim, o costume. A lotação esgotou, a energia falhou duas vezes - mas os músicos mantiveram-se no seu amor muito profissional -, e o final foi de uma autenticidade apoteótica. Já os tinha ouvido, e visto, em dois espectáculos: numa belíssima homenagem a José Afonso e numa exigente recolha de música popular brasileira. Os Sons do Bairro não fazem cedências. Desta vez deixaram-me ainda mais preenchido: montaram um espectáculo com música popular portuguesa. No folheto de apresentação dizem o seguinte: “coisa curiosa é esta de um País com um dos mais ricos legados tradicionais da música popular europeia, andar a par com um défice crónico de educação musical (e do resto também, mas enfim...)”. Meu caro leitor: agarraram em temas difíceis - - tradicionais de trás-os-montes: monolo mio, molinera, bento airoso e faixinha verde; - romanceiro popular da beira baixa: conde de alemanha e moda do entrudo; - tradicional do minho: a roupa do marinheiro; - populares portuguesas: nau catrineta (fausto), rosalinda (fausto), canto do alentejo (nuno mota), ribeirinho (fernando pessoa, joão gil, josé martins), as 4 quadras soltas (sérgio godinho), sertão (charanga), prima da chula (trovante), uns vão bem e outros mal (fausto) e chula (sérgio godinho) - arranjaram-nos com uma impar sabedoria - eles dirão: muito trabalhinho - e harmonizaram dez músicos em palco (em sertão, eram doze). Com muito bom gosto e com muita competência. Os Sons do bairro têm duas boas vozes: Francisco Carrilho - voz e guitarra, que encheu-me as medidas em canto do alentejo, com um registo bem adequado à sua voz, pareceu-me - e Liliana Almeida. Do elenco, constam os excelentes músicos: António João Freitas (bateria), António José Xavier (flauta, gaita de foles e percurssões), Fernando Lopes (guitarra eléctrica), João Manuel (baixo eléctrico e contrabaixo), José António Lopes (sax soprano e tenor), José Carlos Lopes (voz, guitarra, viola braguesa e bandolim) e Luís Agostinho (piano e acordeâo). Desta vez, convidaram Manuel Jorge Alves (piano e acordeão) e Carlos Silva (baixo). É só imaginar o que pode sair daqui. Os Sons do Bairro têm, ao que julgo saber, a sua génese no excelente grupo caldense de música popular portuguesa: Charanga. A ver e a rever. Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.