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Correntes

em busca do pensamento livre

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em busca do pensamento livre

nuno crato revelou-se mesmo, se é que ainda era preciso

01.09.16

 

 

 

 

(Ao que vai ler, acrescente epifanias consecutivas 

com destaque para o concurso BCE,

para a prova PACC, para o desmiolo Cambridge,

e para a industria dos exames.)

 

 

 

"Uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade", disse Nuno Crato numa inenarrável entrevista televisiva em que se pôs a dissertar sobre a relação entre a formação dos professores e o número de alunos por turma. Nuno Crato disse que concorda com o especialista norteamericano (é mesmo um hanushekiano) que andou por aí a apregoar o mesmo e revelou-se mais uma pessoa que nos deixa dúvidas quanto ao juízo ou ao conhecimento sobre uma escola do não superior. Temos de concordar: os professores portugueses têm azar com a sucessão de ministros. Nuno Crato afirmou a sua tese e nem sequer se escudou na troika; nesta variável está, também, para além dela.

 

William Golding, prémio Nobel da literatura em 1983 e professor no 1º ciclo durante 30 anos, foi taxativo numa entrevista à RTP2: " Com 30 alunos não há método de ensino que resulte, mas com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes". Essa entrevista descansou-me muito. Tinha leccionado cerca de 10 turmas do ensino secundário, cada uma com mais de 30 alunos, e estava preocupado com a profissão que tinha escolhido e com a minha memória. Já íamos em Maio e nem o nome dos alunos todos conhecia. Numa sociedade ausente como a nossa, e mais ainda nos tempos que correm, a relação entre os professores e os alunos atenua muito a taxa de abandono escolar para além de ser um indicador da qualidade do ensino. Nunca imaginei que 30 anos depois ouviria o ministro da Educação do meu país, qual Taliban, a defender uma coisa destas com a máxima convicção. Que tempos, realmente.

 

 

Este post é de 5 de Junho de 2013.

 

3 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Pensadora

    02.10.14

    A imbecilidade é transversal ao grau académico, estrato social, etc.. é um mal de que muita gente padece e por isso há tanta incoerência nas tomadas de decisões, nos argumentos, comentários, atitudes enfim..a lista nunca mais termina. Voltando ao seu comentário e em jeito de resposta vou tentar exemplificar ao máximo para que seja possível a determinadas mentes ditas "fechadas" sua compreensão. Ora, temos duas mães, uma com 3 filhos e outra com 10 filhos, qual delas consegue dar uma atenção equitativa a todos? Mais, se um desses 10 filhos tiver NEE a sua atenção vai recair sobre que filho?
  • Enfim.
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