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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a realidade/parte I

27.05.04
Prometo hoje, dia 27 de Maio de 2004, um texto curto. Mas como a realidade nunca se decifra. as dificuldades são mais do que aceitáveis. São inaceitáveis. Também por isso, muitos de nós vergam-se na frente dela, da realidade. Já nem a relatividade de Einstein nos inspira, nem, tão pouco, o passo em frente da mecânica quântica nos ilumina. Cada um dos Homens condena o presente porque encara a sua realidade como o quadro que se apresenta nas mentes restantes. E a coisa amplia-se na incerteza do futuro, que, quando acentua a sua negritude, desespera cada um e quase todos. O evocar ancoradouro de trechos do passado, serve para aconchegar a retórica descrita ou imaginada e satisfazer as angústias do presente e as projecções do futuro. Desígnios humanos e estados da alma. Homenageio a idade do presente – a adolescência. Faço-o, por ser de todas a mais fustigada. Faço-o, porque, no dia de hoje, me apetece convocar a minha filha que vai terminando o seu tempo presente. Valeu-lhe isso: viver o seu presente, a sua realidade e o seu dia de hoje. Ouviu e voltou a ouvir – no meu tempo é que era. Ouviu mas resistiu. Se ouvisse e aceitasse a outra realidade como sua, vergava e desistia.

a realidade/parte II

27.05.04

DIA DE HOJE Ó dia de hoje, ó dia de horas claras Florindo nas ondas, cantando nas florestas, No teu ar brilham transparentes festas E o fantasma das maravilhas raras Visita, uma por uma, as tuas horas Em que há por vezes súbitas demoras Plenas como as pausas dum verso Ó dia de hoje, ó dia de horas leves Bailando na doçura E na amargura De serem perfeitas e de serem breves. Poema da Sophia de Mello Breyner Andressen.