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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

sem-abrigo

26.02.06
. . . seabrigo.jpg . . . . . O dia nasceu pálido, Dançam gélidos, os flocos, Iluminam-se as marionetas, Celebram, o frio que não se comove. donde vem o branco que as alegra? não é dezembro, não me vêem, nem o que os meus olhos atravessam. a noite, Espera-os com os seus resguardos, Trevas que os ossos partem. . . . . . Paulo Guilherme Trilho Prudêncio (poema escrito num dia em que nevou na cidade de Caldas da Rainha, 29 de Janeiro de 2006. Coisa rara.)

match point

20.02.06
matchpoint.jpg Gosto muito do cinema de Woddy Allen. É tão vasta e tão bela a sua cinematografia, que tenho dificuldade em escolher os meus preferidos. Tem obras geniais. Aprecio sempre o universo “freudiano” filmado na cosmopolita Manahtan, acompanhado de uma forma muito própria de fazer humor. Sabia que ele tinha saído de Nova Iorque para filmar - a exemplo de Stanley Kubrick - e que tinha escolhido a Inglaterra. Li que ia fazer um filme onde não seria actor e que o argumento socorria-se de uma trama hitckokiana. Fiquei curioso. Quando soube do título, match point - ponto final -, não pensei em nada. Os títulos valem, por norma, muito pouco. Match point é um expressão muito usada nos jogos de ténis: é o ponto que pode decidir o final do jogo. Andei em verdadeiro estado de match point. Ainda não tinha tido uma oportunidade para ver o filme: vivo numa pequena cidade que tem, apenas, duas salas de cinema com uma programação muito fora de tempo; de qualquer, parece-me. Lá fui. Teve de ser numa grande superfície - na bilheteira, e numa mesma fila, fazia-se a moderna gestão de recursos humanos: comprava-se bilhetes, claro, mas também, e em simultâneo, pipocas, bebidas, doces e rebuçados; nunca me tinha acontecido, estes negócios estavam separados -, numa sala pequena, com um ecrã adequado e com um som excelente. Tudo em silêncio. Perfeito. A atmosfera do filme é soberba: vai desde o clube tradicional onde os ricos se exercitam a jogar ténis, até à ruralidade mais característica dos privilegiados destas paragens, passando pela mais bela e cuidada arquitectura urbana e moderna. Uma bonita combinação. A história desenvolve-se à volta das histórias, de amor de de desamor, dos filhos - um rapaz e uma rapariga; o rapaz namora com uma norte-americana que veio à procura da sua oportunidade como actriz e a rapariga namora com um monitor do clube de ténis - de uma família muito endinheirada, que desespera por preservar dois mandamentos: classe social e carreira. Ter ou não ter, sorte: para além de outras abordagens importantes, Woddy Allen diz-nos que o acaso acaba por prevalecer. Tem um final inesperado a fazer lembrar a trama que referi. Sem querer ser muito exigente, não direi que é uma obra-prima. Mas é um filme excelente e que reverei com gosto. Aconselho. Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

porquê

18.02.06
. . loureiro2.jpg . . . A nona elegia. Porquê, se é possível viver o prazo da existência, até ao seu termo, como loureiro, um pouco mais escuro do que todos os outros tons de verde, com pequenas ondas no rebordo da folhagem (como o sorriso de um vento) -: porquê então esta forçosa existência humana -, e, evitando o destino, ter saudades do destino?... (continua) Rainer Maria Rilke. Tradução de Maria Teresa Dias Furtado. Publicado por Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

as ideias do meu avô (2)

14.02.06
Tenho andado a pensar num dos dias que marca presença no meu calendário: 17 de Fevereiro, a data do aniversário do meu pai; não quis, a vida, que ele fizesse 82. Entretanto, estive a arrumar o meu “blog” e encontrei um texto que escrevi em 27 de Abril de 2004. Sintetiza muito daquilo que aprendi com ele. Reescrito, diz assim: “Devo fazer-vos uma confissão. Ao que julgo saber, esta ideia de confessar é mais uma bisbilhotice com aquela marca muito beata de quem espia os seres que ultrapassaram a primeira barreira à liberdade: o baptismo. Só fui baptizado, quase de modo compulsivo e com o ar contrariado do meu pai, aos sete anos de idade. Vê-se logo que eu sou ateu. Contudo, fico sempre com a consciência pesada quando cometo uma qualquer falsificação à verdade. Cultura judaico-cristã, diz-se. Mas a minha confissão prende-se com uma ideia que eu quero que seja do meu avô. Não é que a ideia não seja dele, o que acontece é que eu quero que ele só a tenha contado a mim e a mais ninguém. Nunca vos aconteceu nada de semelhante? Talvez? E se eu vos disser que nunca conheci os meus dois avôs? Já tinham falecido quando eu tive a feliz ideia de nascer. Talvez assim, comecem a desculpar-me. A questão é a seguinte: lá por minha casa, sempre ouvi dizer que a melhor forma de se conhecer o nível cultural de um país é visitando as suas casas de banho públicas. Concordem ou não com a ideia, e isso para este caso é pouco relevante, o registo da patente é de um dos meus avôs. De qual deles é que não me lembro bem. Mas vamos lá ao pecado que justifica a confessada confissão. Estava eu a fazer uma conferência sobre o desempenho da escola onde exerço funções e a falar na importância que damos ao bom estado das casas de banho dos alunos – citando este exemplo para reforçar a necessidade de se ser persistente e nunca desistente quando se quer educar para a cidadania – quando me vem ao discurso a seguinte afirmação: “foi o meu avô que me disse … e eu nunca mais me esqueci”. Podia ter dito o que vos disse a vós, mas não, romanceei. Nos breves momentos em que revelava a ideia era como se um dos meus imaginários avôs me estivesse a segredar. Naquele lugar e naquele momento, o facto da ideia me ter sido revelada em exclusividade tornou-se verdadeira: mais ninguém naquela sala podia partilhar do nosso segredo.” Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

controvérsias

04.02.06
socratesgates.jpg Tenho recebido mails cujo teor estabelece alguma controvérsia sobre o que escrevi a propósito da saga de Bill Gates por terras de Viriato. Agradeço-as todas: sugiro, apenas, que as coloquem nos comentários de modo a podermos abrir a discussão a outros interessados. Mas será como quiserem. Afirmo, desde já, que esses não são os temas que, de momento, andam a preencher os neurónios que mais identifico. Votei no Partido Socialista nas últimas eleições legislativas. Não estou nada arrependido, pelo contrário. Sou professor, tenho na maioria dos leitores deste blog - os que se identificam, claro, embora nos tempos que correm (também para trás e também para o lado), isso da identidade esteja cada vez mais esbatido; bem, mas isso dá para outro posted -, professores, e, claro, com os direitos que temos perdido, tenho consciência que esta minha afirmação, de apoio ao actual governo, granjear-me-á as naturais antipatias argumentativas. É preciso arrumar as contas da casa colectiva - foi um fartar vilanagem durante anos a fio, estamos todos de acordo; sempre a proteger os mais beneficiados - e isso está a ser feito. Era preciso puxar pela economia. Está a ser feito. O ministro da economia, arregaçou as mangas - de acordo com aquilo que prometeu na pré-pré-pré-campanha eleitoral - e foi ao encontro daquilo que pensa que deve ser feito. Sem tibiezas e apoiado na firme liderança do governo. Três vezes feito, se repararam. A presença de Bill Gates, presidente da maior empresa global de software - é tão incontestável como são as eternas acusações de que a Microsoft é useira e vezeira na prática de plágios mal disfarçados -, dá uma grande ajuda. Ainda por cima, o homem traça o perfil do altruísta e do bom samaritano. Aqui ou ali, um ou outro exagero do marketing. Certo. Aqui ou ali, a ficar a ideia de um compromisso que pode deixar o governo nas mãos da Microsoft. Certo? Não, não me parece. O que parece e é, é que a Microsoft tem a visibilidade que os outros gostariam de ter. Simples e claro. Paulo Guilherme trilho Prudêncio.

de terceiras moradas

03.02.06
folha.jpg Estava difícil. Escolher um poema de António Franco Alexandre para oferecer ao caro leitor, não é uma tarefa fácil. É, até, duplamente difícil. Do seu livro, poemas, do capítulo terceiras moradas, o nº 22 diz assim: Julgavas, então, que a poesia era um discurso de palavras em sentido? Sei quanto a musa aprecia glória, poder e uniforme, quanto aguarda o cavaleiro que produz. A vida, afinal, anda lá fora, antes da folha ter passado a prensa; a mais pequena árvore é verde eterna, comparada ao arbusto que, mal tocada a haste, se desvai em fumo. Por isso eu fico lendo as crónicas, as lendas, o jornal, que bem ou mal, cruza as palavras com o tempo, e contudo! quando o lábio se engana, solta a mais aguda fífia do trombone, e de repente o corpo sabe a gente, e então se diz: eis a verdadeira e pura poesia! pois seria, talvez, somente a tua mão, cobrindo a folha. Publicado por Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

impossibilidade V

03.02.06
embo3.jpg Um mundo no seu interior. Não entendeu, caro leitor? Vá a impossiblidade I e, se estiver para isso, vá passando pelas outras. Mas comece pela I. Aconselho-o. Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

profeta

03.02.06
profeta.jpg Não consigo deixar de surpreender-me com a polémica à volta dos desenhos humorísticos sobre um tal de Maomé - fosse ele um tal de Jesus Cristo, dava o mesmo. Quero dizer: se alguém se abespinhasse com uns desenhos humorísticos sobre um tal de Jesus Cristo... merecia o meu espanto. Estes humanos são mesmo doidos. Não vá alguém, extra-este-planeta, andar a ler os meus escritos: é que com aquela última frase, poupo-lhe muito trabalho. Não concorda, meu caro leitor? Pretextos que alimentam a sede - material e espiritual - de mais uma guerra? Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

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