Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

o poder, os vazios e a bancarrota

17.03.13

 

 

 

 

 

O poder tem horror ao vazio, os diversos espaços políticos estão preenchidos e em Portugal também (sem ser o fim da história, obviamente). Temos de tudo na régua ideológica: da direita radical à esquerda radical, passando pelas nuances mais aproximadas ao centro.

 

Nas últimas três décadas criámos um espécie de arco do poder e ostracizámos para a governação as esquerdas radicais, mesmo que com representação parlamentar, com a ameaça de que a sua presença governativa seria bancarrota pela certa. Somos quase únicos na Europa nesse domínio e talvez os gregos e os espanhóis nos acompanhem nessa discriminação.

 

Chegámos ao estado actual com o referido arco do poder. Essa governação, dita responsável, trouxe-nos para a falência. E se comecei o post com o facto do poder ter horror ao vazio, foi apenas a pensar que a direita radical está representada em termos parlamentares e governativos. Às tantas, até está bem inserida em todos os partidos do arco governativo. Por incrível que pareça, os tais da esquerda radical são os únicos a quem não se pode apontar o dedo todo. Mas que grande ironia, realmente.

 

Se o euro terminar em breve, ficamos a saber o que nos acontecerá. Os alemães já se estão a precaver e serão os únicos a ver a moeda valorizada. Portugal ficará no fim da lista, embora ligeiramente acima da Grécia para certificar a prosápia do inenarrável Passos Coelho. As poupanças de cada um cairão para metade e o resto da história será igualmente trágica.

 

 

 

 

 

3 comentários

  • Viva Francisco.

    Compreendo. É uma forma simplista que se usa como régua mas que tem as nuances que referi, principalmente a questão essencial: se o poder tem horror ao vazio, a direita radical sente-se representada.

    O que também se deve reforçar, é que se a classificação radical serve para excluir então onde está a tal de direita?

    Abraço.
  • Eu optaria por retirar a adjectivação de radical aos partidos, partindo apenas do seu posicionamento no hemiciclo parlamentar.
    Há, efectivamente, um radicalismo nas orientações políticas que governam a Europa. Mas esse está situado ao centro do espectro partidário.
    O fundamentalismo monetarista é partilhado em maior grau pelas direcções do PSD e até do PS do que por largas franjas do CDS, que se reclamam de um alegado humanismo cristão.
    Concluindo, prefiro categorizar o CDS como direita, o PCP como esquerda e o PSD e o PS como uma gelatina pouco consistente, pretensamente apolítica e tecnocrática, que se limita a seguir as linhas orientadoras dos interesses económicos, mesmo quando estes percorrem os caminhos do radicalismo dos números contra as pessoas.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.