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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

os 10 anos da escola da minha vida

29.04.04

ebifoto2.jpg Entrámos no décimo ano da nossa existência. Não sei se a vida das escolas é como a vida das pessoas. Sei que a vida das pessoas tem, no marco etário dos dez anos, o fim da idade da infância. Depois, começa a adolescência, que é, como sabemos, a idade de todas as oscilações. Importa festejar as efemérides. Não apenas pelo valor que damos às vidas, mas para nos olharmos ao espelho. E eu olho para o espelho da nossa escola. E vejo. Vejo um caminho feito de uma bela mistura de esforço e de esperança. Vejo uma escola que nasceu para ser integrada e que hoje confirma-o. Vejo uma escola que é escolhida para os alunos com necessidades educativas especiais e honro-me. Vejo uma escola onde os alunos e os projectos são a sua razão de ser e sorrio. Vejo uma escola onde quem vem por vontade fica e cresço. Vejo uma escola onde se tenta que tudo seja desburocratizado e simples e acredito no lugar que não existe. Por mais que me digam que mergulhar na educação pode ser um desperdício de vida, olho para a escola e digo que não. Entremos na idade adulta mas continuemos ingénuos. Bem hajam.

as ideias do meu avô

27.04.04
noticias20001012011.jpg Devo fazer-vos uma confissão. Ao que julgo saber, esta ideia de confessar é mais uma bisbilhotice com aquela marca muito beata e muito própria de quem espia os seres que ultrapassaram a primeira barreira à liberdade: o baptismo. Só fui baptizado aos sete anos de idade. Vê-se logo que eu sou um ateu dos sete costados. Todavia, fico sempre com a consciência pesada quando cometo um qualquer adultério às verdades muito minhas. Cultura judaico-cristã, diz-se. Mas a minha confissão prende-se com uma ideia que eu quero que seja do meu avô. Não é que a ideia não seja dele, o que acontece é que eu quero que ele só a tenha contado a mim e a mais ninguém. Nunca vos aconteceu nada de semelhante? Talvez?. E se eu vos disser que nunca conheci os meus dois avôs? Já tinham falecido quando eu tive a feliz ideia de nascer. Talvez assim me comecem a desculpar. Atenuantes. A questão é a seguinte: lá por minha casa, sempre circulou a tese de que a melhor forma de se conhecer o nível cultural de um país é visitando as suas casas de banho públicas. Concordem ou não com a ideia, e isso para este caso é pouco relevante, o registo da patente é de um dos meus avôs. De qual deles é que não me lembro bem. Mas vamos lá ao pecado que justifica a confessada confissão. Estava eu a fazer uma conferência sobre o desempenho da escola onde exerço funções e a falar na importância que damos ao bom estado das casas de banho dos alunos – citando este exemplo para reforçar a necessidade de se ser persistente e nunca desistente – quando me vem ao discurso a seguinte afirmação: “foi o meu avô que me disse … e eu nunca mais me esqueci”. Podia ter dito o que vos disse a vós, mas não, romanceei. Nos breves momentos em que revelava a ideia era como se um dos meus imaginários avôs me estivesse a segredar. Naquele lugar e naquele momento, o facto da ideia me ter sido revelada em exclusividade tornou-se verdadeira: mais ninguém naquela sala podia partilhar do nosso segredo.

o mundo é meu por um dia

25.04.04
logoMP.gif Exactamente, o mundo é meu por dia. Pode parecer estranho que alguém se julgue dono de tamanha preciosidade, mas estou com muita vontade, e digo-vos mais, sinto-me mesmo com francas possibilidades de demonstrar o contrário. Quero acreditar que todos os que se derem ao trabalho de ler esta crónica – estou em crer que serei o único, mas, e mesmo assim, não perco o norte – já passaram por uma provação semelhante ao título desta divagação. Esta ideia apresentou-se ao meu juízo através de um pensamento muito menos erudito do que a uma vista focada pode parecer: o Homem é um ser para a morte. Se as vidas se sobrepõem sempre em número, o mesmo não podemos dizer da sua mais valia na bolsa dos domínios dos humanos (se lerem rápido, vão perceber que dos humanos também se pode confundir com desumanos). Se morre um líder de uma qualquer organização, brada-se, se morrem 160 mil almas afegãs debaixo das inúmeras “carpetes de bombas”, elogiam-se as cirurgias bélicas. Mas no meu mundo não vai ser assim, não. Quem declarar uma guerra dá o exemplo. Vai na frente. Será sempre o primeiro. E os lugares tenente serão sempre preenchidos pelos mais frenéticos dos apoiantes – não escapam os analistas, os editorialistas, e, aviso já, nem mesmo os que chorem muito. Quem sabe se o mundo não quereria ser "o meu mundo" para sempre?

presente

25.04.04

 

 

 

Estar presente é sempre uma outra forma de não estar ausente. O eu no espaço público.

Estar presente é ligar-se à rede, de um modo consciente ou nem tanto assim. Importâncias.

Estar presente é contrariar exclusões colectivas que, associadas às eternas crenças que sempre espreitam, abraçam fundamentalismos diversos - os de lá e os de cá.

Estar presente é roçar no optimismo que nos consome.