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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

mais do que um bode expiatório

19.02.13

 

 

 

 

A agenda mediática está preenchida pela nobre e valente "Grândola, Vila Morena" como a voz que resta contra a tragédia que nos assola. Miguel Relvas, uma figura que abomino, pode ser classificado como um bode expiatório. Não me parece. Este ministro representa uma espécie de triunfo da chicoespertice que se esconde em dois radicalismos: ultraliberalismo e uma espécie de chavismo. Ambos detestam as classes média e baixa, usam com inimigo de estimação a escola e os professores, como armas a férrea burocracia e como táctica o confronto de grupos de cidadãos alimentados pelo tédio e pela inveja social.

 

Para se perceber o fenómeno Relvas, tem de se reflectir sobre a organização administrativa do país (a sério que acredito no que escrevi). A babilónia que origina que um mesmo centro urbano pertença a áreas geográficas diferentes ao gosto dos sub-sistemas do Estado é a causa principal do nosso desgoverno. É moderno e razoável que um país tenha um quadro de divisão administrativa e Portugal tem mais de quarenta. Ouvi o social-democrata António Capucho afirmar que o ministro Miguel Relvas não tinha condições para orientar a reorganização que promoveu. Lá saberá os motivos.

 

Para além da capital, vivi em Trás-os-Montes, no Minho, no Douro Litoral, no Alentejo e na Estremadura. À excepção de Lisboa, encontrei duas comprovadas irritações: a incerteza da identidade local e o centralismo da capital.

 

Quando, em 2004 salvo erro, um amigo me convidou para assistir a uma conferência sobre a divisão da moda na altura, comunidades urbanas e por aí fora, aceitei com interesse. Não aguentámos até ao fim e saímos envergonhados. Sem qualquer gosto pela fulanização, o conferencista, o governante Miguel Relvas, era inclassificável. Caiu pouco depois numa sucessão de casos com membros do mesmo Governo que não me admiraram por raciocínio de indução.

 

Foi com espanto que verifiquei que Miguel Relvas era uma espécie de número dois do actual governo e que tinha a incumbência de dirigir uma tarefa nuclear. Hoje, nada disso me espanta.

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