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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

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mais de metade

15.02.13

 

 

 

 

Das 28.000 pessoas que deixaram a função pública no ano de 2012, 15.500 estavam vinculadas ao MEC e os professores ocupam a quase totalidade do número. Tem sido sempre assim: os que evidenciam estes dados são considerados tremendistas, recebem o quase silêncio da opinião pública e publicada e quando os números se confirmam a normalidade não incomoda.

 

A escola pública foi, há anos, escolhida para que os governantes se pavoneiem com com o seus ímpetos reformistas e a sociedade, que está ausente da escola e que só lá aparece para uma espécie de jogo da partidocracia disfarçado do eufemístico "comunidade escolar", exerce um silêncio cúmplice que reafirma a estranha antipatia para com a escolaridade. Mais de metade dos despedidos foram professores.

 

O segundo lugar de mais um ranking (é uma febre, realmente) fica para a saúde com dois mil funcionários, incluindo 524 enfermeiros e 131 médicos.

 

Saíram da administração pública mais de 28000 trabalhadores em 2012

5 comentários

  • Pedro: era bom estudar o que se passou mesmo na década de noventa. Foi também aí que começou o regabofe das PPP,s, do BPN, do betão e por aí fora.

    Responsabilizar os professores é injusto e um tiro no pé.
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    Pedro

    17.02.13

    Caro Paulo, não vale a pena confundirmos ou justificarmos um erro com outro erro. É verdade que o que se passou com o BPN e o BPP, assim como com as PPP`s é escandaloso e carece de decisões dos tribunais.
    Outra questão (e é essa que nos interessa) é a que respeita ao que durante anos imperou na Educação: o completo desleixo e a desmultiplicação de benesses, regalias e outras situações que deixaram a nossa imagem no estado em que sabemos.
    Depois de tantos anos de incúria, temos agora a paga. E, como sempre, por causa de uns pagam todos...
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    ana

    17.02.13

    Já ontem me intriguei com as palavras do Pedro e estive para lhe perguntar em que grupo em que me engloba, dos vários que destacou no seu primeiro comentário, com os meus 49 anos de idade e 28 de serviço.
    Em qual destes, Pedro:
    «Os mais velhos, aqueles que durante anos e anos usufruíram de muitas benesses, desesperam pela reforma. Os que vão a meio da carreira jamais poderão almejar com os tempos das "vacas gordas"»???
    É que a meio da carreira não estou, embora vá trabalhar 44 anos, se me reformar aos 65.
    Mas entre os mais velhos também não estarei, pois, apesar de já desesperar pela reforma (em vão, bem sei) para não passar o resto dos anos da minha carreira a assistir ao aniquilamento da escola pública a que me dediquei por décadas, não consigo enumerar as muitas benesses de que beneficiei, como o Pedro invoca.
    Aliás, posso dizer-lhe que, quando fui mãe pela primeira vez, não tive sequer direito a licença de amamentação nenhuma, tendo começado esse ano lectivo com um horário de 24 tempos lectivos, alguns nocturnos (com uns cursos chamados de GAC's), com duas direções de turma... e um bebé de 4 meses e meio em casa, sem direito a aleitamento materno, uma vez que a lei dizia que tal licença só era concedida se não houvesse prejuízo para o serviço, e o dito serviço (a Presidente do Conselho Directivo da escola) alegou que eu era imprescindível.
    Reclamei para o Director Regional do Algarve, região onde isto se passou, e o mesmo deu razão à Presidente do Conselho Directivo, indeferindo o meu recurso.
    Começo a achar que o Pedro, sendo um felizardo, devia poupar-se em alguns comentários.
    Felizardo porquê? Porque, presumivelmente novo demais para conhecer com propriedade os anos a que se reporta, já não fará parte dos malogrados colegas contratados, no seu entender tramados pela herança de um passado de incúria.
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    Pedro

    17.02.13

    Cara Ana, como se costuma dizer "cada caso é um caso".
    Agora, claro que podemos destacar grandes tendências e parece-me claro que durante anos e anos a tendência dominante foi a da incúria e consequente degradação da imagem da nossa classe profissional.
    Acredito que a sua situação tenha sido uma excepção à regra e relevante dos problemas da autonomia excessiva que é concedida a algumas direções de escola.
    O que me parece é que apenas estamos a pagar (justa ou injustamente - cada uma lá terá a sua opinião) pelas irresponsabilidades cometidas durante muitos anos... Volto a dizer: por causa de uns, pagam todos!
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