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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da repetição

03.04.13

 

 

 

 

Não sei se a história se repete, mas talvez a geografia associada à política condene os povos não só à repetição dos gestos como à "aprovação" dos momentos trágicos da história.

 

Foi assim em 1914-18 e repetiu-se de um algum modo em 1939-1945. A Europa central tem na região que inclui a Alemanha um pólo devastador, mesmo que não possamos incluir nesse fatalismo a totalidade das pessoas; e escrevi esta verdade tão óbvia para não ferir susceptibilidades. Já há quem diga que o euro está a asfixiar a Europa pela mão da Alemanha.

 

Nota-se no país governado por Merkel uma qualquer necessidade de apontar o dedo aos outros e parece que o gesto dá votos. Ganha o apontador mais convicto e o que mais custa é a veneração de alguns dos apontados.

 

 

"(...)Era já uma Viena trágica. Não podemos esquecer o paradoxo: a matriz - se assim me atrevo a dizer - da nossa cultura moderna, do nosso modernismo, e até mesmo pós-modernismo, mas já à sombra de um anti-semitismo cada vez mais feroz, e, sobretudo devido á catástrofe de 1914-1918, o troço decepado de um império que procurava - já então - o seu futuro na direcção da Alemanha.(...). Veja bem que foi um presidente do município de Viena, Karl Lueger, um homem muito importante, quem lança verdadeiramente as bases do programa que será o do seu discípulo, Hitler, visando a eliminação dos judeus na Europa. Há um ponto de pormenor que me obsidia: a palavra, medonhamente feia em alemão, "Judenrein", que significa "limpeza étnica": regiões, cidades, organizações, onde deixará de haver judeus: É o clube de bicicleta da cidade de Linz que inventa esta palavra em 1906.(...)"


 

Steiner, G. e Spire, A. (2000:16)

Barbárie da Ignorância

Lisboa

Fim de Século


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