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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

ainda o exame entregue a Cambridge

15.09.13

 

 

 

 

 

Não analisei no blogue a última entrevista de Nuno Crato na SIC por falta de pachorra. O momento do anúncio "Cambridge" para os exames do 9º ano de inglês enjoou-me de vez. Para além de tudo, há milhares de pessoas a sofrerem com as política cratianas, a escola pública está a levar um abalo trágico e a um ministro da Educação exigia-se mais respeito.

 

Nuno Crato até se podia justificar com a vaidade e a soberba que impediram que dissesse não ao posto de "carrasco" de serviço. Mas não. Nuno Crato não resiste à manipulação mais básica com uns laivos que parecem tão caros às nossas "elites": um pacóvio interesse por uma cultura internacional.

 

Em tempos (seguramente também na ditadura), e nem me lembro se era Oxford ou Cambridge ou outra instituição com nome sonante e méritos confirmados, existiam uns cursos por correspondência para costureiras, electricistas, canalizadores, inglês falado e escrito, cabeleireiras e por aí fora. Já se anunciava o inglês como um espécie de carta de condução internacional que permitiria comunicar num mundo cada vez mais global onde a mobilidade das pessoas, e o seu penteado, faria as delícias das grandes multinacionais do consumo.

 

E assim foi.

 

Que seja. Mas é bom que se sublinhe: a história da humanidade comprova que, e no uso dos idiomas, o que de fundamental se fez partiu dos idiomas de origem e das culturas locais. Proust, Joyce, Kant, Pessoa e todos os outros são exemplos do que acabei de escrever e esta exibição à volta do inglês já faz doer o cérebro. 

 

Se num momento como o que estamos a viver um ministro da Educação tivesse o desplante de anunciar aquele atávico Cambridge, só haveria uma consequência: a porta de saída seria a única disponível.

 

 

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