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Correntes

em busca do pensamento livre

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pensar o mundo

06.02.13

 

 

 

 

 

 

 


Temos uma grande dificuldade em pensar e podemos afirmar que se pensa pouco. Foi mais ou menos assim que Manuel Maria Carrilho iniciou a sua conferência no auditório da ES R. B. Pinheiro nas Caldas da Rainha. O filósofo foi apresentado por Rui Grácio, que fez uma breve passagem pela obra "Pensar o Mundo", numa iniciativa do CFAE Centro-Oeste. Pensar o mundo e pensar Portugal implica pensarmos como chegámos aqui e como sairemos, acrescentou.

 

Manuel Maria Carrilho discursou sobre a crise e também a propósito dos termos que usamos sem a preocupação de definir com rigor o significado. Moderno (perguntou se haverá quem não o queira ser), refundação, crescimento e austeridade foram os mais dissecados.

 

Foi crítico da globalização, associou-a ao individualismo e considerou que somos mais livres do que nunca na Europa. No entanto, socorreu-se de Kundera e da ideia de que "tenho direito ao que desejo" o que acaba por se traduzir numa impotência do colectivo.

 

A representação pelos políticos e pelos partidos como representantes do povo e encenadores do futuro está em crise. Disse que a supressão do futuro e dos médio e longo prazos e a absolutização do presente e do curto prazo provocam essa falência, sendo um logro o elogio do voluntarismo.

 

Classificou como "inconsequente" a acção dos movimentos de cidadãos, defendeu a simbiose governativa das áreas da educação, da ciência e da cultura, que mereceriam um conselho de ministros dedicado, foi crítico da escola com receptora de todas as crises e não vê grande futuro para os políticos que não o façam a partir dessa instituição. O Homem é um mutante antropológicoclicar é saber sem aprender. A escola está desmuniciada para enfrentar este problema que deve ser central para a política.

 

Para Manuel Maria Carrilho a Europa errou na adesão à ideologia da globalização, vivemos um período de ultraliberalismo (desprezou o neo), de liberalismo sem limites e em que o mercado é total. Há um face a face entre o estado de direito e a selva, entre a política que já foi civilizada e um mundo financeiro que precisa de o ser. Falta saber quem vencerá o duelo.

2 comentários

  • Ana: a culpa só pode ser minha. Provavelmente, o post, que é um resumo muito breve, não traduz a riqueza da conferência. Não tive muito tempo hoje para o blogue e fiz o post a propósito de umas notas.

    Leio, ouço, converso, sobre Manuel Maria Carrilho há mais de 20 anos. Não misturo o filósofo com a figura pública. É licenciado em filosofia, o que não é pouco, e doutorado em filosofia contemporânea. É um dos nossos filósofos, filósofo mesmo, mais reconhecido no mundo. Disso não restam dúvidas. Dizem-me isso pessoas que sabem muito mais de filosofia do que eu.

    É intelectualmente brilhante e um excelente conferencista. Também consideram que foi um bom ministro da cultura.

    Não sei se conheces mesmo a sua obra, mas olha que vale a pena. Por vezes, a mediatização faz com que se catalogue as pessoas de forma muito superficial. Tenho até ideia que é preciso dominar uma série de conceitos que ele utiliza, para se perceber a profundidade do discurso. As categorias que usei no post são as mais imediatas, mas só sobre a morte, a finitude ou a felicidade ficaríamos por aqui horas a conversar. E mesmo a propósito do crescimento, da crise, da política ou da ecologia.

    É; a culpa só pode ser minha.
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