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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

duas décadas quase perdidas

31.03.13

 

 

 

 

 

Portugal tem, desde meados da década de noventa do século XX, condições informacionais para digitalizar dados sobre os alunos que disponibilizem boa informação que reduza o abandono escolar. A informação não é tudo nesse domínio, mas é preciosa. Por que é que isso não aconteceu? Desde logo, porque a construção dos sistemas atomizou-se, ficou a cargo do outsourcing e foi desenhada por especialistas em sistemas de informação e comunicação e não por gestores da informação escolar.

 

Desperdiçaram-se recursos financeiros avultados, o que existe é informação dispersa e não integrada. Os milhões de dados lançados diariamente nas nossas escolas são "intratáveis", produzem parco conhecimento e sustentam algumas empresas comerciais que se apoderarem do mercado e o condicionam. A entropia informacional transforma num "inferno" o lançamento repetido da informação.

 

A iniciativa no concelho de Odemira parece meritória porque tenta reunir numa mesma base de dados a informação sobre os alunos desde a sua entrada no sistema escolar e porque é um websolução. Várias escolas têm tentado perseguir um caminho semelhante, mas as constantes alterações na gestão escolar impediram qualquer consolidação.

 

No entanto, a iniciativa de Odemira pode repetir o que existe. E porquê? Porque a informação determinante sobre cada um dos alunos está longe de se esgotar num programa de discentes; e o mesmo acontece com os restantes actores do sistema. O universo informativo da escola como organização inclui horários escolares, sumários, serviços de apoio social, bibliotecas, utilização de cartões electrónicos, programas educativos individuais, actas de reuniões e por aí fora. E se um sistema não integrar todos os dados, é mais o que se perde do que o que produz conhecimento. E essa decisão fundamental de análise só está ao alcance dos gestores da informação escolar.